quinta-feira, dezembro 30, 2010

Ano Novo

Esta semana entre o Natal e o Ano Novo me parece um tanto quanto mágica. Há um clima diferente no ar. Não sei se pelo clima de amor e solidariedade da festa natalina, que deveria ser o ano todo, ou se pela esperança de um ótimo próximo ano. Pra mim, tudo parece mais bonito, mais florido. Em meu caminho, os pássaros aproximam-se sem medo algum. O vento amigo aparece sempre para refrescar e as mulheres estão mais bonitas do que nunca, se é que é possível tanta beleza. Eu quase vejo o ar dar pequenos estalidos de tanta alegria.

Esse clima bom me dá vontade de sair abraçando todo mundo. Então, lembrando alegremente das aventuras e histórias de 2010, comecei a pensar se faria ou não planos para o próximo ano. Pensei nas minhas táticas. Poderia planejar pouca coisa, estabelecer três objetivos e me concentrar bastante neles. Ou poderia prometer mil e uma coisas, mais do que posso. Assim, mesmo não conseguindo tudo, conseguiria ainda muita coisa.

Eu tive um ano maravilhoso, bárbaro. Conheci novos lugares, os quais eu pretendo retornar. Conversei com muita gente diferente, fiz boas amizades, passei mais tempo com os velhos amigos. Conheci melhor alguns conhecidos de vista. Conheci muita gente nova, muita gente boa, mesmo.

Consegui “aparecer” pelo blog pelo menos quatro vezes por mês. Consegui um emprego, faço o que gosto com um ambiente de trabalho ótimo e uma equipe massa, só sangue bom! E agora namoro uma morena que eu só conheci em sonhos e sambas antigos, que é até complicado tentar descrever. Minha família está bem, todos estão com saúde. Há um clima de tranqüilidade no ar. Algumas pessoas acham graça da minha postura positiva demais em relação ao futuro, ao mundo. Talvez eu tenha um problema de memória seletiva, lembrando apenas as coisas boas, vai saber...

Eu sei de traumas, péssimas experiências, lembranças ruins de algumas pessoas. Talvez isso explique o pessimismo delas, talvez não. Eu não suportaria viver num pessimismo constante. Se for para sair de casa achando que vai dar tudo errado, melhor mesmo é ficar em casa logo. Eu prefiro continuar acreditando na melhoria, no lado positivo, falando dos bons exemplos.

Não sei dizer o quanto eu mudei durante esse ano. Vi muita coisa boa, fiz muita coisa boa e algumas besteiras, mas ainda tô vivo, cheio de saúde e amor para dar. Hoje, acho que sou uma pessoa melhor do que ontem. Eu vou continuar nesse esforço crescente de melhoria. Um esforço inconsciente de fazer melhor a minha vida e daqueles ao meu redor. As coisas vão melhorar (e elas nem estão ruins não, estão ótimas!).
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sexta-feira, dezembro 24, 2010

Ainda assim

Eu tô postando de novo por ter esquecido algumas coisas.

Eu queria agradecer pelos comentários carinhosos de sempre.

Muito obrigado pelo carinho e atenção (e pela paciência de ler os textos)

Um Feliz Natal para todos!

Tudo do bom e do melhor para todos nós!

Beijos e abraços!

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Chove, muito forte. E faz frio, muito. Tanto lá fora quanto aqui dentro. Do meu coração. Mais uma vez, estou abrigado sob uma das paradas de ônibus da minha já não tão bela cidade. O asfalto da cidade deve ser de açúcar, pois mal chove e ele se desfaz todinho, imagine com essa chuva... Para decretar estado de emergência não falta nada, falta só alguém decretar mesmo. Com chuva ou sem, estamos nesse estado faz tempo. Bicho engraçado é o ser humano. Tem um monte de gente ao meu lado passando frio. Se não fôssemos tão “racionais”, encostávamos uns nos outros para ficarmos todos bem quentinhos. Mas vai entender...

Eu insisto em esperar o ônibus para o trabalho, sem saber se o prédio vai estar de pé quando eu lá chegar, se foi arrasado pela chuva ou pelos cupins que há tempos vivem como reis lá. Comeram a madeira toda do escritório já, um pouco do piso, mesas, cadeiras, estantes, e meu chefe nem dá bola. Um dia a casa cai, literalmente. Até parece que trabalhamos criando cupins, e não vendendo inseticidas para matá-los.

Engraçado é ver as pessoas reclamando da sujeira na cidade. Ao meu lado, pilhas e mais pilhas de lixo, jogado pela mesma população a reclamar na TV. Crianças correm pelas ruas, a brincar com a água vinda dos céus, sem medo algum de contrair uma doença. Deveriam ter, pois sem abrigo, sem remédios, quem irá interceder por eles? Basta a reza para salvar corpo e alma? Acho que não é bem por aí. O dia é cinza, só para combinar com meu mau humor e com a situação na qual nos encontramos? Ainda há esperança?

Na minha frente, eu vejo que solidariedade ainda não é coisa do passado. Um grupo de homens, novos e velhos, esforça-se para empurrar o carro de uma desconhecida. Não, não era bonita, foi puro altruísmo mesmo. Ao meu lado, a senhora oferece uma “carona” de guarda-chuva até o próximo abrigo. Aos poucos, a situação parece ir melhorando.

De uma van, desce uma loirinha. Com um vestido azul claro, cheio de flores, perfuma o local. Balança a cabeça negativamente e faz um bico ao olhar para o cabelo, um pouco assanhado. Olha para a chuva com uma alegria incrível. Ela só falta perguntar: bonito, né? Mas não o faz. Admira a chuva como eu admiraria se estivesse em um dia bom. Um rapaz ao meu lado, atende o telefone. Grita e pula em um espaço de um metro onde há oito pessoas. Vai ser pai. Quer abraçar todo mundo. Eu não sei como deve ser essa alegria, mas é forte o suficiente para ele decidir voltar correndo para casa, debaixo da tempestade.

Um casal chega e se espreme com a gente. A moça, branquinha, de cabelos castanhos na altura dos ombros, carrega uma criança nos braços. Uma maldade a criança enfrentar essa chuva. Desculpem, mas não reparei no rapaz, era apenas mais um de camisa listrada, calça escura, sapatos sociais e um óculos todo molhado. O diferencial dele era a ternura no olhar direcionado à criança.

A mãe e a criança bem dariam um belo quadro ou uma cena de documentário sobre amor. A mãe parece querer passar todo o calor que tem para a criança, e eu até acho que consegue. A criança, mais parece um filhote de bicho-preguiça, tão agarrado está, com as mãozinhas a apertar a roupa e o cabelo da moça. E eu quase posso ver um sorriso. Engraçado, mau humor é um negócio triste, deixa a gente cego para as coisas boas e bonitas da vida. Agora eu vejo. Chove, o céu parece cair, e ainda assim, faz sol.
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terça-feira, dezembro 14, 2010

Os presos

Em dias nublados, a minha vontade de escrever é quase tão grande quanto à de ficar deitado na rede, bem agasalhado, a ver os pingos d’água passarem em direção a terra. No entanto, é preciso ir trabalhar, é preciso... Depois de uma luta contra o frio e preguiça, de um banho com uma água bem gelada para acordar corpo e alma, consigo sair de casa.

E no meio do caminho tinha um pet shop, tinha um pet shop no meio do caminho. E se em dias de sol forte, calorento, eu já tenho as minhas “alucinações”, minhas “viagens”, nesses dias de frio bom então... E perdi o olhar e a cabeça contemplando as várias gaiolas e seus animais enclausurados. Antes dessa “perdida”, confesso, me perdi antes, ao observar uma mocinha varrendo a calçada da loja tão graciosamente. Só depois fui reparar nos presos em suas prisões.

Pois bem, outro sujeito reparava a tragédia comigo, em um silêncio cúmplice, de desapontamento com a privação de liberdade. Surge, então, outro elemento na história, um gato. Ele passava por entre as gaiolas com uma despreocupação interessante. Gato de rua, não tinha mesmo que ficar preocupado. E bicho com classe, pra gostar de fazer pose, é gato. Parecia um rei ali dentro. O pelo marrom, os grandes olhos azuis, a cabeça erguida, destacavam-no.

O outro sujeito comentou comigo, a olhar as gaiolas, num misto de saudosismo e gaiatice. “Quando mais novo, acordava com o canto bonito de tantos pássaros, e reclamava por eles acordarem cedo demais. Hoje em dia, acordo com o canto das sirenes das ambulâncias e das viaturas e lembro o quanto eu reclamava de uma dádiva”. Devia ser poeta o coroa, pensei.

Como via que eu concordava, pois balançava a cabeça afirmativamente, prosseguiu com seu ar filosófico. Falou da infância no Interior, das brincadeiras com os animais... E olhando para o gato, arrematou: “O gato é um animal que, com toda a certeza, não nasceu pra ficar preso”. Rapaz, na mesma hora venci minha timidez para dizer: “Na verdade, esse fato pra mim é novo, pois eu tô pra saber qual foi o animal que nasceu pra viver preso”. Ele ficou meio sem jeito, calou-se e ficou pensativo.

Lá de dentro da loja, o gato nos observava. Eu pensei ter visto uma tristeza no olhar dele, ao contemplar o cachorro enjaulado. Olhava para o totó e para nós dois na parada, como se compartilhasse da nossa tristeza ao ver o animal enjaulado. Ou talvez, quem sabe, buscava a afirmativa do cachorro, como se dissesse: “Tá vendo ali, fiel amigo do homem, dois homens que se acham livres?”. Mas eu acredito mais na hipótese dele estar pensando: “Coitados. Um dia tão bom pra ficar deitado, olhando pro tempo, e eles aí, deixando de aproveitar a vida...”.
=]

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Faz falta

- Sabe, é isso que eu tô sentindo.
- Poxa, entendo, acho que até já passei por isso...

- Tenho tanta coisa pra fazer, estudar, pesquisar, escrever... Tanta coisa que eu não tenho tempo nem de ser eu mesma... Tu achas que eu tô sendo muito dramática?
- Não, nada disso. Tem muita verdade nisso aí. São tantas preocupações que não conseguimos relaxar, desfazer as barreiras, ficar em paz...

- Eu não vou reclamar da minha vida, ela é muito boa, mas eu queria só
mais um pouco de tempo...
- E nem é apenas um pouco mais de tempo, mas saber aproveitar esse tempo.

- Eu sinto falta de tanta coisa, de conversar com minha melhor amiga, de ler um bom livro, de ver um filme sossegadamente...
- Eu também sinto falta disso tudo e de ficar conversando besteira, de ficar olhando pro tempo, de ficar observando as nuvens, olhando pras estrelas com o pensamento lá longe...

- Ei, eu sinto falta de fazer brigadeiro de panela e ficar engordando sozinha, de fazer pipoca e rindo de filmes sem graça, de passar tempos ao telefone.
- Eu sinto falta de conversar bem muito ao telefone também, de escutar alguém cantar pra mim por ele, de adormecer ouvindo música ou lendo um livro, de acordar sem pressa de tomar banho e comer, tudo no automático...

- Eu sinto falta daquele beijo, sabe? De querer roubar a alma pela boca, apaixonante e de tirar o fôlego, daquela mão no pescoço, daquela mordida cheia de vontade
- Eu também sinto falta disso tudo, de ficar deitado na rede, dormindo sossegado, de ficar num banco a ver o fim de tarde, do frio da madrugada me obrigando a bater o queixo, de encarar papagaios e gatos imaginando o que estão pensando...

- Eu sinto falta de ir para a serra, curtir o frio, de ir pra praia, curtir o calor, de dividir uma pizza, de me lambuzar de chocolate, de abraçar os bichos de pelúcia até quase estrangulá-los...
- Eu sinto falta de passar mais tempos com meus irmãos, vendo TV, filmes,
jogando bola ou videogame, de ler quadrinhos e piadas, de conversar besteiras e rir até doer a barriga e as bochechas, de gritar de alegria e abraçar bem forte meus amigos.

- Eu sinto falta de ir pro cinema e ver um filme bom, de ir pro teatro, de tanta coisa boa que eu fazia...
- Eu sinto falta disso tudo também, de sair pra comer com o pessoal, de ir pra um show tranquilo, sem multidão, que dê para curtir sossegado, de ficar um pouco sozinho...

- Eu sinto falta de tanta coisa... Acho que tô sentindo falta de mim, da minha companhia, de todos os meus problemas e de todas as minhas coisas boas!
- Eu também sinto falta disso tudo...
=]

quinta-feira, novembro 25, 2010

Suave

Engraçado como foi suave. Nos encontramos e nos conhecemos no meio do nada, perdidos estávamos no meio da multidão. E o que era tempo de paz interior e não procurar por ninguém, resultou num inesperado e gostoso encontro. O tempo de solitários indivíduos estava acabando.

Engraçado como foi suave, como as coisas foram se desenrolando. Fomos para a praia, deliramos e enlouquecemos sob os olhos do sol, da lua e das estrelas. E nada de drogas, só amor, o mais puro amor. E o que seria uma noite na praia, acabou virando um final de semana. Uma eternidade de felicidade que algum dia um bom poeta haverá de contar em versos.

Engraçado como foi suave, tudo dando certo. Fomos ao cinema, no início. E quando segurei a tua mão, sendo correspondido por ti, tive a sensação de nada mais querer naquele momento. Esqueci o filme, desculpa, mas ele ali era apenas simples cenário para uma coisa maior no momento.

Engraçado com foi suave o contato aumentando. Conversas pela internet, mensagens, ligações e de repente uma nova vida descortinava-se. Assim como era preciso escovar os dentes e dormir era preciso ter um pouco da outra pessoa. Se num começo apenas conversar bastava, depois de um mês não já conseguia ficar uma semana longe de cheiros, beijos e abraços.

Engraçado como essa freqüência foi diminuindo, como as desculpas e a falta de vontade de um encontro foram aumentando. Como um negócio bom e promissor foi ficando chato, sem graça, quase uma obrigação escolar. Como sorrisos transformaram-se em lágrimas dos dois lados depois de uma besta briga...

Engraçado como foram feitas as pazes e como vai sendo suave e delicioso esse relacionamento tão bom e que só faz bem...
=]

quarta-feira, novembro 24, 2010

Um dos antigos

Peço desculpas pelo sumiço, sinceras desculpas.

Não pude fazer uam das coisas que mais gosto, escrever e ler os blogueiros amigos.

E isso faz falta, tenham certeza.

Hoje, deixo um dos velhos escritos, que vez por outra eu dou uma olhada, e fico pensando no momento que passou e de vez em quando parece se repetir.

Espero que gostem.

Até o próximo.

Beijos e abraços
=]

Segunda-feira, Outubro 08, 2007
Estou de volta
Olha, voltei,
Era preciso.
Sentia falta.
Desculpa, não agüentei.

E a saudade era grande demais.
O negócio era saber o que faltava...
E percebi, não era algo que corria atrás.
É algo tão simples que nem imaginava.

E muitos podem nem acreditar.
Nem discordo, foi difícil perceber.
Nem sei se é algo normal de ocorrer.
Mas essa saudade era necessária matar.

Sentia falta de mim.

Engraçado não é? Mas é verdade.
Não podia relaxar com essa carência.
E nem venha dizer: isso é coisa da idade...
Sai pra lá razão ou exata ciência.

O mar, o futebol, os amigos.
O computador, um texto, a internet, os delírios.
Uma comida, uma bebida, uma saída.
Nada extraordinário, com muito sentido.

Sentia a falta de escrever e dividir.
De conversar, de pouco falar e muito ouvir.
De muito falar, de se preocupar.
Dos trabalhos, das agonias, de cochilar...

De andar ligeiro, sem olhar pro lado.
De ir bem lento, ficar lesado.
De parar e conversar.
De dizer: vai cara, aparece por lá.

E então o reencontro aconteceu.
Não teve festa, não teve fogos.
Apenas uma sensação de alívio.
De construção sobre destroços.

E a vida continua então.
Contraditória como sempre foi.
Com algumas mudanças.
Mas certas coisas não hão de mudar.

E dessa vez desatou o laço.
De volta a minha pequena loucura.
O caminhar incerto dos passos.
Sem graça é a vida sem procura. (mesmo sem saber do quê)

E olha a gente aqui outra vez.
Com graça, sem grilo.
Com certeza, talvez
De novo, no mesmo estilo.

E só pra finalizar
Quero deixar uns conselhos:
Não tenha medo da vida.
Aprenda a encarar o espelho.
Duvide e acredite em tudo.
Não basta forma sem conteúdo.

=]

sábado, novembro 06, 2010

Dia de cortar o cabelo

Não é fácil cortar o cabelo. E não, eu não sou cabeleireiro. Estava refletindo sobre como é complicado conseguir alguém que corte bem nosso cabelo. E o meu é considerado ruim por alguns. Não entendo, se ele faz a função dele de cabelo, por qual razão deve ser chamado de ruim? Preconceitos capilares à parte, vamos continuar.

Sábado pela manhã, hora de ir cortar o cabelo. Chegando lá, um monte de homens e você ganha um alô se adivinhar sobre o quê conversavam. Isso mesmo, nem futebol e nem mulher, o assunto era política, com a nova presidente no foco da questão. E todos muito animados discutindo, com exemplos interessantíssimo e muito educativos.

“Lógico que ela vai chamar o pessoal do partido dela. Tu ia bem querer trabalhar com teus inimigos, é?”. “Jovem, não deve haver inimigos, todos devem estar unido em prol do povo”. Pois é, ia longe a discussão até alguém falar “eita, cês viram o que o técnico fez?”, e a começa tomou o rumo normal.

Depois de esperar mais ou menos uma hora e meia, chegou a minha vez. O sujeito é um velho conhecido, tempos não cortava com ele, mas resolvi dar mais uma chance. Em menos de quinze minutos estava pronto para ir embora, e se demorou tanto é por conta dele ter parado pra conversar ao telefone durante mais ou menos dez minutos.

Ele quase fez uma desgraça, quase acabou com o meu topete. No final, fiz uma cara de quem não gostou muito e comentei: “não era bem assim que eu tinha pedido”. E ela veio com a resposta de sempre: “rapaz, é assim mesmo, o corte é assim mesmo, já, já ele tá do jeito que tu quer”. E perguntei: “já, já quer dizer depois do banho?”. E ele, bem sério, respondeu: “não, em três semanas mais ou menos...”. Três semanas? E mais ou menos? Por isso eu não cortava com ele faz tanto tempo...

E pra mim, a melhor parte de ir cortar o cabelo é voltar pra casa andando. Faço uma pequena caminhada de alguns bons quarteirões como quem faz o caminho lá de Santiago de Compostela, todo empolgado pelas ruas do meu bairro. Vou (pra variar muito mesmo) pensando na vida e nos vivos. E fico calmo quando gasto energia e penso em coisas diversas que esqueço depois. Muitas vezes, chego em casa, tomo um banho e apago na cama, de tão cansado.

Dessa vez, só uma coisa foi diferente. Ia chegando em casa e quem me conhece sabe o quando eu sou da cultura da paz e do amor, contra qualquer tipo de violência. Sendo que estava cansado, sol forte na cabeça, e vem uma coroa gaiata sem a menor intimidade comigo para brincar e que falo só porque mora no meu mesmo condomínio, querendo tirar uma onda com a minha cara.

Eu sou muito paciente, mas tem dias, ah, esses dias. Ela chegou logo dizendo e rindo: “Finalmente tirou aquele topete horrível, mas tem jeito não, meu filho, ficou feio do mesmo jeito. Tinha corte pra homem não lá ou um menos feio?”. Eu respondi com meu melhor sorriso: “Até tinha pra homem, há uns oitenta anos, quando tu eras jovem e ainda se cortava cabelo na faca. E meu cabelo pode ter ficado feio, mas com o tempo cresce. Pena que no teu caso, minha senhora que graças a Deus não é minha amada mãe, seja mais complicado e não se resolva só com o tempo, vai além do cabelo...”. E fui embora, porque eu sou da paz e amor, mas paciência tem limite...
=]

domingo, outubro 31, 2010

Casal esperto

Era uma dupla muito engraçada, não tinham casa, não tinham nada.
Ela morava com uma tia, ele vivia com a avó Sofia
Todos diziam que ia dar certo, sempre formaram um casal esperto
Maria Flor era costureira, trabalhava duro a semana inteira
João Matias era trabalhador e fazia tudo por seu amor

Levavam uma vida muito tranqüila, até que um dia naquela esquina
Apareceu um moço estranho, de cabelo preto e olhos castanhos
Tentou levar a bolsa dela, sem piedade, não teve trégua
Ele queria até brigar, mas ela disse “deixa pra lá”

Voltou para casa todo tristonho, que pesadelo, dia medonho
E decidiu que ia mudar e na polícia ia trabalhar
Ia prender cada bandido, deixar o bairro bem mais tranqüilo
E no começo deu tudo certo, o seu bom plano foi um sucesso

Até que um dia naquela esquina, o mesmo moço, que triste sina
Tentou roubar outra mulher, e João Matias não deu colher
Até mandou ele parar, deitar no chão, se desarmar
Mas veja só o que é o destino, de um dos lados veio logo um tiro

E lá estava um homem no chão, não teve chance e nem perdão
A sua família iria chorar, e de certa forma, se aliviar
Antônio Pedro da Salvação, mais conhecido como Pedrão
Queria mesmo ser jogador, ou então sambista, namorador

Mas imagine sua tristeza, comida sempre faltava à mesa
Não teve forças pra resistir, no mundo do crime passou a agir
E a vida então, nem foi tão longa, vida bandida, vida medonha
João Matias apareceu, Antônio Pedro, 19 anos, só faleceu

João Matias, tão bem treinado, atirou logo, foi bem mais rápido
Por muito pouco sobreviveu, puro reflexo, reconheceu
Mas não queria ninguém matar, mas um assalto queria evitar
Voltou pra casa, desconsolado, chorou três noites, estava abalado

Maria Flor então lhe disse: "volte pra feira e não desanime
Nós somos pobres, reconhecemos, mas muitos outros ajudaremos
Foi um acidente aquele dia, não fosse ele, tu que morria
Vamos ser fortes e trabalhar, uma vida toda temos que acertar"

João montou o seu negócio, juntou uma grana, arrumou um sócio
Maria Flor engravidou, nasceram gêmeos e uma nova saga só começou
E agora, então, como fazer? Com as crianças já pra nascer...
Maria Flor, com todo o amor, lhe disse logo, nem bem pensou
“meu bem, certeza, dá tudo certo, pois nós formamos um casal esperto”
=]

domingo, outubro 24, 2010

Conversa com a psicóloga...

- Então, é a sua primeira vez?
- Não, não. A minha primeira vez foi lá no interior onde uma tia minha mora com doze anos e aí...

- É a sua primeira vez com uma psicóloga?
- Não, não. Foi no carnaval de 2005, tinha uma psicóloga na casa e estavam todo alterados e aí...

- É a primeira vez que você se consulta com uma psicóloga?
- Ah, sim, sim.

- Você só pensa nisso?
- Naquilo?

- É?
- Naquilo o quê?

-...
- Hum?

- Vamos começar do começo, então.
- As preliminares?

- O começo da sua história!
- Ah, beleza. Meu pai conheceu minha mãe, numa discoteca ou tertúlia, nem lembro, uma coisa assim. Ele era meio John Travolta, sendo que numa versão tupiniquim de boca de sino e mais feinho. Minha mãe tinha um cabelão estiloso que devia gastar um quilo de gel ou laquê ou sei lá o que usavam naquela época. Aí depois do baile, conversa vai, conversa vem, tal, tal e aí eu to aqui.

- Na verdade, eu quero saber por qual motivo você está aqui. O tempo da consulta está passando.
- Minha “mãe” que disse pra eu vir.

- Hum, Édipo...
- Não, nada de Complexo de Édipo. Deus me livre mexer com a minha mãe. Com a dos outros, até que vai. Brincando.

- E por qual razão a senhora sua mãe disse pra você vir aqui??
- É minha “mãe”, entre aspas. É uma amiga que ás vezes parece minha mãe, na parte de dar conselhos e sermões.

- E você tá com algum problema?
- Agora eu tô liso, liso. Eita, consulta cara...

- E o tempo está passando...
- Pois bem. Vamos lá. Alice disse pra eu vir. Disse que eu não posso sair amando todo mundo por aí. Eu disse que não é todo mundo, são só algumas mulheres, inclusive ela e a prima dela. Mas eu não consigo deixar de ter tanto amor, se eu deixar só pra mim ou só pra uma pessoa é capaz de sufocar. Aí eu saio amando por aí e distribuindo amor e carinho.

- Isso, você tem que assumir...
- Opa, como assim? Assumir? Eu sempre digo pro Julinho assumir, se ele gosta de homem é opção dele e ninguém tem nada com isso...

- Eu disse no sentido de você assumir o seu problema.
- Ah, certo, beleza. Mas não diz pro Julinho que eu entreguei ele não.

- Resumindo, você é um cafajeste.
- Quem te contou?

- Ah, então é verdade?
- Pois é, nem é. Muitas vezes eu nem faço nada, e olha que eu não sou nem rico e nem bonito. Danço mal, gaguejo, me visto mal e só conheço piadas sem graça. Aí, algumas mulheres, eu até as entendo, precisam de amor e carinho e acabam me conhecendo, ou eu conhecendo elas. E aí, dá é certo. Elas querendo receber e eu querendo amar demais. Tem casos que eu tenho culpa, verdade. Mas tem tantos outros que sou inocente. Ajudei em traições até, passado distante, mas to evitando esse tipo de coisa. Negócio que só tem homem que só percebe a maravilhosa mulher quando tem outro de olho. Ou então é sentimento de posse, vai saber.

- E o que te faz conseguir tantos amores?
- Nem sei e nem são tantos assim... São alguns, mais ou menos... Tudo bem, são muitos.

- E você quer parar? Você não pensa nos sentimentos delas? Que pode fazê-las sofrer?
- No final da história eu acabo sozinho, elas voltam aos namorados, maridos, pro carinha que gostavam antes. Eu sou só uma sombra durante uma caminhada. Algumas se lembrarão de mim daqui a dez anos, serei uma boa lembrança. Outras, não contarão pros netinhos que me conheceram, nem pras amigas de hoje.

- E por qual motivo insiste nessa vida?
- Eu não, ela que insiste comigo. Brincando. Estou pensando em parar. Depois do carnaval do próximo ano eu paro. É porque eu não suporto ver mulher sofrendo, se eu posso fazer tantas felizes com um pouco de mim, ainda que seja uma rápida aventura, por que não? Eu não sou um anjo, muito menos um capetinha a infernizar essas mulheres. Mas se ás vezes eu dou um tempo, me aquieto, por que ficam me tentando?

- Você é realmente bom assim?
- Olha, eu não sei dizer. Pera, telefone. Oi. Sim. Vamos nessa. Claro, tudo bem. Amanhã depois do trabalho eu passo aí pra gente “conversar”. Ceeerto. Até, beijos. Pois então, voltando. Não tem como dizer. É uma questão de prática e não de teoria. Algumas aventuras duram só uma noite, outras tantas duram semanas, meses, anos...

- O tempo está acabando...
- Já vai dar 19h? E o meu problema?

- Deixe-me ver uma coisa aqui... Nós ainda temos quinze minutos
-...

~~~~~~
- E aí, Cafas! Como foi a consulta que a Alice disse pra tu fazer?
- Arthurzinho, foi boa, mas foi rápida...

- E no que deu?
- Deu em um cinema e um jantar. A psicóloga disse pra eu voltar mais vezes porque o tratamento vai ser demorado...
=]

terça-feira, outubro 12, 2010

Insistência

Essa é uma palavra engraçada, com um sentindo bom e outro ruim. Depende sempre do contexto. A frase "ele é uma pessoa muito insistente”, pode não significar uma coisa boa. Nem sempre a insistência é recompensada, mas pelo menos se pode dizer: tentei.

Tem um terreno baldio no caminho do trabalho e nunca havia reparado nele. Ele foi a ideia fundamental do texto. Porque as pessoas insistem em jogar lixo e outras coisas mais por lá, e ele insiste em responder fazendo brotar lindas rosas, amarelas e roxas flores. Ainda que haja lixo, a natureza continua a nos brindar com sua beleza. Pura insistência.

A política, por exemplo, é um bom exemplo. Os políticos, em sua enorme e gigantesca maioria, insistem em não fazer nada ou em ficar roubando o dinheiro do povo, quer dizer, nosso dinheiro. E mesmo assim, assustadoramente, eles estão sempre por lá. Ou então, eles sempre retornam, mais ou menos como aqueles vilões de araque de filmes de terror, mas essa é uma triste realidade.

Há pessoas especiais que pela insistência conseguem grandes transformações, tipo o Gandhi e o Luther King. E as grandes transformações da ciência costumam ser na base da insistência também, por isso voamos, navegamos, não engravidamos (algumas) e ficamos aqui pela internet trocando ideias. Engraçado, lembrei por acaso, nós insistimos em destruir nosso planeta, mas ele insiste em resistir (embora a natureza responda às vezes).

Tem gente que insiste na burrice. Evoluímos tanto e ainda tem gente brigando por conta de religião, cor da pele, time de futebol, opção sexual... Como pode? O tempo vai passando e as pessoas parecem estar regredindo. Sorte ter pessoas boas por aí, dessas a acreditar e fazer algo por um mundo melhor.

Na base da insistência muita coisa boa acontece. E pensando nisso, vou seguindo meu caminho. Pensando nisso, não desisto. Porque tu continuas a não confiar em mim e na sorte de ter um amor tranqüilo (embora eu preveja um bem agitado).

Pensando nisso, e muitas vezes ao dia, eu continuo tentando. Porque tu insiste em ser rude comigo, em me destratar e não me dar atenção como eu quero, e eu insisto em te dar todo o amor e carinho, que somente eu posso te dar...
=]

sábado, outubro 09, 2010

Ah, morena...

Incrível como a tua cintura veio com o tamanho exato do meu braço, é a conta certa.
E meu desejo não é te prender por toda a vida em meus braços.

Meu desejo é te dar abrigo e proteção enquanto assim desejares, o calor do meu corpo é todo teu.

Eu sei, tu não tem culpa, mas essa tua boca carnuda me desperta pensamentos que eu faço questão de te dizer num sussurro ao pé do ouvido.

Os teus olhos, grandes e amendoados, parecem maiores em contraste com os meus, que de tão pequeninos, parecem querer se esconder do mundo a cada sorriso.
Eu gosto dessa mistura, de desejo e lirismo.

A tua pele morena, fica tão mais bonita quando junto da minha, branquinha.
E sem querer, da nossa parte, a noite foi passando,marcada não por horas e minutos,
mas por afagos, carinhos, sussurros, sorriso, abraços, beijos e leves mordidas na boca, orelha...

Quanto tempo faz desde o último encontro? O que é mesmo o tempo para
nós dois? Nós, que não esperamos a vida toda um pelo outro.

Imaginamos outras pessoas, projetamos na vida sonhos e delírios de encontrar alguém que fizesse bem, que pudesse fazer feliz.

Engraçado, meu corpo não conhecia o teu, mas já não que mais saber de ficar longe,
só quer estar perto, só quer estar junto.

Eu imagino agora qual a medida exata de estar junto de ti. Qual o ponto saudável e necessário? Quem sabe dessas coisas?

Se um dia vai acabar? Uma certeza na vida é que tudo um dia acaba.

Mas por qual razão ficar pensando em um final, se a nossa aventura
está apenas começando?
=]

segunda-feira, setembro 27, 2010

Sem texto

Bem, peço desculpas, mas hoje não teremos texto novo. Eu juro, tentei, mas não estou com condições psicológicas para escrever alguma coisa que preste. Vou até dividir com vocês, rapidamente, o ocorrido e tentarei ir logo pensando em alguma coisa para a próxima vez.

Estava eu na Lua, meu mundo por natureza, em espírito, mas em corpo estava no prédio onde moro, quando escuto passos. Olho para o lado e quando vejo, vocês não vão acreditar, nem eu acreditei: não havia nada lá. Sim, nada. Estarei eu ficando louco? Quer dizer, mais louco? Para alívio da consciência minha, uma pessoa havia mesmo aparecido e ficado escondida atrás de uma coluna, para criar um clima de suspense.

Sorte que eu não sou curioso e voltei a ler o jornal. Na verdade, resolvia as palavras cruzadas, depois das histórias em quadrinhos, a minha parte favorita do impresso matutino. Levemente, sinto um toque no ombro e alguém falando sussurrando: Se eu fosse uma assassina, já teria te matado, tu poderia estar morto uma hora dessas.

Se fosse ali sentado o Lord Byron em meu lugar, teria dito algo do tipo: “Oh, dama das estrelas, de olhar cristalino e sorriso arrebatador, senhora dos meus dias e noites, responda-me antes deu suspirar pela última vez, pois meu fraco coração já não agüenta tantas fortes emoções: o que é a vida, se eu não tiver o teu amor?”. Bem, como eu sou mais romântico, perguntei: “Ah, é tu, criatura?”.

Era meu velho amor.

E aquele ou aquela que não tiver um velho amor, não faça nada, apenas continue lendo, por favor. Garanto uma coisa: com as seguintes palavras você não aprenderá nada, nem desaprenderá. Seguinte, velho amor sempre volta a aparecer. Pode sumir vários anos, ter conhecido na creche e reconhecer apenas no próprio velório, mas reaparece. Ou então naquele trem lotado, em que ela sem querer lhe confunde com algum tarado. Acontece? Bem, tudo pode acontecer.

Mas vamos voltar ao meu velho amor. Ela some um tempo e depois volta. Qual a graça? A graça é um dia você achar que o amor virou amizade e, em outro, achar loucura estar pensando em tentar de novo. Tem algum sentido nisso? Não, não tem. Porque ás vezes é só amizade mesmo e em outras é puro desejo. Alguém controla isso? Não, pelo menos eu não controlo. E falo isso sem peso na consciência algum. Ontem, desejo, amanhã amizade, e assim vai...

Engraçado é contar a história já prevendo alguns comentários. “Mas esse velho amor existe mesmo? Tu não se apaixona sempre? É a mesma do samba, do ônibus, do vestido? É uma das tuas musas imaginárias? Ou das reais?”.

Digo isso porque na semana passada algumas pessoas me perguntaram, mais uma vez, sobre alguns textos. “Mas diga aí pra mim – e eu não conto pra ninguém – o que realmente é verdade ou mentira nos teus escritos”. Respondi, ainda refletindo sem entender a verdadeira importância da questão. “Oura, mas diga-me você, então, o que realmente é verdade ou mentira na tua vida”.

=]

sábado, setembro 18, 2010

Ainda quer mais?

Telmo era louco por Tereza, mas ela sempre o menosprezou. Não tinha chance o pobre rapaz. Ele acreditava que um dia, apesar dela sempre dizer que não, teria alguma. Morou até os dezoito anos na mesma rua dela, até mudar-se um tempo para uma cidade do interior. Foi triste a despedida, por parte dele apenas, pois pra ela não fazia diferença alguma ele estar ou não na cidade. Pelo menos imaginava ela.

Depois de um tempo, sentiu falta da presença do insistente rapaz, sempre ligando, enviando mensagens, rosas, chocolates e o que mais podia enviar. Percebeu, de forma um pouco atrasada, o sentimento que nutria por ele.

Seis anos depois, ele estava de volta. Encontraram-se, e não foi preciso muitas palavras, beijaram-se e abraçaram-se por muito tempo. Pareciam Adão e Eva, pois, para eles, nada mais existia no mundo. Não namoravam, mas era como se fosse. Certo dia, foram ao centro da cidade comprar alguns presentes. Entre uma risada e outra, Tereza perguntou quando eles iriam oficializar o namoro. E ele respondeu, com um certo desprezo, que em hipótese alguma eles iriam namorar...

Foi quando não só as pessoas na praça condenaram a resposta do orgulhoso rapaz, mas, aparentemente, toda a natureza. Os pássaros pararam com o canto e voaram todos embora. O sol, tão brilhante estava, foi esconder-se por trás das nuvens, que tão branquinhas estavam, cinzas e carregadas ficaram. As pessoas pararam as conversas, nem mesmo o ronco dos motores ouvia-se.

As máquinas que faziam quebradeira no asfalto, todas se calaram, até mesmo a sempre irritada britadeira. A criança choradeira fechou a boca a ficou a olhar. O bêbado, sempre tão lúcido e louco, ficou triste pelos dois e por todos que presenciaram a cena. Até colocou a garrafa de vinho no chão. Todas as atenções estavam voltadas para o rapaz da triste resposta.

Ele gostou da atenção recebida e disse: Meu amor, eu não quero namorar você, eu quero casar com você. Você aceita? – perguntou o rapaz cheio de alegria. E ela respondeu, mas não com a mesma alegria: Eu adoraria, mas agora não podemos. Precisamos primeiro ter bons empregos e conseguir estabilidade para depois casarmos – respondeu a aflita garota. E o mundo continuava todo cinza.

O rapaz não entendia, mas propôs mais uma vez: Mas nós podemos ser felizes agora com o que nós temos, não precisamos esperar tanto tempo. E ela respondeu mais uma vez, dessa vez com uma expressão bastante confusa: Com o que nós temos? Mas o que nós temos realmente? – e fazia uma expressão de quem anda entendia.

- Nós temos vontade de ficar juntos e amor, muito amor para superar todos os obstáculos que possam aparecer.

E o mundo voltou a ter sons, movimentos e cores...
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domingo, setembro 12, 2010

Planos

Opa!
Beleza?

Acabaram as votações do prêmio blog books.
Espero que tenha dado tudo certo para Simone (http://tensaintensa.blogspot.com) e para as gurias do Eutímicas (http://eutimiaasavessas.blogspot.com).

Até o próximo.
Beijos!
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- Vem cá, me diz um negócio...
- Opa, pode dizer.

- Tu já pensou alguma vez em ficar com a Cassandra?
- Não, nunca pensei.

-Nunca pensou, mesmo?
- Não.

- Tem certeza?
- Não?

- Pensou ou não pensou? Explica direito...
- Pensei, mas como ela é muito nova, achei melhor não tentar nada...

- Como assim?
- Eu fui logo pensando numa coisa que eu não gosto: sofrimento por antecipação.

- Mas quem iria sofrer por antecipação?
- Nós dois. Eu sofreria muito por não querer fazê-la sofrer. Ela, por ciúmes não agüentaria muito tempo comigo. Pensei então ser melhor evitar...

-Mas quem garante que ia ser assim, com tanto sofrimento? Ela sabe disso?
- Não, foi vacilo meu. Eu pensei toda essa besteira sozinho. Perder sem nem tentar, a covardia, é o pior dos males.

- Nossa, vai com calma, não precisa ser tão duro com você mesmo.
- Não, tá tranqüilo. Acho que eu já aprendi. A partir de agora, vou fazer diferente. Sorte que eu não gostava mesmo dela, era só uma atração.

- Ah, bem, espero que tenha aprendido mesmo.
- Pois é, infelizmente, só vou saber se não acontecer uma outra vez...

- Eu tenho outra dúvida.
- Pode dizer.

- Tu já pensou, assim, alguma vez...
- Em que?

- Em ficar comigo?
- Hum...

- ...
- Não...

- Não...?
- Não, acho melhor mentir pra ti agora, pra não estragar o que estou planejando...
=]

sábado, setembro 04, 2010

Hércules

Opa!

Pois é pessoal, mais uma vez, desculpa pelo sumiço.

Prometo tentar não sumir de novo.

Até o próximo.

Beijos e abraços!
=]

Dormia confortavelmente nas almofadas do sofá da sala. Dormia tão tranqüilo que chegava a babar, uma cachoeira de baba. Hércules dormia e eu podia ver sua inspiração e expiração por conta dos movimentos da barriga branquinha. Moramos juntos faz um tempo já e como nos conhecemos é uma história muito engraçada.

Há alguns anos, era bem cedo e eu ainda andava de ônibus. Para ir ao escritório eu teria de pegar dois ônibus. Depois do primeiro, a segunda parada era quase em frente a um pet shop. Enquanto esperava meu transporte, pude reparar em uma grande gaiola com alguns filhotes de cachorro. Uns marrons e um branquinho.

Enquanto os outros estavam quietos, o branquinho esperneava bastante, latia e latia por vários minutos seguidos, e depois emendava num tipo de lamentação. Cansava, descansava um pouco e voltava para a mesma barulheira. Eu não pude pensar na maldade que é prender animais em gaiolas, ainda mais, filhotes. Lembrei do caso dos pássaros, com asas para voar o mundo todo e presos num curto espaço.

Alguém deveria fazer alguma coisa, aquela situação era inadequada. O rapaz da loja veio e tirou o branquinho um tempo, mas rapidamente o trouxe de volta, e o jovem canino voltou a fazer a barulheira. Como ele continuava a lutar por sua liberdade ou por algo que nem ele e nem eu saibamos o que seja, eu o batizei, de longe, de Hércules.

Meu ônibus passou, assim como os doze anos em que eu decidi levar Hércules para casa comigo. No começo, minha namora tinha ciúmes dele, mas hoje em dia, já como esposa, parece gostar mais dele do que eu. Meu filho é louco por ele, meio que cresceram juntos, assim como meus pais e irmãos e irmã gostam demais dele. É um xodó danado pela figura, que branquinho, com grandes orelhas e carinha de bobo conquista logo todo mundo.

Nós éramos dois filhotes, ele com alguns meses e eu com vinte e poucos anos. Hoje em dia somos dois adultos, ele já morreu de fazer filhotes por aí e eu fiz um com o amor da minha vida. Hoje eu estou pensando na partida dele, quase lá já. Por um ato de rebeldia, ele conseguiu a liberdade.

Sempre fiz questão de deixá-lo o mais solto possível. Acostumou-se com a liberdade. Ia embora e percorria boas distâncias perto de nossa casa, mas sempre voltava todo feliz. Agora, estou me preparando para vê-lo ir embora e ser livre para sempre...
=]

domingo, agosto 22, 2010

Verde

Antes de mais nada, eu gostaria de agradecer o carinho de todos vocês.
Muito obrigado, de coração.
Fazem um bem danado para mim.
E gostaria de agradecer a Simone Schuck pelo presente lá no cabeçalho, ficou lindão.

Agradeço vocês pelo carinho e paciência, aos mais velhos e aos mais novos aqui pelo blog.

E vamos em frente, tudo do bom e do melhor para todos nós.
Beijos e abraços!
=]

Verde

- O que aconteceu, companheiro? Viu passarinho verde?

- Verde não era as asas, mas os olhos...

- Como assim? Mas tu não tava era trabalhando, em reunião agora há pouco?

- E foi ali mesmo.

- E como foi isso?

- Eu estava na reunião da diretoria sobre o novo projeto de comunicação, a nova identidade visual da empresa, reforçando a marca e a relação dela com o nosso Estado. Então, ela apareceu. Tão branquinha, cabelos castanhos e uns olhos, minha nossa, que olhos verdes!

Tinha de apresentar os novos conceitos da marca e toda a apresentação foi feita com o maior profissionalismo possível. Olhava nos olhos de todos os diretores e me demorava um pouco mais nos dela. Foi apresentada como nova diretora de marketing, recém-chegada do Canadá, onde fez doutorado. Pois bem, quando ela foi fazer a apresentação dela, me olhou e meu corpo todo esquentou mesmo o ar-condicionado congelando até pensamento ali na sala.

Não sei se foi apenas coisa da minha imaginação, mas achei que ela havia me dado um olhar diferenciado, não sei. Ao fim da reunião, o diretor-geral perguntou o que eu achava da nova identidade, queria minha opinião como consumidor, e não como analista. Então, deixei meu coração falar.

“O que eu achei? Linda, lindíssima, não lembro de meus olhos terem avistado algo tão belo nesses trinta anos. Está gravada na minha cabeça e por anos hei de lembrar com ternura e alegria essa minha visão de hoje. Com certeza, e é com toda a certeza mesmo, eu daria tudo por mais um tempo admirando... Hoje eu me senti como um aventureiro, ao deparar com a visão de um paraíso perdido, proibido, pois uma visão como essa é de encher os olhos e o coração, é capaz de elevar o espírito. Como se eu estivesse, enfim, vendo fogo, depois de passar anos na mais densa nevasca, como se estivesse vendo a mais brilhante e aconchegante luz depois de anos na mais densa e fria trevas...”

O meu chefe ficou olhando para mim admirado, e disse: ‘nossa, se nossa nova identidade apaixonar assim todos os outros consumidores...’. Mal sabe ele que não estava falando de marca alguma...

- E ela, deu algum sinal?

- Ela não deu a mínima, fez cara de quem está vendo passar carros e mais carros no meio da rua ou de estar assistindo uma disputa de xadrez entre dois bêbados...

Nisso, ela veio em nosso encontro. Saudou meu amigo e falou com um ar bem sério:
- Gostei da maneira como defendeu a nossa nova marca, foi apaixonante. Gostaria de ter mais profissionais como você. O que acha de uma reunião rápida agora ali no bosque?

E, por conta do ar tão grave dela, feito um juiz informando graves crimes, eu senti que a reunião seria pesada, apesar do ar leve do nosso pequeno bosque, em frente ao restaurante. Até que ela sorriu, e disse num tom tranqüilo e sugestivo:

- E sim, não esqueça de levar com você toda esse sentimento, essa paixão...

- Fique tranqüila. Essa paixão eu levo para todo lugar e só ela faz aumentar...
=]

domingo, agosto 15, 2010

Três anos de viagens!!!

Opa,

Antes de mais nada eu gostaria de dar os parabéns para a Rafaela e para a Gabi.
De coração, felicidades para vocês, cês merecem.

O outro aniversariante da semana é o blog, que dia 13 completou três anos!

Eu gostaria de agradecer pelas palavras carinhosas recebidas e me desculpar pelas ausências, mas eu sempre volto.

Agradecer ao pessoal que vem aqui desde muito tempo, aos que raras vezes vem aqui, aos mais recentes e ao pessoal que tá chegando agora (que dizer, para o pessoal que tá vendo o blog pela primeira vez, se é que tem alguém hehehe).

Pra mim é sempre um prazer escrever e dividir minhas 'viagens' com vocês, de verdade.

Sempre bom ler as ideias e histórias, ver estilos diferentes do meu, invejar (positivamente) alguns escritos, e ir crescendo nesse processo todo.

Eu penso em um dia lançar um livro com algumas crônicas, aí eu pego o enderço dos amigos blogueiros e mando entregar no Brasil todim, Nordeste, Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte (caso tenha algum leitor mesmo em todas essas regiões hehehe).

Fico feliz pela presença de todos.

Espero continuar por muito tempo por aqui nessa troca de escritos e energias que tanto bem faz.

Espero que possam 'viajar' comigo por muito tempo ainda...

Obrigado por tudo,

Beijos e abraços

=]

domingo, agosto 08, 2010

Flechado

Fazia fria e ao mesmo tempo o sol esquentava minhas costas. Estranho? Pode ser, mas verdadeiro. Era uma terça-feira, por volta das 7h30 da manhã. Esperava o coletivo para ir ao trabalho, sem nenhuma expectativa, quando aconteceu. Fui flechado, pelo menos umas três vezes. Como pude ter sido um alvo tão fácil? Quantos outros não foram vítimas também? E eu estava tão bem olhando o vento fazer as folhas secas voarem em círculos formando uma interessante ciranda natural...

No primeiro momento em que ela me ganhou, nada fez. Apenas ficou parada, sentada em um dos bancos de cimento, assim como eu. O cabelo castanho sendo mexido pelo vento, os olhos um pouco puxados e a pele branca feito as nuvens em um sábado bonito. Olhei e no mesmo momento fui flechado, sem chance alguma de escapar.

A segunda flechada não demorou muito. Enquanto ela conversava com uma amiga, tal qual Dom Quixote eu Seu Pança, um simples gesto me fez querer conhecê-la mais do que apenas visualmente. Ajeitou uma mecha do cabelo, colocando-o por trás da orelha. Foi tão automático como abrir os olhos, mas teve uma delicadeza de ourives e um carinho de mãe ao acariciar o filho. Estava ficando perigoso permanecer olhando.

Infelizmente, eu gosto desse tipo de perigo. Se eu não puder mais me apaixonar e quebrar a cara, qual vai ser a graça de ter um coração? A terceira, e mais mortal flechada, me fez querer passar a vida inteira ao lado dela. Sorriu. E quando o fez, quase eu me derretia por inteiro. Tive de segurar meu coração bem forte para o danado não ir lá abraçá-la e beijá-la à força. Coração é isso mesmo, pura emoção.

Nosso transporte chega – nosso mesmo – ela também vai junto. Fica em pé um pouco distante de mim, mas enquanto passo por ela, posso sentir um delicioso e conhecido perfume, o da paixão. Depois disso, o dia acabou e só voltou a ter alguma graça na manhã seguinte. Lá estava ela, foi tudo muito rápido, não tive culpa alguma.

Subimos todos juntos e ela senta ao meu lado. Coisas do meu compadre, o Destino. Sempre tentando me ajudar e me atrapalhar e eu nunca entendendo, sempre confundo. Pois bem, ali ao meu lado, nada fiz para iniciar um contato. Não tive vontade. Havia passado, talvez tivesse sido até paixão mesmo ali na hora, ou, quem sabe, apenas delírio de um pobre escritor e seu coração vagabundo...
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domingo, agosto 01, 2010

Sábado bonito


Sábado amanheceu um dia tão bonito como há tempos não acontecia. Desde a sexta eu acho. Comecei a pensar, ainda meio confuso, nas milhares de opções a serem feita num belo dia como esse. Eu poderia ir visitar um amigo no Interior ou quem sabe uma amiga na beira da praia. Eu poderia alimentar os meus pássaros habitantes das ruas e árvores e donos dos céus.

Eu poderia ir ao fundo do mar buscar a pérola mais preciosa para presentear meu coração. Eu poderia subir aos céus e trazer um pouco das nuvens para costurar um travesseiros pra mim. Eu poderia ir ao passado procurar por momentos esquecidos e ficar no presente imaginando o futuro com um copo de suco na mão e um sonho na outra.

Então eu acordei de verdade e fui escovar os dentes e tomar o café da manhã. Em seguida, o cruel choque com a realidade. O meu guerreiro celular avisa-me: dentista às onze horas. Que crueldade! Como deixei fazerem isso comigo? O jeito foi ir, sem mais dramas.

Sem mais enrolar, saí de casa. O caminho inteiro pôde perceber a minha tristeza ao ir ao dentista. Parecia mais um condenado caminhando para a forca, um jogador indo para o banco de reservas ou um gato depois de um banho forçado.

No caminho, bem perto já, eu vi um sujeito tão forte, com a colada roupa parecendo rasgar a qualquer momento. Um Hércules etíope tão forte e assustador que parecia afundar o chão quando pisava. Ao seu lado, exalando beleza e graça, uma moça tão bela – ainda que bem forte – a fazer Afrodite e a rosas corarem de inveja ao verem tanto deslumbramento em forma de gente. Apesar do monstro ao seu lado inibindo a maioria dos olhares, alguns passantes arriscavam um olhar, tanto que o falso cego mal pode disfarçar uma olhadela, quase se entregando.

O sol brilhava intenso e os pássaros cantavam como se a última cantoria fosse, trânsito não havia e as pessoas estavam todas bem simpáticas. Nesse clima de tanta paz e amor eu decidi encarar o dentista sem medo algum. Á tinha decidido até a minha fala: “olhe, doutor, precisa nem de anestesia não, faz esse canal aí dos dois lados logo que eu preciso sair, o dia me chama lá fora”. Estava decidido.

Então eu entro no consultório e a simpática moça me informa com o sorriso maior do mundo: “Hoje, por conta de problemas técnicos, não teremos atendimento. Tem como o senhor ligar depois para marcar um outro dia?”.
=]

domingo, julho 25, 2010

Mulher casada

Ai, senhora, por que faz isso? Como pode fazer isso comigo? Não sabe que eu sou um fraco?

Não foi culpa minha, mais uma vez. Fui comprar o pão, despreocupadamente, como sempre o faço, e ela apareceu. Eu estava indo, ela estava voltando. Na mão direita segurava um saco de pão, e, com a mão esquerda, segurava a mão da pequena criança. O sol e as nuvens brincavam de aquarela no céu. Os pássaros livres brincavam de duelo musical. O fim de tarde dava o tom. Não pude evitar.

Senhora, que culpa eu tenho se meus olhos procuram os teus? Procuram teu corpo, tuas coxas, teu rosto. Por que se veste assim? Faz-me um favor, procura uma feia armadura de metal para impedir os meus olhares! Embora ela ainda não impeça meus pensamentos, já seria uma melhora considerável.

E ainda insistes em aparecer sempre no mesmo horário que eu, por quê? Qual a razão de tanta maldade? Se ao menos fosse divorciada ou viúva, mas não, não ouso pensar em situações negativas para a sua pessoa. Mas responda-me, eu tenho alguma parcela de culpa nessa história toda?

Não, não sou um tarado por mulheres com filhos ou por “coroas”, se bem que nem aparenta ser uma velha, aposto que menos de trinta anos tens. A tua beleza madura, a tua postura, o teu sorriso para a tua criança, tudo me atrai e não consigo deixar de ser atraído pelo conjunto da obra. Sofro. Como um beija-flor impedido de dar seus beijos e sugar precioso néctar... Sei que devo me contentar com tal amor platônico, mas meu coração, danado, não se contenta com tal situação.

Dia desses, fechei meus olhos e te encontrei. Fui rascunhar uns quadros e tu apareceu. Tentei versar e tu roubaste o lugar da Musa. Se eu te persigo em vida, por qual razão persegue-me em meu mundo à parte? Deixe-me quieto por lá e tentarei deixar-te quieta por aqui. Prometo tentar, sucesso em tal empreitada é uma outra história.

Eu sei, tu também não tens culpa, quem é que tem então? A natureza, claro, pois ela me fez homem e te fez mulher, uma encantadora e linda mulher, arrebatadora de corações. Sorte mesmo tem o teu marido. Muita. Não digo que tenho azar, pois só te ver já é sinal da mais pura sorte. Alegra o meu dia, embora não saiba.

Eu sigo minha sina então. Sofrer, pois se não sofresse agora, não saberia aproveitar o doce sabor da próxima conquista. Eu, conquistador de corações inocentes e não tão inocentes assim. A minha dúvida é: quando eu me casar, ficarão “abutres” e “gaviões” a olhar para a minha mulher? Por mulher casada não se pode ter desejo. Ficar olhando também não, contemplar, tudo bem, até pode. Não mais do que isso, ainda mais tratando-se da minha digníssima mulher...
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terça-feira, julho 20, 2010

"Você esqueceu"

Opa!
Desculpa o sumiço, espero voltar agora no fim de semana.
Saudades!
Depois explico tudo.
Beijos e abraços!

''Você esqueceu''
Do sorriso que faz sorrir
Do olhar que acolhe
Da voz que acalma
Do abraço que abraça (e protege)
Da mão que, se precisar, anda junta
Da constante 'boa vontade'
(Inda que por vezes seja até contra a sua)
Do jeito atrapalhado
Da simplicidade das coisas
(Inda que na prática não seja bem assim)
Do peito aberto
Do ouvido ali, sempre pronto pra ajudar
(Inda que por vezes seja melhor
o ouvir do que o aconselhar)
Do humor bobo, simpático e desajeitado
Das piadas
(Inda que por vezes mais ríamos da sua risada)
Olho e coração
Tão juntos no mesmo embalo!
Dos seus olhinhos fechados
Do seu coração de leão
É, sim, muito mais do que você ousa imaginar

Texto para um amigo mais que querido.
(ele tem 'Viagens Na Veia') - 26/06/10
Marina Cavalcante - A quem eu agradeço de alma e coração!
=]

quarta-feira, julho 07, 2010

Verdades e Mentiras

Do jeito que as coisas andam, estão me passando os valores errados. Quanto mais eu minto, mais eu me convenço do fato das pessoas preferirem as mentiras mesmo. Todo mundo diz querer saber a verdade, mas depois ficam desejando não ter escutado a verdade. E na maior parte das vezes mesmo eu deveria ter era continuado com a mentira.

Tempos atrás, no meu primeiro estágio, quando era encarregado de assistente de auxiliar júnior na empresa de um amigo do meu pai, aconteceu o seguinte acidente. A empresa ficava num shopping, bonita e tal, mas o sujeito era tão rico quanto mala, esnobe demais. Aguentava mesmo por conta do dinheirinho pra pagar o achocolatado das crianças (brincadeira, tudo pra mim mesmo).

Costumava me atrasar algumas vezes depois de ir ao banheiro. Ficava lá sentado, pensando na vida ou recontando os 37 azulejos brancos do chão e os 42 brancos da parede, e o tempo passava rápido demais. Duas vezes ele reclamou e eu tive que mentir. “Chefe, eu fui ao banheiro e quase não conseguia mais voltar, ia me perdendo nos labirintos desse banheiro gigante do shopping, sorte os azulejos no chão indicarem a saída, só aprendi agora”, e ele ria e me dispensava.

Da outra vez foi assim: “Chefe, quase acontece um acidente, eu ia passando e escutei um barulho, acredita que eu tava esse tempo todo segurando uma coluna para evitar que o prédio desmoronasse? Sorte a Guarda Civil e os bombeiros estarem passando na hora”, e ele fez a mesma coisa.

No dia que eu disse que demorei por estar contando os azulejos, ele “convidou-me a sair da empresa”, foi um cara legal.

Da outra vez, eu comecei a demorar a chegar em casa por conta de umas reuniões no trabalho para decidir novos rumos e parceiros para nossa empresa. Na primeira noite eu disse ter me atrasado por ter saído para curtir a vida loucamente, e minha mulher nada disse. Na segunda noite eu disse ter assaltado um banco, atropelado um bêbado e torrado tudo em bebida e mulheres, e ela nem moral pra mim.

Na noite que eu disse que foi por conta de uma reunião... “Reunião? Tá achando que eu sou louca? Burra? Aposto que tu tava com essas sirigaitas do meio da rua! Aposto ainda mais que tu tava com aquela secretária loura-esponja de cara de cavalo!”... A pobre da polivalente secretária foi amaldiçoada até a quinta geração e eu passei duas semanas dormindo no sofá por ter dito a verdade....
=]

sábado, julho 03, 2010

Conversa sem futuro


- O que tu acha do beijo?

- Como assim, o que eu acho do teu beijo?

- Mas que idéia é essa? Que meu beijo que nada!

- E do que é que tu tá falando mesmo? Explica direito...

- Sobre o beijo, tu acha que a pessoa nasce sabendo beijar já?

- Bem, ninguém nasce sabendo fazer tudo, deve ter coisa do instito e outras a pessoa vai aprendendo.

- Tem gente que sabe beijar e outras não?

- Bem, tem pessoas péssimas beijadoras mesmo, mordem demais, babam demais, a boca não encaixa, a língua faz umas coisas estranhas e em outras vezes parece morta...

- Eu acho o ato de beijar bem uma questão de treino. Tudo bem, algumas vezes o beijo encaixa mesmo, perfeito, coisa de química mesmo, mas em tantas outras o casal precisa treinar mesmo pro beijo ficar bom.

- Tu já beijou uma pessoa pensando em outra?

- Infelizmente, sim, já fiz isso. É uma fraqueza consigo e uma covardia com a outra pessoa. O beijo é o momento de não pensar em nada, é concentração, naturalidade e prazer ao mesmo tempo. É união espiritual e carnal. E, bem, dependendo do beijo as pessoas vão pensando em outras coisas, mas isso aí já é um outro assunto...

- E tu já beijou mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

- Bem, uma vez, faz muito tempo, anos loucos, beijei duas amigas ao mesmo tempo, mas faz anos isso já, tempos loucos...

- Engraçado, beijo é algo natural? Os animais também beijam? Ou é uma invenção do homem?

- Boa pergunta, um dia eu pesquiso sobre isso ainda. Hoje eu não faço a mínima idéia....

- E o beijo pra ti é algo simples, normal, ou tem um valor especial?

- E essa entrevista agora? Bem, eu, pelo menos, não saio beijando qualquer pessoa, pra mim não funciona assim não...

- Eu acho tão normal beijar, acho a pessoa bonita, rola uma conversa boa, pronto, rola um beijo sem problemas. Só não dá certo beijar mais de uma pessoa por noite.

- Como é um beijo bom pra ti? Tu já beijou uma pessoa e depois percebeu que o beijo dela parece com o de outra pessoa? Ou tem o mesmo “estilo”, sei lá...

- Um beijo bom pra mim? Nem sei, é quando ele encaixa, acho eu. Não sei dizer. Algumas pessoas beijam de fomra parecida mesmo, não sei explicar. Tem o lance do cheiro ainda, do perfume, são vários fatores envolvidos.

- Bom mesmo é quando rola química, né? Aquele beijo apaixonado também... Ô rapaz, bons tempos, bons tempos...

- Não tem tido esses beijos ultimamente?

- Eu tô numa época bem tranquila. Ande encontrando as pessoas certas e me envolvendo com as erradas. Acertei muitas vezes e erreis algumas vezes recentemente, mas tudo sem arrependimento. Saudades de alguns beijos, mas hoje estou numa fase bem tranquila, sem muitos agitos, e beijos.

- Tu já beijou alguém com piercing?

- Já, foi antes de colocar o meu.

- Eu nunca beijei alguém com piercing, sabia? E com aparelho, já beijou?

- Acredita que não? Eu fico imaginando como deve ser, se atrapalha, arranha, machuca ou algo do tipo.

- Eu uso aparelho, sabia? Que tu acha?

- O que eu acho? Como assim?

- Oura Fabinho, de eu te dar um beijo!

- Para com isso, maxo! Com todo o respeito Rubão, mas eu sou hétero cara, eu sempre te digo pra parar com essas conversas...

=]

sexta-feira, junho 25, 2010

Humildade

- Você é míope, usa óculos, está com várias espinhas e cravos. Você é relaxado, com o cabelo, com as roupas e com a vida. Você enrola faz quase um ano um projeto de mestrado. Você não consegue ir uma semana inteira para a academia, fica inventando desculpas e mais desculpas. Não sabe tanto de História quanto imagina saber, nem a do Mundo, do Brasil, do Ceará ou do Jornalismo. Sabe algumas datas e nomes e já parece saber muita coisa, assim como acontece na Literatura.

Você comete alguns erros básicos escrevendo. Não sabe as regras da velha ortografia e mal leu as regras da nova. Tem um monte de textos inacabados dizendo ser por falta de inspiração, mas é por preguiça mesmo. Anda liso, sem um tostão no bolso e ainda fica adiando certos assuntos trabalhísticos. Não consegue planejar bem, sempre acontece um imprevisto. Deixa o celular no silencioso e até hoje não consegue explicar isso.

Você está adiando uma consulta ao médico, com medo de não se sabe o quê, pois não fez nada de errado. Você constuma mentir para não magoar as pessoas, embora elas digam que é melhor saber a verdade e você saiba que isso é mentira, de algumas pessoas. Você anda relaxando com a única coisa que tem de fazer, o curso de italiano.

Você não consegue passar muito tempo com uma pessoa, sempre acontece alguma coisa, culpa sua ou não, e estraga tudo. Você não conseguiu aprender nada com os relacionamentos anteriores. Você tem vários amores ao mesmo tempo e sabe que isso é errado, no Brasil. Você precisa cuidar melhor da sua saúde. Tem o tornozelo esquerdo ruim e o joelho direito mais ou menos, além de vez por outra ficar com dor nas costas.

Você costuma ser gentil com todos, mas ultimamente anda sem paciência com algumas pessoas, embora muitos ainda mereçam sua paciência. Você poderia ser mais proativo, ler mais, estudar mais, produzir mais. Você deveria ligar e visitar as pessoas, deixar de ficar só nas promessas.

Você é cheio de complicações e defeitos, embora poucos o conheçam bem. Costuma mentir para as pessoas que dizem: “eu te conheço”, porque sabe que o que ela estão dizendo nem sempre é a verdade, mas mesmo assim concorda para evitar prolongar o assunto. Você é desonesto, com as pessoas e consigo mesmo.

- Obrigado, consciência. Estava precisando disso...
=]

sábado, junho 19, 2010

Assombração do amor

- Assombração do amor?

- Isso, e nem era pela minha pouca beleza não. As meninas diziam ser por conta de eu sempre voltar a aparecer. Sumia e aparecia de novo. Ajudei minha tia e minhas primas vendendo alguns produtos de cidade em cidade pelo Interior. Passava algumas horas em um lugar e já dava a sorte de encontrar alguma garota, digamos, disposta a conversar bem. Aí... Depois daí eu voltava pra casa e ia para outros lugares, mas sempre voltando com novos produtos para velhos e novos amores. Percorri esse Interior todo, vi cada coisa bonita, escutei cada história, me meti em cada uma. Pois não te conto que um desses loucos queria, digamos, direi, bem, queria me deixar com problemas urinários e sexuais.

- Como é cara?

- Queria me capar!

- Ah, mas só podia dar nisso mesmo, muita mulher só deve dar problema, por isso te digo sempre pra se aquietar. Pensei que esse tempo longe teria te feito bem, mas parece que voltou foi pior.

- Mas que nada! Sou um outro homem, totalmente comportado. Bem, mais ou menos comportado. A culpa não é sempre minha. Muitas vezes estou quieto no meu canto e aí pessoal vem mexer...

- Sempre inocente, não é mesmo?

- Sempre...

- E os teus bons contatos por aqui, o que aconteceu?

- Estou dizendo, não tentei contato com ninguém. Mas quando ligavam eu não podia era desligar, não é mesmo?

- Imagine se não tivesse tentado se aquietar...

- Eu tentei me regenerar, de verdade, mas todas essas moças, cada uma com um jeito todo especial, precisando de carinho, atenção, de um romance passageiro... Como posso negar? Ainda mais, os homens de lá não sabem valorizar o que tem! Quem ama, cuida. Tinha sujeito lá que só lembrava de dar atenção pra namorada quando ela começava a sorrir demais pra mim...

- E essa história de carinho, atenção e de um romance, elas te disseram isso?

- Não, foi minha intuição que me disse...

- Ah, assim tu não ajuda muito não...

- Mas, Arthurzinho, mudando de assunto, mais ou menos, como tá Alice?

- Tá bem, namorando firme e forte, passou um mês meio ruim, mas melhorou. Pelas poucas conversas que tive com ela, tá bem.

- Graças a Deus! O que eu mais quero é vê-la feliz. Não deu certo continuar comigo, então, torço para que algum felizardo a faça muito feliz. Ainda bem, ainda bem que tá tudo bem. Foi a minha época mais calma aquela, valeu a pena. Bons tempos... Depois voltei praquela vida de antes e agora vamos indo...

- Soube que a prima do Rio tá morando aqui com ela agora? É uma beleza de menina, super gente boa e muito linda. O pessoal da rua já tentou de tudo, mas nada ainda, ela não dá mole para ninguém.

- Hum, conheci já...

- Como? Mas, tu não chegou agora pela manhã?

- E foi. Assim que cheguei, pensei em passar pela casa da Alice, no meio do caminho encontrei com essa prima dela, Lara, levando as comprar para casa. Para provar que estou regenerado, conversei sem segundas intenções, não tentei nada. Além do mais, com a prima dela, seria meio estranho...

- Muito bem, está de parabéns, parece estar mesmo regenerado.

- Negócio que ela foi tão simpática comigo, tão gente boa. Eu disse que esse tempo todo no Interior, o que mais sentia falta, em termos de lugares, era da praia e do cinema. Então, combinamos um cinema sem compromisso, sabe como é né?

- Ah, Cafas, mas assim tu não ajuda muito não...
=]

domingo, junho 06, 2010

Promessa

Ei, moça de sorriso bonito, de cabelo mais lindo de todos, de charme sem igual e perfume melhor do mundo (o natural): eu te aviso, melhor, eu tenho um pedido a te fazer. Antes de tu terminar com teu atual flerte, paquera ou seja lá o que ele for, e voltar para o teu ex-eterno-namorado, eu vou te dar um beijo e não vai ser só mais um. Só de pensar eu já estou com água na boca...

Vou te prender de tal jeito que tu não vai querer fugir, não falarás e não pensarás em nada, antes, durante e depois, vai ficar sem ar e sem chão, vai querer mais. Tu vai fechar os olhos e abrir as asas, vai querer voar, vai ficar mais leve que o ar.

Vou te enlaçar como se estivéssemos a dançar de modo suave. Meu braço há de percorrer tua cintura e encontrar o lugar ideal, a forma de o teu corpo colar ao meu. Meus olhos não desgrudarão dos teus, embora eles possam brilhar de forma a quase te cegar. Meu sorriso há de ser o mais largo já visto, o mais bonito por refletir o teu.

Meu outro braço irá subindo até achar o teu pescoço, chegando lá, minha mão fará uma leve pressão, carinhosa. Antes do encontro dos lábios, sussurrarei em teus ouvidos promessas de uma vida cheia de aventuras, de noites quentes em dia frios, de amor intenso e passageiro a cada hora, de ternura e carinho por toda a caminhada até a morte e de que tudo vai dar sempre certo para nós dois.

Diferente de mim, tu é mesmo um anjo, combinando com o nome. Mas nem por eu ser um simples mortal deixará de me conceder um beijo, dádiva suprema. Te beijarei, como se tivesse passado quarenta dias no deserto e tua boca fosse água, como se tivesse jejuado quarenta noites e tua boca fosse meu alimento, como se tivesse pela primeira vez na vida fazendo o que eu realmente queria. Te beijarei como seu fosse meu último beijo em vida, como se todos os outros depois fossem apenas lembranças sem cor. Te beijarei com a alegria de um preso ao encontrar a liberdade. Minha alegria será de um pássaro a voar pela primeira vez, a de um astronauta a pisar na lua e a de um poeta ao finalizar belos versos a te homenagear.

Te beijarei. E seu eu me exaltei assim só de pensar no teu beijo, imagine quando o momento chegar. Desculpa ser tão direto, mas é porque agora eu sou somente desejo.

Te beijarei.

=]

terça-feira, junho 01, 2010

Conversa ao telefone...

- Alô, bom dia.

- Alô, é o senhor Gabriel?

- Gabriel? Sim, é ele mesmo! Com quem eu falo?

- Aqui é Evergleide do clube de vantagens do MuitoBomCard. Por conta do seu bom relacionamento com o comércio da sua cidade, o senhor foi escolhido para fazer parte do nosso seleto clube. Saiba que toda a nossa conversa está sendo gravada para segurança mútua. Senhor Gabriel, o senhor é casado?

- Demais! Sou muito feliz e tenho um filho lindão e muito esperto, garoto de futuro ele, vai longe. Com uma criatividade.

- Ótimo, nós ficamos muito feliz com isso tudo.

- Sério, poxa, obrigado. Você é casada Evergleide?

- Bem, sou solteira, mas sozinha eu não sou. Mas escute, o senhor exerce atividade remunerada?

- Muito bem remunerada. Estou com o imposto em dia e sempre investindo para que meus negócios prosperem. A propaganda é a alma do negócio sabia? Sempre escutei falarem isso e vi que é verdade. Escute, Gleide, você acredita que meu negócio começou tímido e hoje já tenho uma ótima renda mensal. Você também pode, é só acreditar e se empenhar com todas as forças. Você pode, basta querer.

- Obrigado, senhor. Prometo lembrar desses conselhos. E qual a atividade mesmo?
- Digamos que eu faço parte da indústria do entretenimento.

- O senhor é um industrial?

- Não é bem assim...

- E qual o seu cargo.

- Digamos que eu sou o meu chefe, sou o próprio patrão.

- E qual é mesmo a sua profissão senhor?

- Sou michê.

- ...

- Alô, tá por aí ainda?

- Desculpe senhor, pode repetir?

- Michê.

- O senhor quis dizer maitrê?

- Não, não. Michê mesmo. Anota aí: ême, í, xis, ê. Michê.

- Mas isso não é profissão!

- E quem disse que não? Eu não tiro meu sustento daqui e o da minha família? Não é
um trabalho honesto? Não pago imposto? Então...

- E a sua mulher não diz nada?

- Bem, ela era contra no começo, mas viu que era o melhor para todos nós. Com as outras é puramente profissional.

- Mas senhor...

- E eu sou honesto sim, pode confiar. Algumas mulheres me enganam, pois meu serviço é apenas para solteiras. No entanto, posso ver foto de outros homens pela casa e bem, já estou por lá mesmo, então...

- Mas senhor...

- E posso garantir um serviço bem feito. Se reclamar eu ainda devolvo o seu dinheiro, Como você tem meu número por aí e eu já te conheço, sei que é honesta e trabalhadora. Precisando, pode entrar em contato.

- Então o senhor não tem carteira assinada?

- E isso realmente importa?

- Importa muitíssimo, muito obrigada pela atenção. Até uma outra oportunidade.

- Não se encabule na hora de ligar, hein? Eu prometo guardar segredo...

- ...

Então, uma voz vem da cozinha.

- Ô Júnior! Vem logo almoçar ou tu vai se atrasar para a escola. Quem era no telefone?

- Era para o papai, mas não deixaram recado.

=]

sexta-feira, maio 28, 2010

Discussão

Eu queria agradecer mais uma vez pelas palavras carinhosas.
Tudo do bom e do melhor para todos nós.
Espera que alguém tenha paciência de ler este de agora.
Acho que eu me empolguei um pouco e não soube a hora de parar.
Acho que ficou grande demais...
Mas, espero que gostem, que viajem juntos...
Beijos e abraços!
=]

Ah, mulher, por que tu choras?
Se foi tu mesmo quem disse:
“Faz as trouxas e vai embora!”

Ainda mais com essa agora
O que tu achas que eu sou
Pra me ter a qualquer hora?

Ê, mulher, diz agora o que tu tem
Se foi tu mesmo quem disse:
“Não sou tua e de ninguém!”

Então, mulher, por que voltou?
Não foi tu mesma quem disse
“Nosso belo romance acabou!”

Ei, mulher, foi bonita tua atitude
Nem me enrolou muito
Deu-me logo um belo chute!

E agora, o que mais tu quer?
[Quer mesmo saber?
Escuta e me entende, se puder

Tu não sabe de verdade
Ou será que não entende?
Isso é coisa da idade
Ou será mesmo um demente?

Lembra o tanto que eu sofria
Com tuas amigas idiotas
Ainda queria minha alegria
E que estivesse sempre disposta

E tuas desculpas esfarrapadas
Pra besteiras sem tamanho
Tu fez tanta da burrada
Por vezes parecia um estranho...

Sabia do meu ciúme contigo
E parecia nem ligar
Mas aquele meu pobre amigo
Tu parecia querer matar

Olha, eu nunca te entendi
Tu é paradoxo, complexo
Era romântico, cheio de versos
E um selvagem no...

Ainda tinha o futebol
E a cerveja com os amigos
Tu não tem ‘semancol”
O centro do mundo é teu umbigo!]

E uma hora dessas tu aparece?
Já sei, a culpa é de Deus
Que não escutou as minhas preces!

Eu era tão monstro assim?
E então foi culpa minha
Nosso amor ter tido um fim?

[Eu não disse que acabou
Mas assim tu entendeu
Inexplicavelmente
Esse sentimento permaneceu]

Mas tu só pode ser louca!
Veio zombar da minha cara?
E achar a minha desgraça pouca?

Nesse tempo, eu me perdi
Foi uma tristeza para mim
Me larguei, prostituí

Entregava-me aos fáceis amores
Querendo provar a todas
Os perfumes, os sabores...

Se eu falo sem constrangimento
É para que tu entenda
Que já passou esse momento

Mas se permaneceu tal sentimento
Me pergunto: ele não deveria ter superado
Todos os nossos desentendimentos!

Eu sempre fui louco por ti
E tentei esse tempo todo
Meu defeitos corrigir

[Me desculpe, meu amor
Mas não posso acreditar
Só darei uma chance
Se me levar para o altar!]

Pois então fica assim mesmo
Comigo tu só quer casar
Para me pôr no teu cabresto!

[Tudo bem, meu querido
Não vamos mais discutir
Cada um vai pro seu lado
Mas uma chance eu daria para ti]

Então é assim que funciona?
Tu querendo, nós voltamos?
Desde quando é tão mandona?

[Meu anjinho, sem suspense
Dê-me uma chance, te dou outra
Mas espero que não pense
Que estou agindo feito louca]

Eu gostei, parece-me justo
Já até deixei de ser
Um largado e prostituto!

Pois então está tudo certo
Mas se vinher com besteira de novo
Eu te mando pro inferno!

[Eu te digo a mesma coisa
Que tu pare com teus chistes
Senão a tua testa
Vai explodir de tanto chifre!]

Meu benzinho, estou brincando
Vamos logo para casa
Quero passar o dia te amando

Na nossa engraçada história
Essa briga foi somente um tropeço
Vamos fazer do fim, um bonito recomeço!
=]

domingo, maio 23, 2010

Paraíso

- Opa, com licença, o senhor tem um minutinho para uma pesquisa?
- Olha, se for um minutinho mesmo, eu tenho.
- O senhor acredita em vida após a morte?
- Como é?
- Em vida após a morte, o senhor acredita?
- Olha, nunca parei para pensar sobre isso não.
- Sério? E o que diz a tua religião?
- Bem, eu não concordo com tudo que ela diz. Além disso, passar a vida pensando com como vai ser a morte ou o que vem depois dela, me parece um desperdício dessa nossa oportunidade por aqui. Até onde eu sei, tenho uma vida e pretendo honrá-la vivendo.
- E no paraíso? O senhor acredita?
- O paraíso agora é a minha cama quentinha. Um abraço!

Depois desse breve diálogo no meio da rua, comecei a pensar meio que de brincadeira sobre o paraíso e depois a atividade tornou-se um divertido exercício de imaginação. Como eu sou pouco criativo eu tive um pouco de dificuldade, embora tivesse me divertido bastante. Se eu pudesse escolher como deve ser por lá, ele seria mais ou menos assim: primeiro de tudo, estaria com minha família, meus amigos, meus amores, tudo misturado e sem ter confusão.

Deveria ser grande o bastante pra caber todo mundo confortavelmente, com espaço para aqueles momentos em que todos precisam ficar um pouco só. Seria grande, mas com uma enorme facilidade para encontros entre todos. Com um pessoal desses até ônibus lotado no meio-dia é um paraíso. Bem, dizem que eu costumo ser um pouco exagerado. Vai entender...

Depois das companhias, o ambiente. Deveria ter uma praia bem legal, com espaço pro surf, frescobol, futebol, vôlei, caminhadas, corridas e tudo o que mais for possível fazer e não fazer por lá. Com uns coqueiros espalhados por lá também. Teria sombra e água fresca.

Deveria também ter um espaço pro sertão. Uma mistura de África com Brasil, com açude, rios, lagoas e todo tipo de árvore e bicho. E teria um daqueles espaços dos quais não me recordo o nome, mas que servem para fazer rapadura. Além de uma área grande pros bichos todos, leões, elefantes, rinocerontes, bodes, cabras e galinhas, nos incluindo por aí.

E também não poderia faltar uma serra, sendo que uma serrinha tava valendo já. Com trilhas e cachoeiras e aquele friozinho gostoso propício aos amantes de todas as idades. Se nevasse um pouquinho seria maravilhoso. E não poderia ser muito longe do sertão e nem da praia. Porque distância das pessoas querida no paraíso não dá certo não.

No entanto, apesar de tanta beleza, eu não tenho tanta pressa de conhecer o paraíso. Ainda tenho muita coisa pra fazer por aqui. Meu objetivo por enquanto é fazer o paraíso aqui mesmo, tornando a vida dos outros bem melhor. Eu faço o que eu posso, seja escrevendo, ajudando escutando os problemas, com meus conselhos clichês, falando besteira... Do jeito que eu puder ajudar, eu ajudo. Não, apesar do nome, eu não sou um anjo na terra. Eu sou só mais um ser humano comum. Não faço nada esperando recompensas, faço o que acho melhor, o que ás vezes pode nem ser o certo.

Deixando de lado essas divagações existenciais, aviso logo que eu não tenho uma idéia certa mesmo de como deve ser o paraíso. Não tenho fortes contatos a me confirmar o que foi dito. Tudo ali na parte de cima é apenas mera especulação, coisas da minha imaginação. Só de uma coisa eu tenho certeza: posso não saber onde é e como é o paraíso, mas eu tenho uma grande certeza de que lá tem um lugar pra eu armar a minha rede...
=]

domingo, maio 16, 2010

Aprende com a chuva...

De volta.
E muito feliz com as palavras carinhosas que me deixaram por aqui.
Muitíssimo obrigado mesmo.
Sempre uma alegria e um prazer enorme estar com vocês, nesse nosso mundo virtual e que me faz tão bem.
A correria não parou ainda, mas não podia deixar de aparecer por aqui.
Até o próximo.
Beijos e abraços!
=]

Salomão colocava a blusa quando ela chegou. “Vai mesmo agora? Tá um tempo estranho, pode ser que comece a chover...”. E ele nem disse nada, ficou com uma cara de besta olhando para ela até dizer: “Olha, eu vou só comprar o pão e jornal no outro quarteirão. É coisa rápida, em menos de dez minutos eu volto. Ele está no carro já?”. Davi esperava no carro, olhando para o céu e para as árvores do quintal, mais consciente do que muitos de nós.

“Não vai correr, ouviu? Sabe que eu não gosto e não faz bem pra ele”. E ele respondeu: “Pode deixar, meu amor, vai ser bem tranqüilo”, enquanto pensava: “não faz bem é pra você, que fica preocupada, ele adora”. E foi embora empurrando o carrinho com o projeto de homem dentro.

Tudo correu tranqüilo. Comprou o pão, o jornal, jogou uma conversa fora, as pessoas deram mais atenção ao sujeito dentro do carrinho do que pra ele, contudo, ele nem esquentou. “É normal mesmo, agora ninguém quer saber de mim, tudo bem”. Foi caminhando, empurrando o veículo, tendo cuidado com os buracos, mas doido pra correr um pouco com ele. “Quem não gosta de um pouco de velocidade e o vento batendo na cara e mexendo com os cabelos? Ele não movimenta muito os meus, no entanto, eu gosto do vento na cara”.

Súbito, começa a chover. “Bem, eu não queria, mas vou ter que correr”, e começou a correr imitando um carro de fórmula um com a boca e escutando risos do pequeno ocupante, a se divertir com a situação toda. Encontram abrigo debaixo de um toldo de um restaurante que não abre aos domingos. Ficariam esperando a chuva passar. Enquanto isso, ia conversando com o jovem caronista, pouco preocupado se ele entendia ou não, mas explicando com a sua sabedoria da vida, que não se aprende na escola, faculdade, cursinho, MBa, correspondência, online ou coisa do gênero, mas unicamente vivendo.

“Olha cara, tá vendo a chuva? Tem coisa melhor que uma chuvinha dessa? Seria perfeito se estivéssemos em casa, ouvindo ela bater no vidro, deitados bem agasalhados ou fazendo aquela bagunça que eu sei que tu gosta. Presta atenção nessa mensagem bonita da chuva: na metáfora da transformação e renascimento. Ela cai e torna a subir num processo que eu não lembro o nome, mas que um dia tu aprende. Leva isso pra vida, tu pode até cair, mas não deve nunca deixar de tornar a subir. Não deve deixar jamais as dificuldades te barrarem, supera todas. Tu tem nome de rei, mas deve ser sempre humilde e obstinado como o mais pobre dos homens em termos financeiros. Tu deve ser o mais rico de espírito e dividir essa riqueza com os demais.” Fez um silêncio e pensou: “Poxa, mandei bem nessa”

“E tem outra coisa, tu vai aprender ainda o quanto um banho de chuva pode ser bom, tua mãe vai morrer de dizer que é perigoso, sendo que antes nós tomamos vários e vários banhos de chuva, mas sem entrar em detalhes agora. Somos dois loucos por chuva e ela fica se reprimindo, isso não se faz. Tudo bem, alguns adultos têm a mania de esquecerem tudo que fizeram quando novos. Eu sou contra essa hipocrisia, vou te avisar, tu vai fazer se quiser, pra aprender a quebrar a cara que nem nós quebramos muitas vezes. Quero tua felicidade, mas tu precisa aprender muita coisa, assim como eu estou sempre aprendendo. Nosso aprendizado nunca chega ao fim”.


Deu um sorriso maroto e continou a falar: “Trata a chuva como a tua professora da oitava série, que tu respeita e ao mesmo tempo quer estar dando uns amassos. Nem muito respeito e nem pouca vergonha. Quer dizer, uma coisa assim, tu vai entender ainda, mas não diz isso pra tua mãe, fica entre nós isso. Depois eu te digo mais coisas sobre as mulheres, entender não tem como, mas dá pra aprender o suficiente pra não ficar muito louco com elas, já que por elas não tem como mesmo”.

A chuva parou e voltaram pra casa. E lá vinha ela toda preocupada. “Ele não pegou chuva, não é? Tu não correu com ele, né?” Por qual razão demoraram tanto assim? Aconteceu alguma coisa?”. E ele disse calmamente. “Calma, mulher da minha vida. Não aconteceu nada, compramos tudo e nos abrigamos antes de começar a chover. Foi tudo bem, amore mio”.

E ela com o jovenzinho nos braços, ele a rir e a abrir os braços como quem quer voar e ela olhando desconfiada, conhecia a lábia do marido, embora soubesse que ele não faria ou esconderia nada de ruim. Convenceu-se de que tudo foi bom, mas não pôde deixar de perguntar: “Se foi tudo bem mesmo, qual a razão desse sorriso besta?”

“Oura, amor, tem coisa mais bonita e multiplicadora de sorrisos do que a vida?”
=]

domingo, maio 09, 2010

A vida

Voltei mais cedo.
Antes de mais nada, um feliz Dia das Mães para todas as mães. Elas merecem.
Mãe no sentido mais completo da palavra, a pessoa que dá amor, que cria, não só a mãe biológica.

E dia 07 passou já né? Mas tudo bem, desculpa o atraso. Dia 07 foi o aniversário do grande parceiro Yslan. Parabéns cara, tudo do bom e do melhor pra ti. Tu mora no coração, precisando, estamos por aqui.

Até o próximo, que, pelo visto, vai demorar mais de uma semana.
Beijos e abraços!
=]

Estava eu indo deixar o lixo, despreocupado, pensando na vida, com uma mão esquerda segurando um saco e com o dedo indicador direito limpando o nariz. Olhando pro chão, mas com a cabeça no mundo da lua, e, pensando nela, comecei a pensar na vida. Na minha passagem por ela, nos meus amigos e amores, até no blog eu pensei....

Pensei, depois de tanto tempo, em mim. Eu não sou muito culto e nem tão desligado, não sei de muita coisa e estou sempre aprendendo com as mais diversas pessoas. Faço o que gosto e estou sempre muito bem acompanhado, ainda que sozinho. Por diversão e prazer e não necessariamente nessa ordem, jogo meu futebol, vou para a praia, cinema, fico muito tempo com família, amigos e amores, e, escrevo, sobre isso tudo ou sobre nada disso. Não controlo.

Se um dia eu ficar famoso por conta dos meus escritos, cair em questões de prova ou algo assim que atestam o nosso grau de fama, serei polêmico. Os meus defeitos, tenho certeza, serão qualidades. “Olha como ele coloca títulos simples, é um gênio!”. Nada disso, é um burro – brincadeira -, mas nunca fui muito bom com títulos, são sempre o mais simples possível.

“A intenção do autor nesse texto era dizer...”. Bem, ninguém pode acertar uma questão assim, de verdade. Como sabem as minhas intenções? Se nem mesmo eu as conheço, pode um desconhecido sabê-las? A minha intenção pode ter sido traída pela minha sub-intenção (existe isso?). Tenho certeza que erraria uma dessas questões facilmente.

Não gostaria de ser classificado. Basta escritor e pronto, nada de cronista, poeta, contista ou repentista. Escritor já basta. Geração? Escola? Como assim geração e escola? Eu não sei de nada disso, de fazer parte de escola alguma e geração menos ainda. Podem colocar assim: geração, atual; escola, da vida. Nem mais, nem menos.

Estilo? Como assim estilo? Nem meu estilo de roupas eu defino, imagine de texto. Eu sou senhor de meu texto, inocentemente pensando. Eu apenas vou escrevendo. Não sei se existe mesmo um estilo que seja só meu. E se disserem que eu copio alguém? Eu nego, eu apenas vou escrevendo, já disse. Se me acusarem de ter um estilo, peço desculpas, não é intencional. Eu nem tento copiar os outros e muito menos me copiar, é apenas criação livre.

E pensando na vida, derrotas e vitórias, amigos e amores, nas mais diversas aventuras, alguns versos brotaram. Eu vinha aqui só colocar os versos, mas achei melhor contextualizar de onde surgiram. Caso não estejam bons, desculpem, mas não dá pra acertar sempre...

De derrotas e de vitórias
Nós vamos vivendo
A cada grito, a cada gesto
Viva sempre o momento!

Se for pra chorar
Se for pra sorrir
Se for pra amar
Se for pra fugir

Chore
Sorria
Ame
Fuja
Viva!

Não leve uma vida mais ou menos
Entregue-se com alma
Sinta todos os sentimentos
Sinta o fio da navalha

Erros e acertos
Uns dias repetidos
E pra cada situação
Faça um esforço desmedido

A vida tem um sentido
Pra cada pouco desejado
Não pode pensar em perigo
Tem que correr o risco

A vida é muito dinâmica
Jamais estática
Tem tanto choro
E tanto riso
Aventura fantástica
Teatro do improviso
=]

domingo, maio 02, 2010

Semente


E então pessoal, tudo tranquilo?
Por aqui, tudo indo bem.
Talvez eu passe umas duas semanas meio sumido, mas eu volto.
Sempre um prazer ter vocês por aqui.
Até depois.
Beijos e abraços!
=]

- Caramba, eu nem acreditei quando vieram me contar...
- Como assim? E o tanto que eu te avisei? E o tanto que eu te dizia?
- Mas é porque...
- É assim mesmo, a gente avisa, aconselha, mas alguém escuta? Escuta nada...
- Tudo bem, desculpa, mas é porque eu não imaginava que fosse tão assim mesmo de verdade...
- E por qual razão não acreditou em mim mesmo?
- Sei lá, eu pensei que era só ciúmes mesmo, eu acreditava, mas não via tanto perigo assim não...
- E desde quando eu tenho ciúmes de ti? Tá louco? Tava só avisando mesmo, afinal, quem avisa amiga é, não é?
- Verdade, isso é verdade.
- Eu tinha te avisado que ela tinha essa mania, que era pra tu ter cuidado, bem, não vou ficar mais repetindo, essa história que tu ouviu confirma tudo que eu tinha dito antes...
- Foi mesmo, e pensar que ela tá marcada pra apanhar em um bairro no qual eu pensava que ela nem freqüentava, ainda mais pela namorada do primo de um amigo meu... Eita, história enrolada...
- Ela é assim mesmo, tocando o terror em todos os bairros, atacando os namorados e homens alheios! É uma devoradora de homens!
- Eita, mas tu gosta de um exagero, hein?
- Mas não é não? Tô mentindo?
- Bem, verdade, tem sua verdade aí. E agora, como vai ser?
- Como assim?
- Ela não é tua amiga?
- Minha amiga mesmo não, ela é muito amiga de uma amiga minha, mas minha mesmo é que não é!
- Mas vocês não estão sempre juntas?
- Bom, eu não posso chegar e dizer pra ela não ficar mais perto, não posso.
- Hum... Não era melhor tu avisar tuas amigas não?
- Eu? Tá louco? Passar por fofoqueira? Jamais!
- Mas ela andando com vocês pode acontecer alguma coisa... Bem, só avisar por cima de ficarem com olhos bem abertos, não vacilarem com os pretendentes...
- Como assim?
- Avisar pra outras, sei lá, acho melhor mesmo, de verdade. Embora fique um clima ruim, pode ser bom para o grupo todo, saber como cada uma é quando o assunto é ‘homens’, umas “respeitam” e outras não.
- Sei não, sei não... Acho possível tomar cuidado e não deixar de falar com ela
- E tu vai continuar andando com ela? Tem certeza disso? Não era melhor afastar um pouco, nunca se sabe...
- Que tu tá querendo dizer com isso?
- Não que eu esteja dizendo que ela vai fazer, mas... Vai que acontece contigo? Como seria? Tu se fingiria de morta? Ia fingir que não tinha importância? Se ela dando em cima de mim, que sou só amigo, tu tinha ciúmes, imagine quando for com alguém que tu queira ter alguma coisa...
- Diz aí,cara, tu quer semear é a discórdia no meu coração, né?
- Não, no teu coração eu só quer semear o amor...
- Pois nem precisa se preocupar não.
- Já sei, vai dizer “larga de ser chato idiota, somos só amigos”.
- Não, vou dizer pra tu abrir os olhos e ficar preocupado apenas em regar...
=]

sexta-feira, abril 23, 2010

A outra


Chegou e foi logo atirando as chuteiras ao chão. Lavou as mãos e pegou uma garrafa na geladeira. Era de um litro, não sobrou uma gota d’água. Era sempre assim quando chegava do “raxa”: roupas suadas espalhadas, chuteiras cheias de areia sujando a casa, secando a garrafa d’água e não enchendo depois, parecia não ter mais jeito. Estranhou a casa silenciosa, onde ela estava, por qual razão não teria vindo reclamar da bagunça ainda? As janelas e cortinas fechadas, um clima meio sombrio. Teria ele esquecido o aniversário dela? Não, ainda estava longe. Qual seria ao motivo, teria ela saído de casa sem ter avisado?

Foi vasculhando a casa, grande, herança dos avós, cheia de móveis de madeira, televisões e rádios velhos. As fotografias espalhadas por todos os lugares em reluzentes molduras mostravam rostos sorridentes. Quadros e vasos a transpirar cultura. Um tapete muito antigo, do tempo que o avô insistia em soltar pião dentro de casa e era repreendido pela mãe. Uma casa de objetos velhos, mas cheia de vida, pulsando boas memórias por todos os lugares.

Encontrou-a na área antes do quintal, daqueles repletos de coqueiros, goiabeiras, mangueiras. Escutva a quinta sinfonia de Beethoven. Estava sentada na velha cadeira de balanço, tão antiga, mas ainda assim tão confortável. Ela estava toda de preto, não sabia se de propósito ou não. Tentou fazer uma gracinha dizendo: “Já é halloween?”. Mas ela nem esboçou sorriso algum. O clima estava tenso, embora fosse um dia lindo, com um forte sol e os pássaros a voarem despreocupados (que inveja!).

- Precisamos conversar.

- Tudo bem por mim.

-Você tem alguma coisa pra me contar?

- Conta os gols que eu fiz hoje?

- ...

- Desculpa, não vou mais comentar, embora um tenha sido lindo...

- Está tudo bem com você?

- Comigo tá ótimo, acho que ficaria melhor depois de um bom banho e de um almoço caprichado...

- Não tem nada pra me contar?

- Acho que não.

- Tem certeza disso?

- Acho que sim.

- Você não está escondendo nada de mim, ou está?

- Por qual razão está dizendo essas coisas?

- Você está bem diferente nesses últimos meses...

- É porque eu fiquei mais magro, tava doente, cê lembra, minhas roupas tão mais folgadas, mas com tua comida maravilhosa já eu volto pra forma de antes, não que eu fosse muito forte mas...

- Não é só por isso...

- E por que mais seria?

- Isso eu espero que você me conte...

- Tudo bem, você venceu...

- Você anda bebendo escondido agora?

- Não é nada disso, nunca fui muito de beber, ainda mais escondido, sem beber eu já sou meio doido imagine bebendo...

- Ta fumando?

- Deus me livre, apressar a morte eu não quero mesmo...

- Tá envolvido com tóxico?
 
- Mas nem! De droga basta o almoço lá da empresa, que miseráveis...

- Meu Deus, com tóxico não, por favor, tanto que eu te aviso...

- Calma, nem tem nada de tóxico, meu corpo, meu templo. Saúde acima de tudo.

- Já sei, eu já sabia, não tinha como errar...

- Por que fez essa cara?

- É mulher não é?

- ...

- Era só ter me contado...

- Mas eu ia contar, era só...

- Esses meses todos? Você sabe que não gosto de ser a última a saber das coisas...

- Desculpa, prometo não fazer mais isso...

- Você tinha dito isso da última vez...

- Mas na vez antes dessa eu havia contado e tu tinha feito um escândalo, fiquei chateado...

- Eu mudei, aprendi muito esses anos todos e sei o que deve ser feito agora. Você está feliz com ela?

- Muito, muito mesmo. A gente não controla os sentimentos não é mesmo? Meu coração a escolheu e não posso fazer nada...

- Entendo, então só posso desejar felicidades. Nós estamos nessa vida é para sermos felizes mesmo. Eu quero mais é a tua felicidade. Quero te ver bem. Traga-a pra cá para eu conhecê-la, prometo controlar meus ciúmes.

- Ah, mãe, você não existe mesmo...
=]