quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Amigos, irmãos

Meus amigos, essa semana me deu uma saudade danada de vocês. Por onde andam? Eu entendo de algumas distâncias, de estudos, de trabalhos. Mesmo longe, os sinto aqui perto de mim, sempre lembrando os bons momentos e imaginando novas aventuras. Não somos mais crianças, certo, mas não podemos sonhar e lutar por dias melhores? E as coisas não andam ruim para nós não.

Por onde andas, Saulo? Quais novas e loucas aventuras tu tens para me contar? Tua alma delirante de poeta e artista ainda pulsa forte e tua alegria ainda contagia os demais? Teus raciocínios e drinks malucos ainda viram a cabeça dos conhecidos e desconhecidos? As mulheres ainda te enlouquecem e se enlouquecem contigo? Esses dias eu jurei ter te visto em um dos ônibus da nossa Fortaleza. Tive vontade de furar a lataria com os dedos para parar o coletivo e te dar um forte abraço. Seria mais fácil dar o sinal e esperar que ele parasse? Podia ser, mas o que seria de nós sem o drama e a loucura?

E tu, Yslan, o que fazes agora? Qual cruzeta ou armação espera por ti e quais companheiros do duro ofício realmente são boas companhias pra ti? Tua forte personalidade e a tua noção de amizade sem preço ainda intriga os demais? A tua vontade de não abandonar os amigos ainda inspira outros corações? O chato mais querido de todos, como costumam dizer, ainda é o nosso chato, o nosso amigo de todas as horas.

O que aprontas, Leleu? Tu, que não é mais das moças, que largou todos os corações para ser de uma só, que me contas? A tua independência, forte personalidade e vontade de sempre ajudar os amigos ainda guiam teu coração como sempre guiou? Tu, meu amigo e irmão há mais de vinte anos, quais aventuras dessa vida de estudante e trabalhador tens para me contar? De quais infortúnios tem se livrado com a tua sinceridade sem tamanho?

Faguim, me diz, o que mais tem para contar? Tu, sempre com um repertório de histórias e causos para dar e vender, para fazer inveja aos criadores das mil e uma noites. Com quem andas se envolvendo? Quem anda apaixonando? Quais histórias trágicas e românticas e de aventuras tens para me contar? Tu, mais atualizado de todos nós, sempre por dentro de assuntos astronômicos, gastronômicos, econômicos e tantos outros ômicos, me diz, boas novas. Tu, idiota, como carinhosamente és chamado e também nos chama.

E você, endiabrado Alisson, quais as novas? Quantos tu tens ajudado com os teus conhecimentos médicos? Sabes precisar o número dos que tem ajudado com a tua alegria e maluquices únicas? Com esse teu jeito de fazer graça de tudo, de transformar tudo numa coisa engraçada e depois falar com uma seriedade única. Tu, que mesmo saído do nosso ninho, nosso paraíso perdido, não corta os laços, não se afasta. Quais loucuras tu tens aprontado por aí, quais mulheres tens enlouquecido e quantos e quantos amigos tens conquistado por aí? Tu és um dos nossos, sempre.

As pessoas às vezes até confundem, acham que meus amigos são apenas amigos, que engano. Também costumam achar que meus irmãos são apenas irmãos. Não, são meus amigos também e se enquadram na categoria dos melhores. Cada um com seu jeito único, meus irmãos (dois e uma) de sangue e de vida têm seu espaço consagrado no meu coração. Para não dizer ainda de outros amigos de casa, como pai, mãe e minha morena (amo vocês). E isso, para não falar dos tantos outros distantes. Mas hoje, vamos ficar apenas com os cinco lá de cima.

Meus amigos, meus irmãos. Criados juntos, infância única, incrível. Bons e saudosos tempos. Nossas aventuras não terminarão nunca. Meus irmãos, de diabruras, benevolências, de bons atos e malvadezas, de correrias, de brincadeiras, praias, cinemas, serras, mulheres e sagrado futebol. Meus amigos, meus irmãos, podem ter certeza que mesmo afastados uns dos outros, estamos sempre prontos para uma ajuda qualquer, seja qual for. Estamos aqui, juntos. E somos, com toda a certeza, amigos-irmãos.
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domingo, fevereiro 20, 2011

Dia de chuva, dia de sol

A minha terra tem desses mistérios. Aqui, no meu Ceará, especificamente falando de Fortaleza, é possível que depois de uma forte chuva, ou um bom “toró”, como se costuma dizer, o sol apareça. Tem muitos casos de dias e mais dias de chuva também, sem nada de sol, como vem acontecendo nos últimos dias. E nesses dias, a minha vontade é uma rede e minha morena (ê, morena, que saudades doce).

Pois bem, esses dias, esperando pelo “humilhante coletivo”, como costuma dizer um amigo meu, presenciei um desses momentos de transição chuva-sol. Antes, um senhor, senhor mesmo, andava tranquilo, com um saquinho de pão, sem guarda-chuva, debaixo de uns bons pingos d’água. O céu estava cinzento e a água caia sem parar desde a noite anterior. O homem nem se abalava, e a importância daqueles pães para aquele senhor ou para sua família, quem sabe, acho que nunca saberei. Dava pra ver que os pãezinhos estavam bem quentes, pois vinham realmente fumaçando.

A parte mais legal, para encurtar a história e não ficar dando uma de chato, foi a hora da transição do céu nublado para o céu ensolarado. Fiquei a observar o céu com uma curiosidade mais poética do que científica. Pra mim, imaginei uma grande mão puxando uma linha de nuvem, como se desfizesse aquele gigantesco crochê cinzento, deixando para nossa alegria apenas aquele azul forte e mais vivo do que muita gente por aí.

A parte mais triste foi que parecia não haver mais ninguém reparando nisso. Todo esse espetáculo acontecendo em frente aos nossos olhos, como tantos belíssimos finais de tardes, presenciados em outros momentos, verdadeiras pinturas em pleno céu aberto ao alcance de todos, e só eu observando. Pudera, prefiro acreditar que, hoje, foi apenas pelo fato de todos terem conseguido pegar o coletivo e só eu ter ficado, olhando para o céu feito besta... Quem será mesmo que saiu perdendo nessa história? Vai saber...
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sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Prassempre

Ei, vem cá
Chega mais perto
Deixa eu sussurrar
Ao teu ouvido
O que não mais é segredo
E faço questão de espalhar
Te amo
Entende?

Talvez ninguém nunca
Entenda
Esse meu mais novo e louco
Poema

Nunca gostei assim
De alguém
E nunca mais quero gostar assim
De ninguém

Não me avisaram que o amor era assim
Sentimento bom que parece não ter fim

Conheci, não fosse por ti, não conheceria
Estaria perdido, sem amor, paz ou calmaria

Eu gosto do nosso jogo de paz e amor
De intensidade, de desejos, de sabor...

Hoje em dia, me perder, só em teus olhos
Teu corpo

Vontade de passar o dia agarrado contigo
Na cama ou no balanço da rede

Vontade de passar o dia te beijando
Te enchendo de carinho, te amando

Não me disseram que ficaria, assim, tão maravilhado
Quero dizer que sou por ti, tresloucadamente apaixonado

Eu quase consigo andar sem tocar no chão
Ao saber que mais momentos ótimos ainda virão

E não quero saber da diferença entre amor e paixão, pois
Contigo, ao mesmo tempo, experimento os dois

Nossa união transcende, só faz aumentar
Meu coração, podes ter certeza, é o teu lar

Ainda vou contar todos os meus defeitos
E piores segredos
Vou te contar tudo
Confiante e sem medo
E se ainda assim me amares
Prometo de te amar prassempre
Lu Colares

Tudo que eu quero nessa vida
É te fazer feliz, verdadeiramente
E pra mim, essa felicidade,
de verdade
Só presta se for no plural
Pra gente
Vamos caminhar lado a lado
Prassempre
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sábado, fevereiro 05, 2011

Jorginho

Jorginho nunca fez nada de mais na vida. O dia mais importante para ele, talvez, foi o dia de seu nascimento. E quem sabe, pois ele mesmo não lembra de nada disso. Depois daí, não tem tido muito consciência da vida, do futuro. Ele agora está com oito anos, mas já viveu mais do que muita gente. Tem experiência e experiências que parecem únicas, mas são comuns a muitos dos garotos moradores de rua. Conhece muito da vida e talvez nem tanto do mundo. Ou quem sabe, o inverso. Já viu muita gente boa e muita gente ruim. Infelizmente, mais pessoas ruins, embora tenha consciência das pessoas boas espalhadas por esse mundo tão grande.

Esses dias, perambulava pelas ruas de um bairro novo. Com ele, apenas um calção azul, assim como o céu, e a vontade de viver. Correu com os cachorros, chutou poças d’água, bagunçou folhas em quintais e espalhou lixo por aí. Estava alegre, conseguiu uns trocados pedindo em um sinal, um ponto zerinho em folha, e agora tinha dinheiro para comprar um pão. Um pão. Caminhando pelas ruas enquanto mastigava calmamente, deparou-se com uma loja de animais. Parou em frente às inúmeras gaiolas. Começou a observar.

Olhou para os cachorros presos, cachorros assim como os que corriam com ele há pouco tempo. Filhotes, loucos para sair dali e correr por aí como ele faz. Olhou para os pássaros presos e começou a pensar na maldade de se manter um bicho com asas preso. “Se eu pudesse voar, nunca que ficaria preso. Sou mais morrer”. Com todo o infinito céu para ganhar, como manter um animal desses enjaulado?

Olhou para o coelho de grandes orelhas e olhos vermelhos e ficou a se perguntar: “que olhos mais vermelhos! Será que tá doente ou fumou um?”, e começou a rir. “Com essas orelhas, dá pra escutar os ‘homi’ chegando de longe”. Era criança, mas já conhecia muita coisa da vida e dos homens e mulheres. Mais parecia um capitão da areia, como nos contou o mestre Jorge Amado.

Jorginho, menino bom, corrompido pela vida e pelos homens, teve uma chance de mudar de vida. Andava à toa pelas ruas quando uma senhora deixou cair uma gorda carteira, provavelmente, cheia de dinheiro. Apanhou a carteira e ficou olhando, pensativo. A senhora, cheia de ouros e diamantes, aproximou-se: “Obrigada, meu filho”. Era a grande chance, poderia até ser adotado pela bondosa mulher e ter um lugar para chamar de lar. Virar um garoto normal, ir à escola. Foi rápido. “Brigado nada, tia. Vacilou!”. E saiu correndo com toda a rapidez possível, para aproveitar a, quem sabe, curta e perigosa vida...
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