sexta-feira, junho 26, 2009

Menina bonita

Hoje o dia amanheceu preguiçoso. Deitando na cama não dava nem para ver o sol, talvez fosse melhor abrir as cortinas. Fazia um vento frio e opressor, desses que mandam qualquer um para cama. Trabalhos para fazer, ligações para fazer, textos a estudar, enfim, uma vida inteira pra viver e o danado do edredom não queria largar de mim. Depois de muita força, consegui escapar.

O céu estava estranho, com o cinza e o azul em luta para saber de quem seria a supremacia naquele dia. O branco assistia ao espetáculo como se não fosse com ele também a luta com o cinza, e, o sol, tímido, ainda nem tinha aparecido.

Banho, roupa, comida, escovar os dentes, sair de casa, ônibus, rotina conhecida demais, mas deverei sentir falta quando isso tudo mudar, um dia. Quem sabe eu nem escove mais os dentes ou então eu troque a ordem das coisas. Tipo, escovar os dentes, ônibus, banho, comida, sair de casa e roupa, quem sabe, né?

Já dentro do coletivo, consigo uma vaga pra ir sentado, na janela, olhando o movimento, distraindo-me com o mundo lá fora. Enquanto isso, ao meu lado senta um senhor de cabelos brancos e uma cara de bom velhinho, tipo a do Gepeto, pai do Pinóquio.

Como de costume, estava atrasado e pensando em deixar de me atrasar quando o ônibus precisa parar por conta do sinal vermelho. Sinal vermelho é péssimo para quem está atrasado. O jeito é ficar reparando nas pessoas de dentro e nas de fora do ônibus. Acontece algumas vezes, sem querer, claro, até de escutar a conversa dos outros. Dá até vontade de se intrometer e dar um conselho. A conversa é pública, as pessoas conversam tão alto que logo todo o ônibus está sabendo do assunto. Mas hoje nem tem ninguém conversando. Todos estão um pouco tristonhos, deve ser porque é segunda-feira.

Do lado fora, nada parecia acontecer. Tudo parado. Nem o vento mexia as folhas. E então reparei nela, como não havia reparado antes? Um sorriso branco-brilhante-arrebatador, tem essa cor? Olhos negros, fortes. Cabelo liso, leve. Uma beleza que não se contentava em ficar presa no corpo e se expandia para tudo ao redor. Uma explosão de beleza.

Não conseguia tirar os olhos, nem falar nada, só admirar. O Senhor Gepeto ao meu lado, curioso como todo ser humano é, também começou a olhar. Não falava nada, apenas olhava. Cutucou o jovem da frente e este passou a olhar. Uma moça viu a movimentação masculina e começou a olhar também. E nada dizia, cutucou outra mulher para mostrar, e essa, cutucou uma senhora que estava à frente. O cobrador, de costas, virou-se para olhar.

O sinal não abria. O motorista bateu com uma moeda nos ferros do ônibus e avisou o motorista para olhar. O sinal abriu. O ônibus não se movimentou e ninguém reclamou. Todos olhavam. Até o sol saiu por detrás das nuvens para olhar, enquanto o azul vencia a luta pela supremacia do céu. Pássaros saíram de não sei onde e lotaram as árvores. Não cantavam, apenas olhavam.

E a moça, nada fazia. Apenas permanecia ali, imagem congelada, espalhando charme e beleza para todos. Era apenas uma imagem, uma propaganda de uma marca de roupa, mas ninguém reparava na roupa, apenas na moça. Tudo estava em silêncio no ônibus, não se escutava as buzinadas lá fora. Todos pareciam mudos, até alguém falar por todos – ou então foi um pássaro a cantar dizendo:
- Eita, mulher bonita...
=]


ps: Só pra dizer, que é muito bom voltar a escrever. Finalmente deu tempo de escrever alguma coisa, ter de novo minhas idéias doidas. Tava uma saudade grande daqui, parecer fazer tempos e tempos que não venho aqui. Saudade também dos amigos blogueiros. Estava a ler vez por outra os blogs, mas nem comentava por conta do tempo mesmo. Agora com essa pausa voltarei a ser mais presente.
bjoos e abraços!
=]

segunda-feira, junho 08, 2009

De volta

Opa!
De volta, rapidamente.
Tempo pouco, tempo louco.
Se te tivesse mais um pouco
Nao viveria nesse sufoco.

Depois eu volto.
Espero que não demore tanto.
Abraços e bjoos
=]

Domingo na TV

De manhã cedinho começa a corrida
Nosso bom corredor Rubinho
Parece ter sido amaldiçoado
A ser sempre o segundinho

E mais cedo ainda tem um programa rural
Fazenda, gado, sítio, plantação
Muito bom pra começar o dia
E esquecer de qualquer complicação

E todo mundo sempre reclama
Mas na TV ninguém quer ver a cultura
E olha ali a Inezita Barrosso
Com amigos, cantando, que formosura!

E tem também o Senhor Brasil
Com o mestre Rolando Boldrim
Ah se outros apresentadores
Aprendessem com ele um “pouquim”

Bom exemplo pras crianças
À tardinha tem o Padre de Melo
E pra fazer o contraste
Tem o Deputado e seu castelo

Na TV todo dia é dia de futebol
E é pior quando tem o mala Bueno
Que de tanto falar besteira
Deixa-nos o ouvido doendo

À tarde tem tanta besteira
Uns programas muito ruins
Se a tv sumisse um pouco
Não seria o nosso fim...

À noite tem um tal fantástico
E em outras um espetacular
Quem dera fosse algo didático
Pra vida de todos melhorar

Tem muita coisa boa na TV
Na fechada ou na aberta
Tem que escolher o que se vê
Achar uma programação que presta

Eu vejo pouca TV e não nego
Com controle remoto na mão
Mas prefiro ir pra janela
Descobrir aonde as nuvens vão...
=]

Lições

Não
Isto não é um
Desabafo

Não
Não há raiva

É apenas uma
Constatação

Sobre perdas e ganhos
Vitórias e derrotas

Se hoje algo me escapa ao alcance
Se hoje não posso ter algo
Se hoje eu perco
Se hoje eu dependo de alguém
Isso não vai me aborrecer completamente
Isso não vai estragar o meu dia

Hoje eu tive uma boa notícia
Tem dias com umas boas
E algumas ruins
Umas mais fortes
Outras mais fracas

E percebi algo sobre
A espera
A ansiedade
Por algo bom

Se durante um tempo eu levei porrada
Eu fiquei triste
Eu sofri por nada poder fazer
Isso só serviu para uma coisa
Me mostrar
Me ensinar a...

Valorizar mais ainda as vitórias

Eu já provei o amargo da derrota
E hoje, como um louco, aproveito o doce sabor da vitória
Ainda que parcial...
=]