segunda-feira, dezembro 15, 2008

Mãe

Hoje é o aniversário da mulher mais maravilhosa que conheço.

Uma mulher que é prosa e poesia em todos os aspectos possíveis, e impossíveis também.



Uma mulher a quem devo tudo, e muito mais que pode ser agradecido.

A minha alegria diária.

O meu abraço forte, apertado e fortificante de todas as manhãs.



A minha alegria maior para conseguir um riso, um sorriso.

A minha fonte de felicidade escancarada bem em minha frente todo santo dia, e dias santos também.



O meu tesouro maior, que não fica escondido jamais.

A minha fonte de renovação depois de um dia cansado.



A minha fonte de forças para tudo.

Minha enfermeira em qualquer doença.



Meu remédio, minha cura para qualquer mal.

Minha conselheira de conselhos e opiniões nem sempre aceitas, mas ouvidas.



A pessoa que estresso, de vez em quando.

A pessoa que me estressa, raras vezes.



Minha conselheira musical e de palavras-cruzadas.

Minha futura aluna de informática.



O meu oásis, e não é ilusão.

O meu amuleto da sorte que carrego pra todo lugar dentro de meu coração.



Minha professora de inglês, alemão, italiano, espanhol, e, se duvidar, javanês e grego.

Minha professora de história do Mundo, do Brasil, do Ceará, da Família.



Minha professora da Vida, com aulas particulares e tudo o mais.

Minha contadora de histórias preferida, desde os tempos de berço, até os dias de hoje.



Minha cozinheira preferida, que faz o feijão com arroz diário tornar-se um manjar dos deuses.

A mulher que brinca de alquimia na cozinha.



A mulher que agora brinca com cores mas sempre coloriu nossas vidas.

A mulher que todos gostam e querem perto.



A minha (nossa) mãe!

E se alguém não souber o que isso significa, sinto muito, mas ninguém saber explicar...



Não importa o tempo que passar

O que foi dito aqui sempre valerá

Razões? O que é maior do que ser

Minha, nossa, fonte eterna de

Amor



Rafael Ayala Rocha Perote

09 de dezembro de 2008

Faltou só a coragem de entregar isso para ela...
=]

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Encontro dos bons

Estava há tempos dentro do ônibus, não esperava a hora de descer e sair daquele sufoco. Ia conversando com Diego sobre coisas da vida. Sobre Devir e Arte, perguntando se criar é resistir ou se resistir é criar. E observando o movimento, dentro e fora do ônibus. A conversa é que valia a pena dentro daquele aperto, meninos e meninas, velhos e novos, gordos e magros, todos tentando contrariar a lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. No entanto, aí é mais de um corpo tentando tal feito.

Hora de descer. Não sabiam do encontro agradável que os aguardava. Carla e Lorena os esperavam. Encontro desses inesperados, tal qual sair de casa pela manhã e dar de cara com um arco-íris. Não podiam ficar ali, em pé, conversando no meio do tumulto. Foi Lorena que tomou a fala:
- Aqui não vai dar certo não, é um caos, pessoas indo e vindo, fumaça, barulho... Não dá pra conversar aqui não.
- E para onde vamos?
- Que tal um lugar de leveza?

E todos concordaram, sim, vamos a um lugar de leveza. Mas onde seria isso mesmo? Como chegaríamos lá? E então foi a vez de Carla falar:
- Eu conheço um lugar ótimo pra gente ficar, lá estaremos tranqüilo. É uma cafeteria 24 horas. Alguém topa ir lá?
- Não conheço, mas não custa nada conhecer, disse Diego.

E foram todos para o local sugerido. Realmente aconchegante. Sentaram e cada um pediu um café e uns biscoitos pra acompanhar. A conversa passaria por vários assuntos, política, economia, filosofia, religião, poesia, prosa, natureza, futebol, micos, comida,romances e dramas, experiências pessoais fortes e leves, livros, locais para se visitar... E então chegou Simone e juntou-se a eles na mesa.
- Como todos chegaram aqui? Não moramos em estados diferentes? Como esse encontro foi possível?

Ninguém soube responder. E o clima ficou tenso. Por qual razão estarão todos reunidos ali? Carol chegou trazendo Camila e sentaram-se à mesa. Disseram logo a conversa da vez. Carol não se mostrou preocupada com a situação:
- Bem, acho legal um encontro entre nós. Não vejo nada de mal nisso. Além do mais, eu prefiro que seja assim, no plural mesmo, com todos participando.

Camila, entretida ainda com um zine colorido, deixou a leitura de lado e concordou com Carol:
- Bem, isso é estranho mesmo. Também não sei como vim parar aqui. E nem conheço alguns aqui, mas também não vejo problema em conhecer novas pessoas.
- Eu acho que isso é coisa de alguém sem idéias pra escrever e começou a ter umas viagens, viajou total e juntou todo mundo aqui e agora.

Ninguém entendeu o que ele quis dizer com aquilo. Continuaram a conversar, todos conhecendo todos agora, sem nenhum problema de comunicação. Lorena disse não haver problema nenhum a próxima reunião ser em sua casa de praia, com direito a provar um deliciosos pudim de leite. Quem quisesse levar o chimarrão não haveria problema. Podiam conversar à vontade na beira da praia, sem preocupação alguma.

Todos concordaram com a proposta e, afinal, ninguém seria louco de recusar um convite desses.

Mas Simone estava intrigada ainda. Como chegaram ali?
- Bem, eu vim conversando com Diego no ônibus, uma conversa bem agradável por sinal. Encontramos com Lorena e Carla e depois tu chegou e, depois de ti, a Carol e a Camila. Nada de muito anormal, não precisa ficar tensa.
- Eu não estou tensa, é porque sou assim mesmo, intensa. Mas vamos deixar pra lá e voltar a conversar.

E tome conversa, e café. E o dia foi passando rápido e fagueiro, permeado por conversas que fazem bem à todos. Um dia para não se esquecer. Um encontro inimaginável, inexplicável.

Depois de muita conversa, sobre os textos, sobre as vidas, era chegada a hora de ir embora, cada qual para seu canto. Prometeram escrever uns aos outros, não cortar os laços. E foi cada um pro seu lado, levando já na cabeça o que iriam escrever ao chegar em casa, como contariam aquilo que ninguém soube explicar. Menos um, que sabia por qual razão todos estavam ali e já tinha o texto feito.

Então, ele acordou. E a primeira coisa que pensou foi:
- Poxa, acordar pra que?
=]

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Mais uma dos coletivos...

Não tenho como evitar, vou pra vocês contar mais uma história que se passa nos ônibus de nossa "Loura Desposada do Sol", nos dizeres de Paula Ney. Não tenho como evitar tais histórias, porque não tenho como evitar minhas andanças pelos ônibus da Capital. Preciso deles. Tem horas que sinto-me como disse o Airton Monte dia desses (parecia que ele sabia que eu ia dizer isso e disse antes só de mal, risos) um vampiro do cotidiano, sempre atrás de novas histórias, "chupando" de desconhecidos outras mil e uma histórias, uma já contadas e outras tantas na cabeça esperando uma oportunidade de aparecerem. (Falando no Airton Monte, cronista diário do jornal O Povo, fiquei pensando sobre como deve ser escrever uma crônica diária, todo santo dia uma crônica, uma história pra contar, idéias pra falar, reflexões, meus pontos de vista sobre o mundo, minhas verdade e minhas mentiras, meus amores e minhas saudades sendo desfiadas diariamente no jornal. Não sei se conseguiria. Ou então seria craque nisso porque adoro histórias, mais ler e ouvir do que contar. E podia ser até uma coisa boa porque ia aliviar bem muito minha cabeça que produz um número grande de viagens por minuto. Isso podia até ser tema de uma crônica, ou o fato de se eu me desligar um pouquinho minha cabeça vai longe, só voltando num susto. Isso lembra também, isso, outra coisa, um post do Zine Colorido, da Camila Chaves, sobre esse negócio de escrever algumas coisas entre parêntesis. Pois eu também acho isso bem legal. O problema é que sem o tal parêntesis eu já fico mudando de assunto corriqueiramente, imagine com os tais. Então, vou voltar pra história de antes. Qual era a história mesmo?).

Acontece (só mais um, dizendo pra você voltar ao começo do texto e lembrar do que eu tava falando, como eu fiz) que eu não fico indo atrás de histórias, como um vampiro indo atrás de pescoços para chupar. Eu simplesmente estou lá, bem sentado, ou muitas vezes em pé, e as histórias aparecerem. Fico observando, ou então tem alguém falando muito alto e eu sem querer querendo fico sabendo de tal história. E vou contar um negócio acontecido dia desses. Ás vezes, pela manhã, indo pro estágio, eu fico meio desligado, acho que por causa do sono. Voltando de lá, continuo desligado, agora por causa da fome e porque volto sem conversar com ninguém na maioria das vezes (converso com um motorista e um trocador, de ônibus diferentes, e com umas meninas de vez em quando).

Fui uma noite desses lá pra biblioteca renovar meus livros. Era um horário bom, quase sete horas da noite, pouco movimento nos coletivos, no sentido que eu estava indo. E eis que sentado um pouco à frente - nada muito espantoso - um casal, homem e mulher, namorados ou com algum rteipo elacionamento.

E comecei a pensar nos vários casais que vi em minhas incontáveis viagens. Vários "tipos": de capoeiristas, de surfistas, de estudantes, de crianças, de velhinhos, de "executivos", de gente normal que não dá pra identificar. Uns eu achava bem bonitos, tipo "saídos da propaganda de uma pasta de dente", e outros sem feder nem cheirar, nada de anormal. E eu ria sozinho com minhas besteiras: "Nossa, que casal estranho", "eita que casal pra não combinar", "que combinação é essa?", "estranhos, mas felizes", entre outras besteiras relacionadas aos diversos tipos de casais que via. E percebi que não tinha do que estar rindo, afinal, todos estavam lá com seus respectivos pares, e eu estava lá, sozinho. Sozinho não, solteiro. É diferente. Bom, depois parei de reparar nessas coisas percebendo a besteira que era (mentira).

Voltando ao casal que eu vi, eles tinham algo de diferente. Ao longe pensei que eles estava a brigar. "Poxa, mais um desses casais a brigar no ônibus. Podiam lavar a roupa suja em casa. Fazendo barraco no ônibus, assim não dá". Mas vi que me equivocava. Pensei ser briga, de longe, pelos vários e vários gestos que faziam. Mas estranhei o silêncio. Coisa estranha, a raiva deve ser tão grande que um não quer nem falar com o outro. Passei a catraca (ou borboleta, tanto faz) e sentei perto deles, um pouco atrás.

Conversavam os dois na linguagem de libras, a de sinais. Eram dois surdos, ou mudos - e podia ser que somente um fosse, não descobri. E os vi conversando durante a viagem, fiquei olhando com uma curiosidade gritante frente aos sinais rápidos feitos com as mãos e respondidos em igual velocidade. Estava besta a olhar e sem entender nada, nada mesmo. (Uma vez tentei aprender algumas coisas de sinais mas já esqueci tudo). E durante a conversa entre nós três, eu estava participando, de longe, observando, acho que eles passearam por diversos assuntos, isso por contas das várias expressões faciais. E pode ser que não, vai saber. Até o riso silencioso deles eu compartilhei, com um sorriso leve, de longe, sem saber o motivo dos risos.

E levantaram-se para ir embora. E eu os acompanhando com o olhar. Então, eles pararam. Trocaram um olhar, tão forte, tão intenso, e beijaram-se. Apaixonadamente e de forma apaixonante... Não sei qual foi mais forte: o beijo ou o olhar? E desceram, deixando-me a sós com meus pensamentos, refletindo sobre a linguagem do amor, que ninguém entendeu ainda que não é preciso entender...

ps: que saudades eu tava de escrever aqui, de ler os blogueiros amigos, comentar e ver seus comentários. Dar um tempo é bom para sentir falta. Tenho umas idéias na cabeça agora. Depois eu volto com coisa melhor.

=]