sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Mistério e desejo

Mistério é teu nome
Desejo, o meu
Tu entende da mente
Eu não entendo nada

Sei que foi o acaso
Num dia que a sorte sorriu
Oi, meu bem, um prazer
Tchau, meu bem, até nunca mais ver

Eu sei, era um sonho
Com uma linda vista ao acordar
Eu te disse e repito:

Tu és mais bonita que o mar

As ondas que Iemanjá te deu
Eu mesmo queria surfar

Ainda que me perdesse nas curvas
Hipnotizado pelo teu olhar


Durou pouco, não deu
Sem briga, sem problema
Ficou a vontade

E nasceu um poema

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Chuva

Chove.

Aí, dá vontade de escrever. Talvez não esteja bom, mas, e daí, né?

Esse barulho de chuva
Essa saudade batendo no peito
Nem passado, nem presente
Futuro é o que anseio

Saudade do amanhã
Do presente que ainda não veio
Desejo pesado, profundo
Mistérios da vida, mistérios do mundo

A chuva que eu tomaria
Teima em não me abraçar
Teus beijos, carinhos, loucuras
Isso sim é o que eu queria

Os versos que ontem fiz
Amanhã entrego a ti
A poesia ainda é tua
Meu corpo não mais é teu

terça-feira, janeiro 23, 2018

Dez anos de Viagens - Um lance

Em 2017, completei dez anos escrevendo para o Acordar pra quê / Viagens na veia. Dez anos. Deve ser uma das coisas que faço há mais tempo nessa vida.

Escrevi muita besteira, eu sei, mas escrevi muitas coisas bonitas também. Escrevia com uma intenção, alguém entendia de outra forma e eu achava isso sensacional.

Cada texto ou poema é um pedaço de mim, minha visão sobre a vida, uma mistura de ficção e realidade. Nunca gostei de dizer se foi algo real ou imaginado. Prefiro o mistério.

Voltei a escrever há alguns meses. Nos últimos anos, sempre ficava com duas dúvidas principais: O texto está bom? Chegou a hora de parar com o blog?

Bom ou ruim, publicava do mesmo jeito. Além disso, não sei quando vou parar de verdade. Esse pode ser o último, como também pode ser o primeiro do ano.

Nesses dez anos, fiquei muito feliz por compartilhar minhas "viagens". Obrigado a todos que me apoiaram e continuam apoiado. Tenho muita coisa boa e muita porcaria pra escrever ainda.

Fico feliz com os elogios e em saber que algumas pessoas têm textos preferidos. Um "adorei", "passei a noite te lendo" ou "enviei pra um amigo" me deixaram muito, muito feliz mesmo.

Continuo aceitando histórias de amor para contar depois, tá? Prometo não revelar nomes.

E lá vai mais um. O último? O primeiro do ano?

Deixa rolar 

=]


Um lance

Era pra ser uma boa história
Na verdade, um conto
Ou crônica
Um lance, não romance

Surgiu do nada
Feito ladrão
Não fez promessa
Zero ilusão

Quem somos nós?
Quem se conhece?
São duas vontades
Não há quem negue

Uma vez é nada
É o mesmo que nunca?
Te beijo e te abraço
E não conto pro mundo

Se te encontro outro dia
Tu sabes, mas repito:
Tu vais encontrar
Meu melhor sorriso

Nada prometo
É a minha verdade
Hoje é o dia
Amanhã, quem sabe?

Dois desconhecidos
Que vida, meu irmão
Uma surpresa a cada esquina
Um tesouro na multidão

terça-feira, dezembro 19, 2017

Quem és tu, meu bem

Leia como se estivesse balançando na rede e ganhando um cafuné, com alguém de voz suave, um violão e o cheiro de café no fogo.

Leia só se entender que na vida a gente perde e ganha, mas estamos sempre evoluindo. Leia sabendo que, como disse o poeta, tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Quem és tu,
meu bem?
Que joga luz
Que ri tão fácil
Que faz sonhar
E vai embora

- Meu bem,
Bem sabes

Sou porto seguro
E o poço profundo
Sou chave pra cadeia
E a rota de fuga

Sou o riso mais fácil
E a lágrima cadente
Sou o vento no litoral
E o calor sem igual

Sou o sorriso do mundo
E o pesar mais profundo
Sou o gringo invasor
E a chefe da tribo

Sou um beijo escondido
E o amor mais bandido
Sou o desejo no escuro
E o teu pior futuro

Sou feito a vida
Bandida
Covarde
Fugaz

Sou como a vida
Linda
Fantástica
Sensacional

Sou nada
E tudo
Vazio
E com conteúdo

Sou bilhete de loteria
E o fedor da burguesia
Sou palhaço de circo
E o medo do abismo

Sou isso
E aquilo
Teu começo
E teu fim

Sou a carta marcada
E o búzio perdido
Sou a hora acertada
E encontro esquecido

Sou o abraço infinito
E a sensação de perigo
Sou poeta maluco
Dos versos mais confusos







domingo, dezembro 10, 2017

Meu anjo

tu chega
falando mansinho
ao pé do ouvido
fingindo que é anjo

me tira o juízo
me desce do salto
e rouba meu ar
somente sorrindo

invade meus sonhos
desperta desejos
acende a fogueira
e alarga meu riso

não dá
essa promessa
conheço demais

diz que é romance
me engana, me ilude
mas sei o teu lance

se quer uma guerra
te aviso, menino
também não sou santa

te jogo no inferno
te levo aos céus
não quero romance

te viro ao avesso
como teu juízo
e não te engano

tá bom de papinho
te ligo mais tarde
a gente conversa
meu anjo

quarta-feira, novembro 15, 2017

Inteira e aos pedaços

Pareço inteira, meu bem
Mas não se engane
Estou aos pedaços

Invejo os fortes
Que dão a volta por cima
Sozinhos

Eu não me bastei
Tentei, não deu
Busquei ajuda

Diferente da Samara
Que sempre saía do poço
Eu afundava mais e mais

Tal qual o Anakin
Abracei o lado sombrio
Me perdi, mas me achei

Hoje, ex-meu bem
Aos pedaços e inteira
Como um quebra-cabeça
Sigo a vida – tão bonita
E repleta de pessoas
Bem melhores que você

domingo, novembro 05, 2017

Poema moderninho

Ah, meu crush
Não vai rimar
Mas entenda
O que não sei explicar
Larga os drinks
E bebe um pouco
De amor próprio

Dá um match
Em ti mesmo
Depois tu volta
Talvez me ache

Não quero nada pela metade
Amor, vida ou comida

Larga o medo
Vem com tudo

Cautela, cuidado, meu bem
É só no começo
Depois é fogo, beijos e abraços
Mais quentes, apertados

E se não tiver entendido
Deixo o recado do poeta:
Só segue o baile
se a alma não for pequena