quarta-feira, junho 29, 2016

Tempos sombrios - Temer jamais


Esse foi escrito lá pelo meio de maio.

Não gostei. Não ia publicar.

No entanto, não se pode acertar sempre, não é?

Um abraço,

=]

Tempos sombrios - Temer jamais

São tempos sombrios,
Meu filho
Você vai entender
É um golpe, não tenha dúvidas
Descarado e patético

Não é somente por ela,
mas pela democracia
Ainda tão jovem
E já tão castigada

A solução
Bem sabemos
É a luta
O protesto
O barulho
O não calar-se

Aprenda, meu filho
Lutar
Sempre
Temer
Jamais

domingo, maio 01, 2016

Mortos. Vivos. Mortos. Vivos. Vivos.

Eis que surge um poema.
E ele precisa sair.
Ou eu preciso me livrar dele?

Depois de mais de um ano, um aparece.
É de boa ou má qualidade?
Não sei.
Sei que ele traz uma esperança de novos escritos...

Um abraço pra você que sem querer - ou não - veio parar aqui.

=]

Você morreu
De rir
Daquela piada sem graça
Contada no meio daquela palestra há três anos

Você morreu
De chorar
A perda da tia da cantina
Na faculdade onde estudamos

Você morreu
De vergonha
Quando te puxei pra dançar
No meio do shopping lotado

Você voltou
A sorrir
Depois de conferir as notas
E ver que não havia reprovado cadeira alguma

Morri
Em várias ocasiões
Ao te ver ruim
E nada poder fazer pra resolver

Saí de mim
Naquela noite
Quando nos apontaram uma arma
E te fizeram chorar

Morri de medo
De não dar certo
Aquela entrevista importante
Depois de ter me preparado tanto

Morri
De raiva
Ao ver um conhecido
Defender deputado fascista e golpista

Voltei à vida
Depois da virose
Ao acordar bem cedo
E te ver dormindo ao meu lado

Vivemos
Dias fantásticos
Naquelas viagens à beira da praia
E no alto da serra

Vivemos
Dias memoráveis
Onde não foi preciso fotografar
Para eternizar o momento

Nesta vida
Morremos
Diversas vezes
Mas seguimos vivendo
Enquanto muitos
Vivem
O tempo inteiro

E não vivem de verdade

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Deu branco

É preciso saber a hora de parar.

Acho que isso eu ainda não sei.

De volta, por enquanto.

Não sei até quando.

No melhor estilo "viagens na veia".

Beijos e abraços!

=]

Deu branco.
Tão branco
E profundo
Que parecia
Pior que as trevas

Foi um branco
Tão branco
Tão louco
Que me jogou
Além
Lá fora
No escuro

No branco
E no escuro
Eu era outro
Não eu

Quem fui
E quem sou?
Quem eu serei
Será eu?

No branco ou no escuro
O vazio é absoluto

Que eu não perca
Nunca
Nas vidas
Os meus tesouros
Os meus encantos

E se o tempo os levar
Que eu os guarde sempre
No coração

Que não falte jamais
Pra você
Pra mim
A força necessária
Pra seguir em frente
=]

quinta-feira, dezembro 25, 2014

Feliz Natal - 2014

Esses dias um amigo veio perguntar se eu gostava do Natal. Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, foi logo soltando um:

- É muita falsidade, né?

É mesmo? Bem, a quantidade é relativa. Ontem eu desejei um Feliz Natal para muita gente - já aproveitando pra enviar logos os desejos de um próspero Ano Novo. Por sorte, não precisei ser falso com ninguém e nem tenho ideia se alguém fez isso comigo.

Uma amiga falou que prefere se esconder o máximo possível para evitar os falsos desejos de boas festas. Achei uma atitude louvável. Ao se esconder, ela evita estresse. Evita situações constrangedoras para ela e para a outra pessoa.

Pra mim, nesses últimos anos, só tive essas situações constrangedoras não por conta de desejos falsos, mas pelo fato de algumas pessoas não gostarem de felicitar e abraçar, e o abraço é uma das minhas paixões. Porém, respeito, com certeza.

- É muita falsidade, né?

Em alguns casos, até pode ser. No meu, quando felicito alguém que não simpatizo tanto, desejo realmente que a pessoa passe bem, sem ironia ou falsidade. Esse ano, no entanto, havia uma pessoa que tava difícil desejar alguma coisa boa. Só mesmo uma BOA distância entre nós. Ali era o exemplo de maldade pura, gratuita. Por sorte, não passei perto dela e muito menos a vi ontem.

- É muita falsidade, né?

Pode até ser em um bom número de casos, mas eu acredito que algumas pessoas ficam tocadas com a história do clima de Natal. Independente da história da data, as famílias costumam se reunir e o clima entre as pessoas melhora bastante.

E fica a pergunta: por qual motivo esse clima não permanece o ano inteiro?

Não sei.

Pra mim, algumas pessoas estão sempre nesse clima.

E eu sinto isso a cada encontro durante o ano. Uma energia boa difícil de explicar. E que é possível sentir também em todas as ligações telefônicas realizadas durante o ano e durante os dias 24, 25, 31 e 1º.  Adoro fazer as ligações, desejar as coisas boas e receber essa ótima energia.

O lado bom: o número de pessoas que eu tenho vontade de ligar para desejar Feliz Natal e Ano Novo é cada vez maior.

O lado ruim: meus créditos telefônicos não acompanham.

Se você chegou até o fim do texto, obrigado pela atenção e espero que o Natal seja bom e que o próximo ano seja maravilhoso!

Beijos e abraços

=]


quinta-feira, novembro 27, 2014

Nota mental, nota solta

Que nunca nasça
no meu jardim
esse bicho feio
chamado rancor

que eu aprenda
a perdoar
não ligar mais
ou mandar logo
ir se lascar.

=]

domingo, novembro 02, 2014

Domingo

É domingo. "Ninguém trabalha", "ninguém faz nada", dizem por aí. “É um dia inútil”, falam alguns. O relógio marca 7h39 quando pego o 405 - Parque Dois Irmãos/Expedicionários no começo da linha. O bom dia do cobrador é animado e o motorista liga o rádio e aumenta o volume. “Pra dar uma animada, né?”, fala, olhando para trás por um dos espelhos internos. “Essa vai ser rápida. Pra volta, já deixei duas tapiocas pra gente reservadas com o tapioqueiro”, complemente.

Enquanto seguimos nosso trajeto, rumo ao Centro, o domingo de manhã vai se exibindo. No primeiro campinho de futebol, ex-depósito de lixo, os coroas já estão todos com a camisa laranja do time. Batem bola enquanto esperam o time adversário. Todos descalços, alguns em forma e outros com uma barriguinha saliente.

No campinho mais à frente, alguns adolescentes fazem a vistoria das redes de um dos gols. Estão bem arrumados, com calça jeans e sapato. Devem ter passado rapidamente só para dar uma ajuda, talvez. Dessa vez, os astros são bem mais jovens. Devem ter no máximo uns 12 anos. Conversam enquanto vestem meiões e chuteiras e alguns já estão em cima de uma árvore, rindo despreocupadamente. O motorista suspira: “Ê tempo bom”.

Seguindo caminho, vi que o cabeleireiro já está sentado em uma cadeira na calçada, esperando possíveis clientes para um serviço e uma conversa. No ponto ao lado, o bodegueiro já está conversando e segurando o troco para um cliente. A moça do açougue acabou de tirar o último cadeado.

Não sigo só no ônibus. Não sigo só no coletivo. Subiu um pessoal bem arrumado e cheiroso, com bíblias, roupas sociais e algumas saias jeans até o joelho. Alguns vão em silêncio e outros vão conversando amenidades. Duas paradas depois, mais gente chegando: dessa vez, estilo moda praia. O cheiro de protetor solar briga com o dos variados perfumes.

Dá pra ver um senhor varrendo a calçada, uma jovem jogando água em outra calçada, um rapaz cuidando de um pequeno jardim e uma moça desobstruindo o caminho da água no asfalto. O vendedor de verduras passa e cruza com o rapaz da chegadinha, raridade hoje em dia. O vendedor de algodão-doce caminha lentamente e uma senhora empurra um carrinho de pipoca.

A minha parada chega. “Valeu, irmão. Bom dia aí”, digo para o motorista. “Bom dia, minha joia. Se cuida!”, despede-se ele. O porteiro me entrega o jornal e o zelador pergunta se eu vi os gols de ontem. Um rapaz passa com um balde cheio d’água para lavar o carro. Vejo um amigo indo ao supermercado e outros indo para o cemitério. Hoje é domingo, hoje é Finados. Aposto que vai ter gente vendendo flores por lá.

É domingo. O relógio marca 8h04. "Ninguém trabalha", "ninguém faz nada", dizem por aí. “É um dia inútil”, falam alguns. Sigo para resolver minhas pendências. “Ninguém faz nada?”. Sei.

quarta-feira, outubro 29, 2014

O ódio que cega

De acordo com meu instituto de pesquisas, nunca antes na história desse país o nível de ódio nas pessoas e entre elas foi tão grande. A margem de erro existe, é claro, mas não souberam especificá-la. O nível de amor e respeito vai ser tema de outra pesquisa.

Não escuto mais alguém dizer “não gosto” ou “pra mim, não faz diferença”, só escuto o “odeio”. Qual é o motivo de tanta raiva, tanto ódio? E isso para assuntos banais até. “Odeio quem fala demais”; "odeio gordo"; “odeio gatos”; “odeio esse pessoal que oferece cartão”; “odeio atendente de telemarketing”; e por aí vai. Não gostar ou ser indiferente está fora de moda: o negócio é odiar.

Além disso, tudo é considerado um ato de guerra. Antigamente, era preciso espionar, invadir um território, fazer reféns ou algo do tipo. Há muitos anos, os atos de guerra são diferentes: vestir a camisa de um time; declarar opção sexual, declarar voto ou religião; preferência musical e literária; esbarrar; pisar no pé; espirrar e até olhar por mais de uns segundos para alguém (fora as loucuras no trânsito). Estamos todos em guerra contra todos e ninguém tinha me avisado nada!

Estamos vivendo o período “Ensaio sobre a cegueira” no Brasil. Todos estão ficando cegos por conta de tanto ódio. Somos todos inimigos uns dos outros atualmente. Declarados. Quando alguns começam a discutir política, futebol ou religião, a baba do ódio aparece. E escorre como uma cachoeira de esgoto.

Felizmente, ainda há esperança. Há quem promova o amor por aí, por meio de decisões políticas e principalmente por meio de atitudes cotidianas. Se não for o amor, é educação, cortesia, preocupação com o outro, gentileza ou algo do gênero, o que já é um ponto positivo. Discordar e discutir faz parte, é saudável, mas ser consumido pelo ódio é que não dá.