quinta-feira, novembro 25, 2010

Suave

Engraçado como foi suave. Nos encontramos e nos conhecemos no meio do nada, perdidos estávamos no meio da multidão. E o que era tempo de paz interior e não procurar por ninguém, resultou num inesperado e gostoso encontro. O tempo de solitários indivíduos estava acabando.

Engraçado como foi suave, como as coisas foram se desenrolando. Fomos para a praia, deliramos e enlouquecemos sob os olhos do sol, da lua e das estrelas. E nada de drogas, só amor, o mais puro amor. E o que seria uma noite na praia, acabou virando um final de semana. Uma eternidade de felicidade que algum dia um bom poeta haverá de contar em versos.

Engraçado como foi suave, tudo dando certo. Fomos ao cinema, no início. E quando segurei a tua mão, sendo correspondido por ti, tive a sensação de nada mais querer naquele momento. Esqueci o filme, desculpa, mas ele ali era apenas simples cenário para uma coisa maior no momento.

Engraçado com foi suave o contato aumentando. Conversas pela internet, mensagens, ligações e de repente uma nova vida descortinava-se. Assim como era preciso escovar os dentes e dormir era preciso ter um pouco da outra pessoa. Se num começo apenas conversar bastava, depois de um mês não já conseguia ficar uma semana longe de cheiros, beijos e abraços.

Engraçado como essa freqüência foi diminuindo, como as desculpas e a falta de vontade de um encontro foram aumentando. Como um negócio bom e promissor foi ficando chato, sem graça, quase uma obrigação escolar. Como sorrisos transformaram-se em lágrimas dos dois lados depois de uma besta briga...

Engraçado como foram feitas as pazes e como vai sendo suave e delicioso esse relacionamento tão bom e que só faz bem...
=]

quarta-feira, novembro 24, 2010

Um dos antigos

Peço desculpas pelo sumiço, sinceras desculpas.

Não pude fazer uam das coisas que mais gosto, escrever e ler os blogueiros amigos.

E isso faz falta, tenham certeza.

Hoje, deixo um dos velhos escritos, que vez por outra eu dou uma olhada, e fico pensando no momento que passou e de vez em quando parece se repetir.

Espero que gostem.

Até o próximo.

Beijos e abraços
=]

Segunda-feira, Outubro 08, 2007
Estou de volta
Olha, voltei,
Era preciso.
Sentia falta.
Desculpa, não agüentei.

E a saudade era grande demais.
O negócio era saber o que faltava...
E percebi, não era algo que corria atrás.
É algo tão simples que nem imaginava.

E muitos podem nem acreditar.
Nem discordo, foi difícil perceber.
Nem sei se é algo normal de ocorrer.
Mas essa saudade era necessária matar.

Sentia falta de mim.

Engraçado não é? Mas é verdade.
Não podia relaxar com essa carência.
E nem venha dizer: isso é coisa da idade...
Sai pra lá razão ou exata ciência.

O mar, o futebol, os amigos.
O computador, um texto, a internet, os delírios.
Uma comida, uma bebida, uma saída.
Nada extraordinário, com muito sentido.

Sentia a falta de escrever e dividir.
De conversar, de pouco falar e muito ouvir.
De muito falar, de se preocupar.
Dos trabalhos, das agonias, de cochilar...

De andar ligeiro, sem olhar pro lado.
De ir bem lento, ficar lesado.
De parar e conversar.
De dizer: vai cara, aparece por lá.

E então o reencontro aconteceu.
Não teve festa, não teve fogos.
Apenas uma sensação de alívio.
De construção sobre destroços.

E a vida continua então.
Contraditória como sempre foi.
Com algumas mudanças.
Mas certas coisas não hão de mudar.

E dessa vez desatou o laço.
De volta a minha pequena loucura.
O caminhar incerto dos passos.
Sem graça é a vida sem procura. (mesmo sem saber do quê)

E olha a gente aqui outra vez.
Com graça, sem grilo.
Com certeza, talvez
De novo, no mesmo estilo.

E só pra finalizar
Quero deixar uns conselhos:
Não tenha medo da vida.
Aprenda a encarar o espelho.
Duvide e acredite em tudo.
Não basta forma sem conteúdo.

=]

sábado, novembro 06, 2010

Dia de cortar o cabelo

Não é fácil cortar o cabelo. E não, eu não sou cabeleireiro. Estava refletindo sobre como é complicado conseguir alguém que corte bem nosso cabelo. E o meu é considerado ruim por alguns. Não entendo, se ele faz a função dele de cabelo, por qual razão deve ser chamado de ruim? Preconceitos capilares à parte, vamos continuar.

Sábado pela manhã, hora de ir cortar o cabelo. Chegando lá, um monte de homens e você ganha um alô se adivinhar sobre o quê conversavam. Isso mesmo, nem futebol e nem mulher, o assunto era política, com a nova presidente no foco da questão. E todos muito animados discutindo, com exemplos interessantíssimo e muito educativos.

“Lógico que ela vai chamar o pessoal do partido dela. Tu ia bem querer trabalhar com teus inimigos, é?”. “Jovem, não deve haver inimigos, todos devem estar unido em prol do povo”. Pois é, ia longe a discussão até alguém falar “eita, cês viram o que o técnico fez?”, e a começa tomou o rumo normal.

Depois de esperar mais ou menos uma hora e meia, chegou a minha vez. O sujeito é um velho conhecido, tempos não cortava com ele, mas resolvi dar mais uma chance. Em menos de quinze minutos estava pronto para ir embora, e se demorou tanto é por conta dele ter parado pra conversar ao telefone durante mais ou menos dez minutos.

Ele quase fez uma desgraça, quase acabou com o meu topete. No final, fiz uma cara de quem não gostou muito e comentei: “não era bem assim que eu tinha pedido”. E ela veio com a resposta de sempre: “rapaz, é assim mesmo, o corte é assim mesmo, já, já ele tá do jeito que tu quer”. E perguntei: “já, já quer dizer depois do banho?”. E ele, bem sério, respondeu: “não, em três semanas mais ou menos...”. Três semanas? E mais ou menos? Por isso eu não cortava com ele faz tanto tempo...

E pra mim, a melhor parte de ir cortar o cabelo é voltar pra casa andando. Faço uma pequena caminhada de alguns bons quarteirões como quem faz o caminho lá de Santiago de Compostela, todo empolgado pelas ruas do meu bairro. Vou (pra variar muito mesmo) pensando na vida e nos vivos. E fico calmo quando gasto energia e penso em coisas diversas que esqueço depois. Muitas vezes, chego em casa, tomo um banho e apago na cama, de tão cansado.

Dessa vez, só uma coisa foi diferente. Ia chegando em casa e quem me conhece sabe o quando eu sou da cultura da paz e do amor, contra qualquer tipo de violência. Sendo que estava cansado, sol forte na cabeça, e vem uma coroa gaiata sem a menor intimidade comigo para brincar e que falo só porque mora no meu mesmo condomínio, querendo tirar uma onda com a minha cara.

Eu sou muito paciente, mas tem dias, ah, esses dias. Ela chegou logo dizendo e rindo: “Finalmente tirou aquele topete horrível, mas tem jeito não, meu filho, ficou feio do mesmo jeito. Tinha corte pra homem não lá ou um menos feio?”. Eu respondi com meu melhor sorriso: “Até tinha pra homem, há uns oitenta anos, quando tu eras jovem e ainda se cortava cabelo na faca. E meu cabelo pode ter ficado feio, mas com o tempo cresce. Pena que no teu caso, minha senhora que graças a Deus não é minha amada mãe, seja mais complicado e não se resolva só com o tempo, vai além do cabelo...”. E fui embora, porque eu sou da paz e amor, mas paciência tem limite...
=]