sexta-feira, novembro 27, 2009

A história de cafas

Arthur estava chegando do trabalho quando encontrou Alice sentada na calçada com um pedaço de papel na mão. Parecia ter chorado um pouco, devido aos olhos um tanto quanto vermelhos. Amigo de infância como era, ficou preocupado:
-Alice? Tá tudo bem?
-Oh, Arthurzinho, não tá nada bem! Aquele calhorda do Pedro me paga!
-Mas o que o Cafas fez?
-Cafas? Isso mesmo, cafajeste! Como pude ser tão burra? Um mês de namoro com ele e eu nem desconfiei de nada... Uma infância e adolescência com ele e eu nunca desconfiei de nada!
-Ele te contou tudo? Sabe que eu não poderia contar por ser quase um irmão dele...
-Tá tudo bem, pelo menos eu sei que só você sabia...

Alice estava agitada. A raiva parecia não ter passado.

-Sabe o que o safado fez? Foi embora!
-Embora? Como assim? Eu tinha escutado dele que ele estava tentando se ajeitar...
-Que se ajeitar que nada! Aquele safado não tem jeito não! Que raiva!
-...
- Olha a carta que ele me deixou. Não, não é uma carta de amor não, jamais ele faria isso! Escuta isso:
“Querida Alice, mesmo sabendo do acesso de fúria que terá ao ler a carta, saiba que foi o melhor para nós dois. Primeiramente, meu apelido não é Cafas por conta de uma fantasia de Califa em um carnaval, não é nada disso. O Arthur, assim que soube de minhas histórias, passou a me chamar de cafajeste e a esquecer meu nome. Para ficar um pouco mais suave, diminuiu para Cafas, e isso foi há mais de dez anos, em nosso início de adolescência.

Saiba, querida, que desde a mais tenra idade que eu sou um mulherengo, não tenho culpa. Juro que tentei me ajeitar com você. Tu era a minha esperança de salvação, mas não deu certo. O problema não foi você, e isso não é apenas clichê. Eu sou um problema ambulante no quesito relacionamento sério.

Não consigo, juro, ver uma mulher sofrendo, carente ou o que quer que seja. Meu pai me ensinou a sempre tratar bem as mulheres – A uma mulher não se nega amor, foi o que me disse. E eu não conseguia. Eu te amei, pode ter certeza, mas amar uma só mulher era negar amor para todas as outras. Um egoísmo sem tamanho! E, contraditoriamente, morria de ciúmes de você com seu amigo do curso de inglês. Eu tão solto e ao mesmo tempo tão apegado.

Assim, desde mais novo fui plantando cada vez mais rosas em meu jardim. Hoje em dia, em todo local eu possuía uma rosa que regava com muito amor. No trabalho, no curso de espanhol, na faculdade, na praia, no forró, no rock, no brega, no reggae, na rave... E assim ia, seguindo minha sina. Quando eu nasci um anjo safado veio dizer para mim: na vida será sempre amante, mas não terá ninguém pra si.

E na verdade, o problema é que eu tinha muito amor pra dar, ainda tenho, e não conseguia me controlar. Por um momento, todo esse amor foi teu, verdadeiramente. No entanto, não pude suportar, era amor demais para uma pessoas só e, além de egoísmo, poderia te sufocar.

Quero te agradecer, além da longa amizade, mesmo eu te escondendo esse meu segredo, por ter me ensinado tanto sobre relacionamento, mesmo tendo sido apenas um mês. Foi o meu mais duradouro e mais feliz, pode ter certeza. Espero me curar e, um dia, quem sabe, você me perdoar para sermos bons amigos.

No mais, você é uma mulher maravilhosa, o sonho de todo homem (eu sou muito burro mesmo). Tenho consciência de não encontrar outra igual. Não falo isso para todas, como deve estar pensando. Tu foi a única verdadeira dona do meu coração, desde aquele dia em que, crianças, me derrubou do muro e eu quebrei uma perna. Ali, não ganhei apenas aqueles quarenta pontos na perna, ganhei um amor que levarei para vida toda.

Vou passar um tempo no interior na casa de uma tia. Como ela mora sozinha com minhas primas desde que o tio morreu, vou ver se posso ajudar por lá. Eu volto um dia, mas não espero que me perdoe. No entanto, eu tentei...

Desejo tudo do bom e do melhor para você.
Se cuida.
Beijos!

Pedro”

-Eu posso com isso? Não posso! Que safado!
- Poxa, Alice, não sei o que dizer...
-Você é cúmplice dele, calado já ta errado, mas não tem culpa de nada não, meu negócio era com ele. Se eu pudesse ter falado com ele antes dele partir...
- Você pediria para ele ficar?
-Que pedir pra ficar que nada! E eu lá sou colecionadora de chifres? Eu queria mesmo era que ele devolvesse meus cds da Legião e do Cazuza!
=]

sexta-feira, novembro 20, 2009

Meu amor na minha frente...

Cansado por conta do longo dia de atividades diversas, havia saído fazia pouco tempo da aula de italiano, quase nove horas da noite, não gostaria de ir para casa em um ônibus lotado. Esperei passar alguns para pode ir em um menos lotado, mesmo com uma grande vontade de estar logo em casa. O que são as coisas da vida...

Sentei na cadeira do corredor com a cadeira da janela ao meu lado vazia, sendo ela utilizada por minha velha mochila de guerra por não haver ninguém querendo sentar. Encostei a cabeça na cadeira da frente, vazia, enquanto o lado da janela estava ocupado. Depois de uns minutos cabisbaixo, comecei a reparar na figura feminina que estava à minha frente, na diagonal. Não podia ser...

Aquele cabelo grande e bonito que eu costumava ficar alisando, preso em um coque. O mesmo fone de ouvido rosa, presente de aniversário. O conhecido jeito “desligado” olhando lá para fora. Os pelinhos loiros do braço, tão finos e pequenos como sempre foram. A mochila de um jeans escuro e a calça jeans clara. A pequena sandália branca, agora um tanto quanto amarelada. E o perfume, ah, o perfume...

Estava ali de frente – ou de costas – para um antigo grande amor. E ela não me percebia atrás dela. Na verdade, havia uma grande dúvida. Era ela ali mesmo? Estaria eu enganado, ludibriado por meus sentidos? Meu coração teria dado saltos à toa? Sim, havia essa possibilidade. Não havia visto o rosto dela. Era bem capaz de ser uma mulher apenas parecida, como já aconteceu antes. Não era o ônibus costumeiro dela também. Estava tentando dar um jeito de fazê-la virar, chamar atenção.

Estava tenso, encostar nela correndo o risco de não ser a pessoa esperada poderia ser constrangedor. Perguntar as horas seria demais. Falar alto no celular? Bem, poderia ser. Falei em meio tom: “Porcaria de celular...”. Ela não olhou. Já estava perto de casa e não conseguia desvendar tal mistério...

Até ela repentinamente tirar os fones, virar a cabeça e olhar para mim. Por um instante, ficamos nos olhamos, meio congelados no tempo. E ela disse: “Oi, nem te vi subindo...”. Estava confuso, mas mesmo assim passei para a cadeira da frente para conversar com ela. Não era meu amor, era só mais uma amiga agora. Amor não era mais...
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terça-feira, novembro 17, 2009

Meu beijo

Depois de uma ótima semana e um bom final de semana, estou de volta.
Vi pessoas maravilhosas, as de todo dia e as de de vez em quando.
Vi pessoas que, ê, ê, meu coração pula de alegria ao ver.
Amigos, amigas e amadas.
Resultado? Versos a seguir.

Não estou com preguiça (mentira) de voltar para as crônicas.
Tenho as idéias, falta a coragem, mas ela chega, sempre chega...

Beijos e abraços!
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O que eu quero?
Um beijo.
Um beijo apaixonado.
De ficar louco
Um beijo roubado.
De tirar o fôlego.
Um beijo inesperado.
E por que não, um esperado?
Um beijo na testa, de frente ou de lado.
Um beijo bem longo, demorado.
Um beijo de amigo (ainda sou teu amigo?), quem sabe amado.
Um beijo bem solto, descolado.
Um beijo inocente, feito menino.
Um beijo bem dado, escondido.
Um beijo bem forte, robusto.
Um beijo bem leve, sem susto.
Um beijo de tirar o fôlego, danado.
Um beijinho doce, comportado.
Um beijo no escuro, safado!
Um beijo às claras, educado.
Um beijo sem vontade, sem amor.
Desse me livre, por favor.
Um beijo alegre, animado.
Um beijo com fúria, revoltado.
Um beijo de língua, abusado!
Um beijo selinho, encabulado.
Um beijo santinho, delicado.
Um beijo diabinho, bem molhado.
Um beijo chegando.
E outro saindo...
.
.
.
.
Um beijo, teu beijo.
Que costumava ser meu
Meu beijo.
=]

domingo, novembro 08, 2009

Pra onde cê vai?

- Ei moço, sabe dizer qual ônibus vai para o Centro?
- Qualquer um aqui passa, é só dar sinal e cair dentro.

- E em qual parada devo descer?
- Basta perguntar ao motorista ou ao trocador que eles vão responder.

- Será que conhecem o restaurante Mesa Bem Posta?
- É só perguntar e terá a resposta.

- Muito obrigado pela informação.
- Não há de que, foi nada não.

- O senhor mora aqui perto?
- Do tempo que aqui era só um deserto.

- E isso faz muito tempo?
- Muito, desde que o mundo é mundo e o vento é vento.

- O senhor é sempre assim bem-humorado?
- Oura, desde novo, se estou bem lembrado.

- Posso lhe fazer outra pergunta?
-Essa já se computa?

- Não.
- Faça então.

- O senhor gosta um pouco de rima...
- Com certeza ela muito me anima

- E qual sua profissão nobre poeta?
- Pode não parecer, mas sou um atleta...

- Realmente a aparência engana...
- Sou campeão nacional de Dama

- Agora sério, e para ganhar a vida?
- Sou professor de nossa língua nativa.

-Ah, e o senhor ensina em faculdades e colégios?
- Com certeza, me orgulho desse privilégio.

- Ao que me parece o senhor é bem criativo...
- Tenho que manter o raciocínio rápido e sempre ativo.

- Posso dizer que nossa conversa me deixou contente...
- Se você gostar posso até criar agora um repente

- Eu fico muito agradecido, mas o meu ônibus já vem vindo
- Se eu pegar o mesmo, não vá pensar que estou seguindo-o...

- Sem problema, não vou pensar
- E no ônibus podemos continuar a conversar

- Na verdade, acho que vou esperar mais um
- Eu já vou nesse, não posso perder tempo algum

- Até mais
- Até rapaz. E uma pergunta: em qual atividade labuta?
- Sou jornalista e cronista, escrever bem todo dia é prazer e luta...
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quarta-feira, novembro 04, 2009

Linda demais - diálogo

Sempre fui fascinado por diálogos.
Estefoi escrito há mais ou menos cinco ou seis anos, ainda nos tempos da caneta e do papel, parceria que fazia muito bem.
Estou nostálgico, lembrando de amores de outros tempos.
Isso não é tão ruim como dizem, só consigo lembrar de coisas boas...
Espero que gostem.
Beijos e abraços!
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Diálogo das antigas

-Linda, simplesmente linda...
-Como assim? Que queres dizer com isso?

-Não há mais o que dizer, já disse...
-Anda fraco da cabeça ou do coração?

-Acho que meus olhos a procuram ainda...
-Deixe de besteira!... És realmente tão bela assim?

-“Pra ela os cachorros latem em versos...”
-Rá! Entendi! Queres me zoar não é?

-Imagina a noite mais escura da terra...
-Que conversa é essa? Queres confundir-me?

-E lentamente o sol surgindo no céu...
-Então já mudamos de assunto? Foi?

-É isso que ela me causa, essa sensação... a luz, o calor...
-Por essa cara de trouxa não precisa falar mais nada!

-Está decidido! Hei de conquistá-la!
-Mas como? De que estratégia irá usar?

-Irei me aproximar dela, aos poucos...
-Vou logo avisando pra ter especial cuidado!

-Disso já sei. Mas o que quer dizer com especial?
-O sol que buscas pode acabar te queimando...

-É preferível a dor e o calor que o frio atual...
-Tudo bem. Desejo-te sorte em tua...

-Busca? Conquista? Caçada? Em quê?
-Em tua loucura... Necessária loucura...
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