sábado, setembro 18, 2010

Ainda quer mais?

Telmo era louco por Tereza, mas ela sempre o menosprezou. Não tinha chance o pobre rapaz. Ele acreditava que um dia, apesar dela sempre dizer que não, teria alguma. Morou até os dezoito anos na mesma rua dela, até mudar-se um tempo para uma cidade do interior. Foi triste a despedida, por parte dele apenas, pois pra ela não fazia diferença alguma ele estar ou não na cidade. Pelo menos imaginava ela.

Depois de um tempo, sentiu falta da presença do insistente rapaz, sempre ligando, enviando mensagens, rosas, chocolates e o que mais podia enviar. Percebeu, de forma um pouco atrasada, o sentimento que nutria por ele.

Seis anos depois, ele estava de volta. Encontraram-se, e não foi preciso muitas palavras, beijaram-se e abraçaram-se por muito tempo. Pareciam Adão e Eva, pois, para eles, nada mais existia no mundo. Não namoravam, mas era como se fosse. Certo dia, foram ao centro da cidade comprar alguns presentes. Entre uma risada e outra, Tereza perguntou quando eles iriam oficializar o namoro. E ele respondeu, com um certo desprezo, que em hipótese alguma eles iriam namorar...

Foi quando não só as pessoas na praça condenaram a resposta do orgulhoso rapaz, mas, aparentemente, toda a natureza. Os pássaros pararam com o canto e voaram todos embora. O sol, tão brilhante estava, foi esconder-se por trás das nuvens, que tão branquinhas estavam, cinzas e carregadas ficaram. As pessoas pararam as conversas, nem mesmo o ronco dos motores ouvia-se.

As máquinas que faziam quebradeira no asfalto, todas se calaram, até mesmo a sempre irritada britadeira. A criança choradeira fechou a boca a ficou a olhar. O bêbado, sempre tão lúcido e louco, ficou triste pelos dois e por todos que presenciaram a cena. Até colocou a garrafa de vinho no chão. Todas as atenções estavam voltadas para o rapaz da triste resposta.

Ele gostou da atenção recebida e disse: Meu amor, eu não quero namorar você, eu quero casar com você. Você aceita? – perguntou o rapaz cheio de alegria. E ela respondeu, mas não com a mesma alegria: Eu adoraria, mas agora não podemos. Precisamos primeiro ter bons empregos e conseguir estabilidade para depois casarmos – respondeu a aflita garota. E o mundo continuava todo cinza.

O rapaz não entendia, mas propôs mais uma vez: Mas nós podemos ser felizes agora com o que nós temos, não precisamos esperar tanto tempo. E ela respondeu mais uma vez, dessa vez com uma expressão bastante confusa: Com o que nós temos? Mas o que nós temos realmente? – e fazia uma expressão de quem anda entendia.

- Nós temos vontade de ficar juntos e amor, muito amor para superar todos os obstáculos que possam aparecer.

E o mundo voltou a ter sons, movimentos e cores...
=]

12 comentários:

Naiana Iris' disse...

Gostei da simplicidade da história. Deu até vontade de ter a ''sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida...'' enfim... Ser pão, ser comida e todo amor que houver nessa vida. Rssrs... Fico imaginando os dias, os anos seguintes do casal, interessante... Não sei se era bem essa a intenção, mas valeu. Um abraço Rafael.

Katherine disse...

Rafa que sumido em rsrs senti falta de suas escritas que me prendem do início ao fim.. desses sabor de incógnita.. e senti falta tbm de seus comentários que me motivavam muito a continuar.. saudades de td,...

A vida é assim desse jeito feita de cores de estações.

Porquê adiamos tanto a vida não é mesmo se o que temos de concreto é o passado e o que estamos construindo no presente.
Gostei muito.

marinaCavalcante disse...

Já tava com medo de não ser um final feliz... um amor desse não merecia isso, não.

=]

;*

marinaCavalcante disse...

Ás vezes eu fico tentando imitar
teu jeito de escrever (tão bem) crônicas.
Mas, não dá!
E eu continuo nas poesias.
Daí li essa frase e lembrei de te
contar:
"O escritor original não é aquele que não imita ninguém , mas sim aquele que ninguém pode imitar." (François René)

Gisa Carvalho disse...

Viver histórias de amor são bem assim, independem das condições reais, da vida de verdade, que é tão sem graça. As histórias de amor são superiores, conseguem transpor essa barreira que só a realidade consegue impor. Só com amor é que se pode viver além do que o mundo e as condições físicas os oferecem.

Rafaela ;D disse...

Ai, que romântico. Os tons da historia, dar uma nuance linda.
Lindo texto

priscila lima disse...

tenho andado meio distante desse espaço. mas essa semana me atualizo melhor. saudades também! e esse nosso café e conversas? tá dificil hein!
beijos

Jéssica Trabuco disse...

Eu adoro o jeito que vc escreve *_*
E esse seu texto me fez senti alegria sabe?
As vezes o mundo pára e tdo fica cinza mas a gente não pode desistir de fazê-lo colorido.. não podemos deixar que as outras coisas abafem isso dele.

Tamyle Dias Ferraz disse...

Confesso que devo concordar com a sensata moça...

nas novelas e livros, o casamento é sempre o final da história, sendo que na verdade é o começo e todas as intrigas e emoções.

grande abraço, Rafa

Leni.com disse...

e nem adianta dizer o contrário..os apaixonados tem certeza do seguro do amor...nem adianta dizer que ele não cobre tudo...as letras miudinhas no contrato só enxergamos depois.

Inacreditável Mundo de Múltipla Lua disse...

Liiiiiiiiiiiinnndooooo!!!!!

Deixei um recadinho na minha pagina para usted!!!! Obrigada!!!!
Beijinho!!!!!!!

Géssica Andrade disse...

Uma linda historia!

Obrigada pelo carinho de sempre no meu cantinho. Mas ando sem inspiração e tão sem graça ultimamente que venho me desculpar por estar tão sumida e por não ter muito o que comentar..rsrs

Porem, uma coisa não posso deixar de falar: seus textos são sempre tão aconchegantes, me sinto leve cada vez que o leio cada um deles.. (suspiro)

Beijos'