sábado, setembro 04, 2010

Hércules

Opa!

Pois é pessoal, mais uma vez, desculpa pelo sumiço.

Prometo tentar não sumir de novo.

Até o próximo.

Beijos e abraços!
=]

Dormia confortavelmente nas almofadas do sofá da sala. Dormia tão tranqüilo que chegava a babar, uma cachoeira de baba. Hércules dormia e eu podia ver sua inspiração e expiração por conta dos movimentos da barriga branquinha. Moramos juntos faz um tempo já e como nos conhecemos é uma história muito engraçada.

Há alguns anos, era bem cedo e eu ainda andava de ônibus. Para ir ao escritório eu teria de pegar dois ônibus. Depois do primeiro, a segunda parada era quase em frente a um pet shop. Enquanto esperava meu transporte, pude reparar em uma grande gaiola com alguns filhotes de cachorro. Uns marrons e um branquinho.

Enquanto os outros estavam quietos, o branquinho esperneava bastante, latia e latia por vários minutos seguidos, e depois emendava num tipo de lamentação. Cansava, descansava um pouco e voltava para a mesma barulheira. Eu não pude pensar na maldade que é prender animais em gaiolas, ainda mais, filhotes. Lembrei do caso dos pássaros, com asas para voar o mundo todo e presos num curto espaço.

Alguém deveria fazer alguma coisa, aquela situação era inadequada. O rapaz da loja veio e tirou o branquinho um tempo, mas rapidamente o trouxe de volta, e o jovem canino voltou a fazer a barulheira. Como ele continuava a lutar por sua liberdade ou por algo que nem ele e nem eu saibamos o que seja, eu o batizei, de longe, de Hércules.

Meu ônibus passou, assim como os doze anos em que eu decidi levar Hércules para casa comigo. No começo, minha namora tinha ciúmes dele, mas hoje em dia, já como esposa, parece gostar mais dele do que eu. Meu filho é louco por ele, meio que cresceram juntos, assim como meus pais e irmãos e irmã gostam demais dele. É um xodó danado pela figura, que branquinho, com grandes orelhas e carinha de bobo conquista logo todo mundo.

Nós éramos dois filhotes, ele com alguns meses e eu com vinte e poucos anos. Hoje em dia somos dois adultos, ele já morreu de fazer filhotes por aí e eu fiz um com o amor da minha vida. Hoje eu estou pensando na partida dele, quase lá já. Por um ato de rebeldia, ele conseguiu a liberdade.

Sempre fiz questão de deixá-lo o mais solto possível. Acostumou-se com a liberdade. Ia embora e percorria boas distâncias perto de nossa casa, mas sempre voltava todo feliz. Agora, estou me preparando para vê-lo ir embora e ser livre para sempre...
=]

5 comentários:

Srtª Bêêh disse...

Todos precisamos de um lugar para correr ou mesmo pular.

Gostei de seus relatos.

lorena disse...

rafa, cada dia mais vejo tua evolução como cronista.

isso muito me alegra.

tua crônica é daquelas que a gente lê e deixa mais leve o dia de domingo, dia mais chato que há.

essa crônica é de uma maturidade e sensibilidade linda.

adoro-te cronista preferido!

M. disse...

E eu que não desacostumo com a liberdade...

c.miChel disse...

boa amigo! chega a hora da partida. uma hora todos querem ser livres, chega a hora de despedir-se e ir pra novos lugares. descobrir-se todos os dias.

Juss disse...

Eu ainda quero estar vivo pra ver umt exto teu, pelo menos, mais ou menos.
Não é torcendo pra achar um, sabe... é mais porque eu quero provar, por negação, que tu escreve bem demais.
Ah, sei lá... desculpa.
To sem palavras.
^^'

Deveria simplesmente ter dito ótimo texto, cara. De novo.
=)