sábado, março 20, 2010

Não custa nada...

Fui acordado por uma voz suave a me chamar para ir à praia, mas resisti, não tinha a mínima condição. Passei a noite anterior finalizando um texto. Meu editor me espancaria se não o enviasse logo. Num misto de trabalho e prazer, de inspiração e transpiração, consegui terminar mais um capítulo do novo livro e pude ir dormir. Era mais ou menos quatro horas da manhã. A minha vontade era de passar o dia dormindo.

Depois de dormir um pouco, escuto algum barulho vindo da porta. Mal abro os olhos e vejo um quadro emoldurado pela porta, uma vista maravilhosa. Lá está ela, descalça, o vento brincando com seus cabelos castanho-escuro, uma vestidinho branco e, em seus braços, olhando pra mim, com os braços agitados e dando uns grunhidos de alegria, ele.

Nele, eu vi meu sorriso, os olhos dela. Ela o deixou em cima do meu peito. Engatinhando em mim, começou a colocar os dedinhos em meus olhos, meu nariz, minha boca. A cada espirro ou careta minha ele ria uma risada tão gostosa... Enquanto eu também podia ver um sorriso de satisfação lá da porta. E ele todo bonitão, de fralda limpinha, cheirinho de lavanda, bonézinho azul-claro e o pés descalços, tão branquinhos, assim como o resto do corpo.

Chamei: "Vem pra cá também". Deitou ao meu lado, olhando pra nós dois, homens de sua vida. Começou a me fazer carinho, depois, cócegas. E a cada risada minha, ele gritava e ria que parecia preencher a casa toda. Ali no quarto, com ele e ela, sentia estar no paraíso. O quarto, em sua maioria branco e com vários retratos nossos na parede, com amigos e família, do tempo que éramos dois, e, mais recentes, nós três, parecia um pedaço particular do céu.

Depois de muito agito, ele dormiu em cima de mim. E ela começava a me acariciar, com uma mão em meus cabelos e passando a outra em meu braço. Pensei baixinho: "Espero que não puxe meu cabelo, ou alguns dos poucos pêlos do meu braço. Não tenho a menor intenção de acordar agora..."
=]

10 comentários:

Karina disse...

Acordar pra quê? (riso)
Momento simples, belo e sublime!

Viajei em suas palavras hoje (em especial), muito singelo!

Abraço

Maíra disse...

Lindo, lindo texto!
Fazia tempo que não vinha por aqui, e te digo: teus textos estão cada vez mais bonitos.
:*

Marie disse...

Depois desse texto, nem senti vontade de acodar.
Lindo ^^

Bia Monteiro disse...

Que lindo Rafa...
Tão inspirador...
Tão meigo... tão puro...
Cheio de detalhes...
Amei...
Bjos
=D

Jéssica Trabuco disse...

Nossa, eu fiquei com os olhinhos brilhando agora.
Que lindo isso que você retratou moço!
MTO BOM!

Hilário Ferreira disse...

Por que eu sempre tento dar rosto aos personagens?
Acho que a sua narrativa nos deixa tão imersos no texto que nos colocamos na cena e procuramos reconhecer, em algum cotidiano que ainda não vivemos, os personagens que protagonizam suas histórias.

Gisa Carvalho disse...

Adorei, Rafa. Parece que eu estou vendo essa cena, quando as crianças lá de casa chegaram e chegam a cada 15 dias pra visita. =D Lindo!

priscila lima disse...

faz muito tempo mesmo. saudade de você! beijos=)

L. M. disse...

Nossa, que lindo esse texto! Fiquei imaginando os sentimentos que você ia tendo...
E fiquei curiosa sobre o seu livro! Não deixe de divulgá-lo, hein?!
Eu passei mesmo uns dias longe do blog, por conta de uns probleminhas, já resolvido. Mas agora estou de volta! =)

Juss disse...

OOOOOOWWWWNNNN! *-*
Que perfeito, cara!
\o/

P.S.: Livro, é? ...
Já quero. E autografado!