segunda-feira, abril 12, 2010

Um gato

Abri os olhos, levantei, tomei banho, comi, fui para a sala e nada. Nada. Liguei o rádio. Nada. Não consegui acordar de forma alguma, nem mesmo a sempre companheira música conseguia trazer minha alma de volta. Estava dormindo ainda, acordei cedo demais para ela, pois, cansada, precisava descansar mais um pouco. O corpo já estava bem demais, podia ser virar sozinho.

Sentado no sofá, tentava e não conseguia pensar em nada, congelado estava. Até ter uma idéia, uma luz no meio da escuridão. Ou então não tenho mérito, foi puro instinto (sim, todos temos, mesmo o meu adormecido a maior parte do tempo, contaminado pela minha preguiça). Sim, meu pensamento-reflexo? Espreguiçar-me. Inconscientemente, ou não, meu braço direto apontou para o céu, o esquerdo dobrou-se apontado para o próprio lado, as pernas esticaram e os dedos pareciam querer sair para passear.

Deu certo, aos poucos, ela foi chegando. Estava completo mais uma vez. E estando todo contorcido prazerosamente no sofá, comecei a pensar: “Pareço um gato”, (não na beleza, mas no ato) lembrando de várias cenas de gatos espreguiçando-se. E lembrei de um fato, nem tão importante, mas lembrei e vou contar. Certa vez uma amiga chegou para mim, falando assim, sem mais nem menos: “Tu é um gato”, e eu disse: “Sério, e olha que eu nem fiz a barba...”, e foi desfazendo a minha idéia com uma explicação não mais esquecida.

“Não é por conta desse bigodinho ridículo que tu sempre deixa por preguiça, mas coisas outras. Tu é manhoso demais, a gente faz um carinho e pronto, tu já vai embora pedindo mais sem falar nada, só com o jeito e com a expressão facial. Depois, vai embora e se outra fizer a mesma coisa tu se deixa ficar do mesmo jeito. Tu é charmoso, não é bonito, é charmoso, não sei explicar, coisa de gato. Outra coisa, tu é misterioso demais, sempre sai de repente e não sabemos para onde vai, só vemos quando volta sorrindo feito besta. E se insistimos em pergunta e ficar com raiva tu dá um jeito de quebrar o gelo e ficar tudo bem. Tu devia era tomar jeito de homem, assim ninguém vai te querer, desse jeito manhoso e felino todo. Vai dizer nada não em tua defesa?”.

Eu pensei em dizer “miau”, mas achei melhor não, pois ela podia se estressar um pouco. Fiquei pensando em mil coisas aprendidas em leituras diversas sobre felinos. Não era muita coisa, mas podia ajudar. Não deu nada certo, fiquei sem conseguir falar. E ela olhando e esperando uma resposta. Pedi desculpas por qualquer coisa feita e desagradável para ela e dei de ombros como quem termina a conversa dizendo: “Mas o que eu posso fazer?”.

Estava começando a pensar no assunto preocupado, sentei na calçada e coloquei as duas mãos no queixo, pensativo, embora não estivesse chateado. Até ela dizer: “Olha, liga pra isso não, coisas da minha cabeça sem noção mesmo, besteira minha. Vamos entrar aqui em casa, comer ou beber alguma coisa”. E fui levantando com meu melhor sorriso e preparando-me para levar um tapa ao entrar na casa dela e perguntar logo se tinha leite...
=]

14 comentários:

YslanRodrigues disse...

E dentro da casa, o que aconteceu!? haauhauhuahuhuha

priscila lima disse...

uma saudade imensa de você! mesmo. vou cobrar esse nosso café ou... qualquer outra coisa que faça a gente se encontrar e conversar pelo menos uma vez, não através de comentários! heheheh
podia ser sexta.. só preciso descobrir o que aconteceu direito com o meu pé.. depois de um acidentezinho daqueles que bebo sofre! hehehe
diz aí como é teu tempo! =)
beijos

obs. depois com mais calma, leio o texto e escrevo um comentário decente. ehheehhe=)

Leni.com disse...

Que bonitinho...a descrição sobre os felinos é essa mesma.

Hilário Ferreira disse...

Não li seu texto sobre o gato pra não sentir saudades do Nino.
Citei você.

L. M. disse...

Hahahaha! Adorei! Essa sua amiga conhece bem os gatos, hein? E conhece bem você!

Quanto ao que comentou no meu blog, eu acho que sentimos parecidos, mesmo com todas aquelas coisas que escrevi. E talvez por isso não tenha achado nada confuso...

Beijão!!

c.miChel disse...

muito boa a descrição do comportamento de um gato. e ótima comparação.

Rafael disse...

Os gatos vivem no beco,é justo que eles se divirtam,muito bom o texto,eu adorei

abraço meu caro

Josi Puchalski Sousa disse...

Hummm...os gatos. Eu tenho um e amo o jeito deles de levar a vida. Vc deve ser feliz como um gato hein? Pra te fazer contente pouca coisa deve bastar! Um lugar onde cochilar, um pouco de comida e muito carinho no pescoço! Adorei o texto!

Um beijão!

Dayane disse...

Meu nakorado tbm é um gato ^^!Pois ele é desse jeitinho,igaul vc ^^!
Poxa rapaz,é verdade!Vc tinha sumido do meu blog,neh?Coisa feia!Pode me linkar sim,com td prazer!Farei o mesmo com o seu blog ;)!
Bjo,Day.

AS MESMAS disse...

UaU!!!!
Arrasou no texto viu...
Não gosto muito de gatos, mas depois dessa descrição deu até vontade de criar um!
rsrs


Voltaremos sempre!

Juss disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Eu ri demais no final do texto!
Seu safado!

Mas o pior é que é mesmo, né. Tu é desse jeito, mah! Ai ai... mineiro e engraçado..

E dentro da casa, hein? Ai é um outro texto, né.

=]

marinaCavalcante disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
marinaCavalcante disse...

Engraçado... a tua alma "chega" quando ao espreguiçar como um gato.
E já parece que é a alma dele que te habita. :) Boa!


Ah, quando eu cheguei no "Eu pensei em dizer “miau”..."
ri demais... e continuo rindo.
Cheio de graça, né? Hehehe



Teu texto tá demais, Rafa!
Quanto a isso, ninguém tem dúvidas.
Mas, eis a questão:
Auto-análise Ou realmente a tal amiga existe?

Hehehehe...
ás vezes até desconfio de que seja uma auto-análise, sabia?
Como pode alguém se conhecer tão bem?


Um abraço grande, querido!

Rafaela disse...

Kkkkk, como ela conseguio te descrever ?
Muiiito bom mesmo o texto o finalzim é Otimo. ;D