sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Na espera...

Olá!
Tudo bem?

Tempos não conto nada por aqui, no pré-texto.
Só pra dizer, feliz demais, momento ótimo.
Versos saindo, textos saindo, coração em paz, conseguindo estudar, enrolar menos, saúde em alta, amigos sempre por perto.
Alguns detalhes a acertar ainda, mas estamos caminhando bem.
Obrigado pelas palavras sempre carinhosas.
Até o próximo.
Beijos e abraços!
=]

ps: sim, o texto Carnaval é meu em co-autoria com Saulo Rocha, amigo-irmão.
Foi feito no calor do momento, com muito sentimento, a quatro mãos e dois corações.
Mais do saulo em mundodesaulo.blogspot.com
=]

“Passei o dia inteiro olhando para o celular.
E nada.
Nem uma ligação, um toque, uma mísera mensagem.
Deixei meus olhos congelados, minha mente ociosa.
E nada.”

E enquanto esperava, nada mais no mundo tinha graça, razão ou sentido. Da minha janela lateral podia ver o “nada” acontecendo, nem vento tinha, nem o sol brilhava, as cinzas nuvens dominavam o céu. Onde estava o barulho dos automóveis? O canto dos pássaros? O choro das crianças e o tilintar das moedas da latinha do ceguinho? Onde estavam as cores e os sons do mundo? Estaria eu ficando cego e surdo? E louco?

E que dia é esse onde as horas não passam? A minha velha ampulheta não deixa os grãos caírem normalmente, os solta preguiçosamente para alimentar minha angústia. As formigas em fila indiana sobre a mesa ameaçam tomar posse de tudo, e eu com um sopro da morte, tento afasta-las sem muita empolgação.

Do lado de fora, uma folha caindo em câmera lenta me chama a atenção por alguns segundos. Como pano de fundo, uma luta da humanidade contra alienígenas pelo futuro do nosso planeta, se vamos continuar a destruí-lo por nós mesmo ou terá que vir alguém de fora fazê-lo... A banda passou tocando coisas de amor, os bondes passaram, os ônibus passaram, tudo passava, menos minha agonia danada a não me deixar tirar os olhos do celular...

Do lado de fora eu pude ver até uma singela aposta... A flor no vaso da vizinha, a borboleta prestes a sair do casulo e o amor no coração de minha vizinha menina-moça apostando quem desabrochava primeiro... Eu pude ver anjos, gnomos e duendes tentando tirar minha atenção, eu vi e ouvi risadas de bruxas querendo me amedrontar. Eu vi sonhando acordado o meu pesadelo mais recente...

Eu vi tanta coisa em um espaço de tempo sem medidas... Eu pude ouvir sons do passado, lágrimas caindo e coração batendo mais forte no apartamento de frente, eu vi um papagaio assobiar Mozart, os pombos a voar de cabeça pra baixo, os gatos a caírem de costas e os cachorros latindo versos pra lua e pra amores passados.

Eu vi tanta coisa até meu coração não acreditar na mensagem que chegava...
“Atenção. Seus créditos são válidos até...”

...

Até a mensagem esperada chegar: “Oi, beleza? Olha, hoje não vai dar certo, preciso ajudar minha vizinha a enxugar um pacote de gelo e ver se a grama dela não cresce acima do normal, além de ter de costurar um toldo pro circo do meu primo e a lavar a avenida em frente aqui de casa, ela anda muito suja. Amanhã vemos algo legal pra fazer, certo? Beijos e não deixa de tomar os remédios pra não ficar gripado, seu rebelde! =]”.

E eu fui pra janela, pra ver se algo interessante acontecia...
=]

3 comentários:

marinaCavalcante disse...

E olhe que pra um papagaio assobiar Mozart tem é zé. Rs

Voltou para os contos... eu
andava com saudade de lê-los.

- Sempre saudade, que coisinha angustiante!

Ah! O texto tá ÓTIMO. Ótimo mesmo.
Sempre o amor em pano de fundo maior
e mais poderoso. Ê, assunto que rende
palavras e versos e histórias e contos. =)

:* Beijos!

Ps.: Gostei de ler o pré-texto.
Alegria por você está bem, graças!

Hilário Ferreira disse...

Essa vai para o livro! Grande crônica. Um parágrafo antes de você citar o Chico, eu havia pensado nele a partir do seu texto. Legal, a sua idéia me chegou antes de suas palavras. O desfecho foi ímpar! Você conseguiu durante todo o texto fazer que o leito vivesse aquelas cenas e no final coloca o sms que mais recebemos na vida. E o álibi, a forma que você narra o sms que dizia um "não" já valia um outro texto por si só.
Ah, os pré-textos são quase uma marca sua, né?
Ah, (de novo), escrevendo muito, tá apaixonado?

Richard Ayala disse...

ehuaehuae, grande rafa! muito bom texto! cê sabe o porque de eu gostar tanto né! safaaaado! beijo lindo! ;**