sábado, abril 13, 2013

Dia da Poesia


- Então, hoje é o Dia Nacional da Poesia? É o nacional ou o internacional?
- Hum?...

- Ás vezes eu fico me perguntando de onde vem a poesia... Vem da vida ou do poeta?
- Eu sei de onde ela vem...

- É? E de onde é?
- A poesia vem dos teus lábios, com certeza. Vem dessa tua boca atrevida, linda, que me dá uma vontade louca de encher de beijos e mais beijos...

- Ah, fala sério!
- Eu falo e, infelizmente, só falo, mas se pudesse... Ah, se pudesse! Te agarrava pela nuca e cobriria teu pescoço de cheiros!

- Sério, não vem curtir comigo. Afasta aí. Tu, que escreve, acha que todo mundo é poeta?
- Todo mundo eu não sei, mas o teu corpo eu tenho certeza que é poesia pura. Fico perdido em pensamentos mil só de olhar nos teus olhos. E se começo a imaginar nós dois...

- Ei, vem cá, declama um poema pra mim? Por favor?
-“Eu quero é viver em paz, por favor me beija a boca, que louca, que louca...”

- Ah, safado! Mais isso aí é uma música do Djavan, não vale não! Eu quero um só pra mim!
- Beleza, lá pro fim do mês eu te envio.

- Nada de “lá pro fim do mês eu te envio”. Eu queria agora...
- Mas pra escrever poema eu preciso de um tempo pra pensar. Pra ir escrevendo, apagando, tentando melhorar. Precisa estar inspirado também. Ou então, invento de fazer às pressas e sai uma porcaria...

- Tem certeza que não dá pra fazer um agora?
- …

- Eu vou ficar bem quietinha, tá?
- …

- …
- …

- …
- Desculpa, não consigo. Não consigo mesmo!

- Ahh, e eu me achando aqui, crente que ia ser uma boa inspiração...
- Então, beija minha boca
e esquece do mundo
Prova meu beijo
que eu te levo ao céu
sem sair do chão
Beija minha boca agora
e esquece da gente,
e de todos ao redor.
Cola teu corpo
ao meu
e deixa os corações
baterem
forte,
como um só
Esquece as provas,
as dívidas,
o emprego,
o futuro
e os anéis de saturno

Beija,
com toda a vida,
com todo o amor,
que eu te beijo
o dobro
=]

- Nossa... que poema mais bonito! Lindo demais! É teu mesmo?
- Já foi meu. Não é mais. É teu, mas nunca mais vai escutar de novo. Não conseguirei lembrar dele depois pra escrever. E nem é um poema não...

- Isso não é um poema? O que é então? É uma música? Rap? Repente? Cordel?
- É só desejo. Bruto. E externado...
=]

Um comentário:

Simone Schuck disse...

Lindo... É isso! Poema é momento.

Rafael, querido, teu último comentário no meu blog (que me entendeu - e ao poema - melhor do que qualquer pessoa!) ainda me rendeu outro poema! Confere lá.

Um beijão, poeta!