quarta-feira, março 13, 2013

O recomeço


Quando Paulo abriu a porta, Clarissa já o esperava. Continuava linda. Cabelos pretos, fortes, como sempre foram. O perfil mostrava uma mulher bonita. Estava em frente à mesinha da sala, sentada no sofá. Bebia. Apesar de triste, parecia calma. Parecia mesmo era estar desapontada. Ao cruzar o olhar com o dela, ele não consegue deixar de sentir uma pequena tristeza.

Ela vira o rosto para olhar as fotografias do casal na estante. Esboça um triste sorriso.
- Então, só queria saber uma coisa: é definitivo?
- Sim, é definitivo.

- A culpa foi minha? Fiz alguma coisa de errado? Deixei faltar algo para você?
- Não, você não teve culpa de nada. Isso pode acontecer com qualquer um.

- Alguém mais está sabendo?
- Não, sempre fui muito discreto, você sabe.

- Sim, e como sei. Sempre gostei disso...

Calmamente, ela tira o anel de casamento e coloca em cima da mesa.

- Sabe, Paulo, nosso casamento foi um dos momentos mais felizes da minha vida.

Sorri e deixa uma lágrima cair.

- Foram ótimos estes últimos anos. Já estamos perto dos quarenta. Quarenta, Paulo! Como isso tudo estava tão longe quando você ia escondido lá para casa. Deus, faz tanto tempo assim?

Coloca um pouco mais de whisky no copo e acendeu um cigarro.

- Você sabe que eu tinha parado com as duas coisas, mas hoje é um dia especial. Sabe, admiro tua discrição, porque eu não desconfiei de nada. Homem, quando é pra fazer safadeza...
- Clarissa...

Ela se levanta de repente e atira o copo contra Paulo.
- O pior de tudo é que eu não consigo ficar com raiva de você, não consigo! E você é um cachorro, sem vergonha, traidor... Você não existe, Paulo. Como pôde fazer isso comigo?
- Desculpa te desapontar, Clarissa, mas foi mais forte do que eu...

- Homem é tudo igual mesmo, coisa mais triste. Casam prometendo fidelidade e amor e quando você vai ver, pá, uma facada pelas costas! Pensando bem, achei estranho quando você demorou demais naquele Reveillon. Foi pegar uma bebida e voltou meio desconfiado... Foi ali que começou?
- Clarissa, eu só vim aqui devolver a minha chave do apartamento. Peço perdão e espero que um dia nós possamos ser amigos. Já vou indo.

Ele caminha em direção à ela, mas ela o afastou com a mão, como se espantasse um mosquito.
- Olha, é melhor você ir logo embora. Fique sabendo que pra mim não tem mais volta. Não sou mulher de idas e vindas. Adeus.

Quando ele se prepara para sair, ela fala, de forma triste:
- Paulo? Boa sorte para vocês e manda um beijo pro Marcelo.
=]

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