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quinta-feira, abril 16, 2020

Por enquanto, sem cadeiras nas calçadas

Quem conhece nosso estado e os cearenses sabe que somos um povo acolhedor. E gaiato. Tudo vira motivo de riso, de uma “gaitada” bem gostosa. Mas vai além disso.

Adoramos sair só para bater perna, seja no Centro, Centro Fashion ou shoppings, embora seja muito difícil voltar sem ter comprado nada, seja uma casquinha de sorvete ou uma blusinha. Gostamos de dar uma volta pelo Dragão do Mar ou pela pracinha do bairro mesmo. Se tiver alguém vendendo espetinho ou pratinho, poxa, melhor ainda.

Sabemos que muitos fortalezenses não dispensam comer caranguejo às quintas-feiras. Ou mesmo sair para tomar “uma”, que sempre são muitas. Em todo o Ceará, ainda é vivo o costume de colocar as cadeiras nas calçadas e conversar miolo de pote por um bom tempo. Pode ser o tempo do café ser coado ou do cuscuz ficar pronto.

Somos, todos, apaixonados pelo fim de semana. Queremos fazer tudo que é possível. Tomar uma cachaça ou um banho no açude, beber uma cervejinha, fazer um churrasco, visitar a família, sair pra comer, visitar os amigos, ir à missa, tomar um banho de mar, bater um rachinha, ir ao mercado, pedir um galeto com baião, ir ao estádio.

Apesar das dificuldades, somo um povo genuinamente gaiato, da molecagem, alegre. Fazemos piada com tudo. Em Fortaleza, já elegemos um bode vereador e até mesmo vaiamos o sol. Só que, dessa vez, o assunto é sério. Precisamos ficar em casa o máximo possível, lavar bem as mãos e seguir todas as recomendações médicas.

Daqui a uns meses, com certeza, poderemos nos juntar para darmos uma vaia bem grande ao Covid-19. Daqui a uns meses, não hoje.

E voltaremos a bater perna pelas cidades, a colocar as cadeiras nas calçadas e a ir e vir para qualquer lugar desse estado maravilhoso.

Um comentário:

Airtiane disse...

Aquele momento que bate uma saudade de ver e viver tudo isso, não só pelo momento atual, mas porque aqui não tem "cadeiras na calçada" mesmo. Esse bicho é tinhoso e vem de qualquer lugar, sem aviso, se demora e ainda faz um estrago danado. Por isso é bom colocar as cadeiras pra dentro. "Passa pra dentro, menino, se não esse bicho vai te pegar." Mas tudo isso vai passar, aqui tão dizendo que tá passando, então vai passar aí também. Eu espero!