quarta-feira, agosto 13, 2014

Personificação do Amor


Quando comecei no emprego anterior, precisei aprender a hierarquia da empresa. Sub-gerente, gerente, outro gerente, superintendente, diretor e presidente. Troquei de empresa e foi mais ou menos a mesma coisa: muitos gerentes e diretores e um presidente. Você chega, descobre os caciques e se mistura com os outros índios, tudo normal.

Em muitos casos, não todos, os chefes e sub-chefes sempre exigem o tratamento correspondente. Muitos são bem apegados ao cargo, pois se esforçaram para merecer o salário e a responsabilidade, não é só pela grana, claro. Ainda que alguns não fossem bons gerentes, era preciso respeitar a hierarquia: o “baixo escalão” só declarava algo caso os superiores aprovassem. E, assim, se eu enviasse uma simples pergunta para um funcionário “comum”, ela levava dias para ser respondida.

Há hierarquia em várias empresas e instituições e precisamos respeitá-la. Tudo bem, não vejo problema algum nessa história. No entanto, a minha dúvida é seguinte: se há no campo profissional, seria possível existir também hierarquia no campo pessoal?

Talvez não haja bem uma hierarquia, mas, quem sabe, um alto escalão informal. Pai, Mãe, Avós, Avôs, Tias, Tios, Padrinhos e Madrinhas podem fazer parte dessa categoria superior. Crescemos aprendendo a respeitá-los e até apanhamos de alguns deles. Respeitar não significa ter medo, mas esse não é o foco hoje.

No meu caso, por exemplo, passei de tu ou você para senhor há alguns anos. Sinto-me um velho quando escuto alguém me chamar de senhor, mas sei que em muitos casos é apenas por educação, formalidade. Aquela conversa de vendedor e atendente de telemarketing, sabe?

Não me agarrei a nenhum cargo nas empresas por onde passei. Não faço questão de ser chamado de chefe disso ou daquilo, nem dizer qual o meu nível dentro da empresa. Sou mais um, estou lá para somar e não fujo das minhas responsabilidades. No geral, ser chamado pelo nome já me satisfaz.

No entanto, há um tratamento especial, do qual a utilização me enche de energia e alegria: Amor. Sim, ser chamado assim me faz sentir especial. E não adianta ser qualquer pessoa chamando. Por exemplo, costumo ajudar uma instituição com doações mensais e a telefonista só me chama de amor. Não dá certo, não esboço nem mesmo um sorriso. A mágica só funciona quando é a minha mulher falando. Aí, nesse caso, eu sou mais do que o namorado-marido-companheiro, eu sou a personificação do Amor.

E se ela me chamar pelo nome ou, pior, muito pior, pelo nome completo, algo há de muito errado. Sim, é um grave indicativo de que algo está errado. É como se não mais chamassem Sol e Lua pelos respectivos nomes, como se todo o arco-íris fosse apenas cinza. E a cor do mundo só volta quando eu volto a ser o Amor.

Ser o Amor de alguém não é fácil, exige tempo, dedicação, carinho, respeito, cumplicidade e muitas outras coisas. Ser chamado de Amor pelo Amor da vida inteira, representando um sentimento que os maiores poetas não conseguiram definir, não tem preço.

É isso, meu Amor da vida inteira. Eis o cargo/patente/denominação/apelido que eu nunca gostaria de perder. Não quero jamais deixar de ser o teu Amor.

Com amor,

Teu Amor

=]

Um comentário:

sblogonoff café disse...

Essa foi uma declaração bonita.

Um grande vocativo!!!!!