domingo, janeiro 03, 2010

Reencontro

No próximo, eu falo mais.
Por enquanto, pensar mais um pouco no que dizer.
Beijos e abraços

Quase não acreditei quando tocou o meu ombro. Estava com um grupo de amigos ali no Dragão do Mar, um ponto turístico da cidade. Uma roda de bons amigos conversando e bebendo que iriam ficar em segundo plano no momento em que me virasse para descobrir quem me chamava.

Não reconheci de imediato. Então ela colocou a franja de lado e pude entender quem estava de volta.

- Juliana?
- Eu mesma! Saudade grande eu estava de você!

Juliana, um anjo. Estudamos juntos por três anos. Era um anjo, um doce de pessoa. Passamos um tempo juntos. Não deu certo. “Anjos e demônios estão sempre em guerra”, ela costumava me dizer, embora eu ainda fosse um rapaz comportado comparando com hoje, mas isso não importa agora. Éramos, acima de tudo, bons amigos. Conversávamos durante a aula, intervalo, pelo telefone, por mensagens, pela internet, não assim direto, mas sempre de vez em quando durante ao dia. Mesmo sendo chamado por ela de gaiato, antes de dormir ela sempre dizia: Boa noite meu anjo, e me fazia ir mais leve para a cama.

Conversamos sobre a vida e a morte e a vida após ela, futilidades no geral. Histórias em geral, nossas e dos outros. Apesar do visual estranho para meus olhos, continuava bonita.
- Então tu não está namorando? Tem jeito mesmo não!
- Oura, eu vou namorar, tu vai ver. E tu, namorando?
- Sim, sim. Está vendo aquela rodinha ali? Meu amor está ali!
- Aquele ali, não é? De jeans colado, camiseta branca e jaqueta por cima? Ele é bem estiloso, parabéns pelo namoro.
- Não é não, é a pessoa do lado dele, de bota preta, calça jeans surrada e uma camiseta preta bem justa.
- Mas ali é...

O tempo parou. Ali ao lado do sujeito que eu acabara de descrever havia uma ruivinha, linda de matar e morrer, embora estivesse com um aspecto mal cuidado. A ficha demorou para cair e então voltei a raciocinar.

- Parabéns mais ainda! Ela é linda...
- Olha lá, hein, seu gaiato. Vai roubar minha namorada não!

E começou a rir aquela risada gostosa de sempre, parecendo mais nova toda vida que sorria assim. Naquele momento a maquiagem preta, os piercings e até a franja caindo no meio da cara pareceram desaparecer. Eu vi ela como costumava ver antigamente, não era por conta de ter mudado o visual que não era mais uma boa pessoa, independente das aventuras por quais passou durante esses anos.

Hora de ir embora. “Preciso voltar”, ela disse. Eu precisava voltar ao meu grupo também. Não marcamos de nos encontrar de novo. A vida que ia se encarregar disso, mais uma vez. E então, antes de ir embora ela me disse: Boa noite meu anjo, a gente se esbarra por aí.
=]

6 comentários:

Jéssica Trabuco disse...

Ele deve ter levado um susto hein?
rs..
MAs eh.. aida se encarrega de os aproximar d novo.. enquanto isso cada um segure seu rumo aprendendo oq quer ser de verdade ;)

Felicidade Clandestina. disse...

Nossa. xD

sempre que venho por aqui
me sinto feliz!

um ano maravilhoso pra nós. :* bj

Maíra disse...

Adoro esses tratamentos carinhosos, e, sem dúvida alguma, "meu anjo" é um dos melhores.

Gostei do texto :)

marinaCavalcante disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
marinaCavalcante disse...

Texto ótimo!

Um reencontro com uma pessoa
querida é um sonho.
Nos trás tantas lembranças!

Resgata o passado, trás um pouco
de nós mesmos... o que fomos,
como fomos, o que vivemos.

E concordo com a Maíra
sobre o "meu anjo".

Abraços!

Juss disse...

"sempre que venho por aqui
me sinto feliz!"

Palavras alheias bem selecionadas. :D