domingo, maio 01, 2016

Mortos. Vivos. Mortos. Vivos. Vivos.

Eis que surge um poema.
E ele precisa sair.
Ou eu preciso me livrar dele?

Depois de mais de um ano, um aparece.
É de boa ou má qualidade?
Não sei.
Sei que ele traz uma esperança de novos escritos...

Um abraço pra você que sem querer - ou não - veio parar aqui.

=]

Você morreu
De rir
Daquela piada sem graça
Contada no meio daquela palestra há três anos

Você morreu
De chorar
A perda da tia da cantina
Na faculdade onde estudamos

Você morreu
De vergonha
Quando te puxei pra dançar
No meio do shopping lotado

Você voltou
A sorrir
Depois de conferir as notas
E ver que não havia reprovado cadeira alguma

Morri
Em várias ocasiões
Ao te ver ruim
E nada poder fazer pra resolver

Saí de mim
Naquela noite
Quando nos apontaram uma arma
E te fizeram chorar

Morri de medo
De não dar certo
Aquela entrevista importante
Depois de ter me preparado tanto

Morri
De raiva
Ao ver um conhecido
Defender deputado fascista e golpista

Voltei à vida
Depois da virose
Ao acordar bem cedo
E te ver dormindo ao meu lado

Vivemos
Dias fantásticos
Naquelas viagens à beira da praia
E no alto da serra

Vivemos
Dias memoráveis
Onde não foi preciso fotografar
Para eternizar o momento

Nesta vida
Morremos
Diversas vezes
Mas seguimos vivendo
Enquanto muitos
Vivem
O tempo inteiro

E não vivem de verdade

2 comentários:

Diego Medeiros disse...

Uma vida que se inventa em movimento, criando, gerando, fluindo. Vida imanente e empírica. Toda humana. Muito bom meu amigo Rafael Ayala.

Helena G.S.R disse...

Muito bom voltar aqui!
Com certeza, vc não perdeu o jeito.
Parabéns! E que isso ocorra mais vezes... ;)


Beijão!